Homem-Aranha: Sem Volta para Casa | Quais as consequências do filme para o MCU?

Homem-Aranha: Sem Volta para Casa | Quais as consequências do filme para o MCU?

Por Durval Ramos | Editado por Jones Oliveira | 16 de Dezembro de 2021 às 20h00
Sony Pictures, Marvel Studios

Ao longo dos meses que antecederam o lançamento de Homem-Aranha: Sem Volta para Casa, muito se perguntava sobre como os eventos do longa iriam impactar o futuro do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU, na sigla em inglês). Sabíamos que a história iria mexer com o multiverso e trazer personagens de outras realidades, mas a grande questão eram as consequências que viriam em seguida.

E agora que o filme finalmente chegou aos cinemas, as respostas sobre o futuro do MCU começam a se desenhar. Embora a sua conclusão deixe tudo em aberto para o que está por vir tanto para o Homem-Aranha quanto para o restante dos heróis à sua volta, alguns pontos importantes apresentados indicam algumas reviravoltas importantes que devemos ver nos próximos lançamentos da Marvel.

Tudo novo de novo na vida do Homem-Aranha (Imagem: Divulgação/Sony Pictures)

Isso porque o modo como a bagunça no multiverso é resolvida e até mesmo algumas revelações pontuais ao longo da trama mexem nas estruturas do MCU que a gente conhece. De personagens que retornam a mudanças no status quo de outros heróis, Sem Volta para Casa é uma peça importante para o que vai vir daqui em diante.

Atenção! A partir daqui esta matéria está repleta de spoilers sobre Homem-Aranha: Sem Volta para Casa.

Quem é o Homem-Aranha?

O principal ponto deixado no final do filme é que o feitiço usado pelo Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) para resolver a invasão de vilões de outras realidades não fez as pessoas esquecerem que Peter Parker (Tom Holland) era o Homem-Aranha, mas apagou completamente a existência do garoto da mente de todo o mundo.

Assim, com um estalar de dedos, o rapaz passou a ser um indigente, sem lenço, sem documento e sem que ninguém tivesse a menor ideia de quem ele é. Isso fica bem claro tanto na cena com MJ (Zendaya) quanto em seu diálogo com Happy (Jon Favreau). Para eles, Parker é um desconhecido, um aleatório qualquer.

O adeus do trio parece ser mesmo definitivo (Imagem: Divulgação/Sony Pictures)

Ao mesmo tempo, é importante destacar que o Homem-Aranha ainda é um herói que o público conhece. Logo após a batalha final, J. J. Jameson (J.K. Simmons) reaparece atacando novamente o herói em seu programa para internet, mas sem comentar nada sobre sua identidade. É como se a pessoa jurídica do herói ainda fosse lembrada por todos, mas a pessoa física foi completamente esquecida. Em linhas gerais, é uma versão muito mais radical do feitiço que Peter tinha pedido ao Mago Supremo.

Esse final um tanto quanto melancólico é definidor para o futuro do personagem e do MCU. Por um lado, coloca Peter Parker na estaca zero de sua história como a gente conhece nos quadrinhos: sozinho, pobre e tendo que recomeçar sua vida — a heróica e a pessoal. É como se tivessem apertado um reset. Ou um reboot, se preferir.

E isso pode ser explorado de duas formas. A primeira é se destacando de vez do MCU e seguindo apenas dentro do universo da Sony. A história toda caminha nesse sentido e dá a entender que a ideia é, a partir de agora, deixá-lo menos atrelado à Marvel. Sem uniforme tecnológico e sem conexão com os Vingadores, ele passa a ser autossuficiente de um modo que até então não tínhamos visto — o que é ótimo.

Só que Peter ainda existe dentro daquela realidade. Mesmo que ninguém se lembre dele, ele ainda está no mundo que sofreu com o ataque de Thanos e que idolatra o Capitão América e o Homem de Ferro.

Toda a dependência com a tecnologia Stark vai ser deixada de lado nessa nova etapa do Aranha (Imagem: Divulgação/Sony Pictures)

Assim, se o acordo entre Sony e Marvel continuar e o personagem permanecer no MCU, podemos ver um novo tipo de jornada para esse Peter mais experiente e ciente das responsabilidades que acompanham a vida de herói. Ele finalmente aprendeu que com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades e agora é hora de colocar isso em prática.

Isso implica em vermos um Homem-Aranha muito mais maduro e menos encantado com as coisas, como aconteceu até aqui. E isso pode ser a deixa perfeita para que ele inspire uma nova geração de heróis que está vindo aí, como Kamala Khan e um eventual Jovens Vingadores. Mesmo sem ninguém saber a sua identidade secreta, esse crescimento pessoal e a posição de modelo para novatos é algo que ainda pode funcionar.

Vingadores sem o Aranha

Em um primeiro momento, a ideia de que todo mundo esqueceu quem é o Homem-Aranha soa como uma grande revolução dentro do MCU. Contudo, em termos práticos, isso deve trazer poucas consequências reais para os próximos filmes. Isso porque o Amigão da Vizinhança sempre atuou muito mais como um coadjuvante dos Vingadores e a sua identidade estava muito mais ligada à amizade que ele tinha com Tony Stark do que algo fundamental para o restante do universo, o que faz com que esse reset acabe não gerando grandes consequências.

Caso o herói continue no universo Marvel, o máximo que devemos ter é os Vingadores indicando que sabem da existência do Homem-Aranha e que o Escalador de Paredes chegou a ajudá-los na luta contra Thanos, mas que ninguém sabe de sua identidade secreta e que, por isso, é difícil contatá-lo ou coisa do tipo. É mais ou menos como aquele freelancer que passou pela empresa há um tempo, mas pouca gente lembra e ninguém tem ideia de como encontrá-lo para um próximo trabalho.

Já era o Homem-Aranha nos Vingadores (Imagem: Divulgação/Sony Pictures)

O maior impacto do feitiço do Doutor Estranho deve mesmo recair sobre o Mago Supremo. O trailer de Doutor Estranho no Multiverso da Loucura apresentado no pós-crédito de Sem Volta para Casa deixa claro que os eventos do longa vão repercutir o que vimos aqui e há até mesmo algumas falas sendo reproduzidas nesse sentido. Contudo, como Stephen Strange vai encarar as consequências de algo que ele não lembra?

O Doutor Estranho deixa claro que ele também é afetado pelo próprio feitiço quando se despede de Peter já na primeira tentativa de usar a magia, então a resolução final de Sem Volta para Casa se torna um problema para Multiverso da Loucura — a não ser que esse pequeno paradoxo seja justamente o que vai romper o tecido da realidade e causar o caos que vimos no trailer.

A volta do Demolidor

Para finalizar, Homem-Aranha: Sem Volta para Casa confirma uma teoria que os fãs há tempos especulavam: o Demolidor está de volta. Vimos Matt Murdock como o advogado de Peter logo no começo do filme e que ele já tem todas as habilidades do Homem Sem Medo, uma vez que conseguiu segurar um tijolo jogado contra Peter com extrema facilidade.

E aqui há alguns pontos importantes a serem destacados. O principal deles é que, embora ainda seja interpretado por Charlie Cox, isso não quer dizer que o Demolidor que vimos ali é o mesmo do universo da Netflix.

O Demolidor voltou — e não veio sozinho (Imagem: Divulgação/Netflix)

Havia uma teoria que dizia que o mesmo feitiço que levou os vilões e os demais Homens-Aranhas para o MCU também iria levar os heróis da Netflix. Contudo, é explicado que somente aqueles que conhecem a identidade secreta de Peter Parker é que foram puxados pela magia, o que deixaria Murdock de fora.

Além disso, vemos que ele está totalmente integrado com aquela realidade, seguindo sua vida de advogado e sem estranhar ter parado em uma Nova York que não é a sua. Isso significa que ele sempre existiu naquele mundo, só que a gente nunca tinha visto até então.

Essa leitura faz ainda mais sentido com o quinto episódio de Gavião Arqueiro, que revelou que o Rei do Crime (Vincent D’Onofrio) também segue em atividade no MCU, comandando o submundo de Nova York como sempre vimos nos quadrinhos. Caso ele tivesse vindo de uma realidade diferente — o Netflixverso —, ele jamais seria esse líder que Clint Barton (Jeremy Renner) tanto fala.

Rei do Crime já está no MCU, independente de Sem Volta para Casa (Imagem: Divulgação/Netflix)

Essa conclusão abre duas frentes que devem ser consideradas para o futuro. A primeira é que nem Murdock e nem Wilson Fisk desaparecem com o feitiço final do Doutor Estranho, ou seja, eles continuam existindo dentro do MCU e prontos para serem usados em histórias futuras. Tanto que a aposta é que o Rei do Crime esteja em Eco e o Demolidor em Mulher-Hulk.

Outro ponto é a inclusão dos demais personagens do Netflixverso. A partir do momento que é dito que esse Murdock existe, isso também implica em imaginar que temos variantes do Justiceiro, Luke Cage e até do Punho de Ferro andando por aí e que a Marvel pode trazê-los de volta a qualquer momento. E como estamos falando de outra realidade, seria possível mudar o ator e dizer que a mesma origem das séries seguem válidas e que apenas uma ou outra coisa mudou.

Quer um exemplo? Podemos ter um novo ator vivendo o Punho de Ferro em Shang-Chi 2 e a Marvel aproveitando que o público já tem uma noção mínima de quem é o personagem para não perder tanto tempo com explicações.

Talvez ainda seja algo pouco provável de acontecer, mas não é impossível. A verdade é que, assim como o futuro de Peter Parker, os próximos passos da Marvel diante das revelações feitas em Sem Volta para Casa são desconhecidos, mas cheios de possibilidades — e somente os próximos lançamentos devem nos dizer o que vem por aí.

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