Os 10 melhores filmes de drama disponíveis na Netflix

Os 10 melhores filmes de drama disponíveis na Netflix

Por Sihan Felix | Editado por Jones Oliveira | 29 de Março de 2021 às 21h00
Divulgação/Netflix,Elevation Pictures

Quando se trata de dramas, tudo ganha mais contornos. Isso porque um dos ganchos mais utilizados no cinema é a identificação — algo pensado já na escrita do roteiro. Se há o desejo de que o filme toque o público, é quase imprescindível que haja algum reconhecimento próprio no que se assiste. Não há, nesse sentido, imparcialidade. Todos temos histórias de vidas diferentes, particularidades intransferíveis... e tudo o que nos constrói acaba moldando essa assimilação.

Ainda assim, para fazer a lista que expomos abaixo, procuramos não ir aos filmes mais óbvios. A ideia foi trazer indicações que possam acrescentar. Então, dentro do catálogo da Netflix, podem ser encontrados outros tão bons quanto ou até melhores (a depender de cada um de nós). Isso só é da observação individual de cada um. Portanto, nada, aqui, tem a pretensão de ser taxativo.

Sem dúvidas, com isso acabamos deixando de fora filmes incríveis e que poderiam estar na lista como os demais. A questão é que listas não trazem verdades absolutas — assim como nada em relação a uma arte —, portanto nós do Canaltech sabemos o quanto vocês podem sugerir nos comentários e aumentar as indicações. De repente, dizendo-nos quais são os 10 melhores de vocês. Mas... vamos às nossas indicações:

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10. Ninguém Sabe que Estou Aqui

Se no cinema, assim como na vida, a imagem tende a ser uma espécie de cartão de visita, a direção do chileno Gaspar Antillo concede rimas visuais que ultrapassam qualquer beleza fútil. O início, por exemplo, ao ser junto à natureza, parece querer dizer da beleza de tudo aquilo que é natural — como a voz do talentoso jovem Memo (Jorge Garcia). Essa mesma natureza, inclusive, quando exposta nos planos mais abertos, parece manter ele (Memo) centralizado, como que abraçando-o carinhosamente.

A estética, além disso, é o principal elemento de flerte com o realismo fantástico, com o diretor de fotografia Sergio Armstrong (de No) utilizando luzes vermelhas que criam ou dão vida à felicidade soterrada daquele homem traumatizado. Não importa, por essa perspectiva, se o que acontece debaixo daquela iluminação vermelho-sonhadora é a força da imaginação de Memo ou a vida se revelando em pequenos lapsos.

Na história de Ninguém Sabe que Estou Aqui, acompanhamos o protagonista vivendo em uma remota fazenda de ovelhas e escondendo uma bela voz do mundo exterior. Estando recluso, ele não consegue parar de pensar no passado, mas o que vai acontecer quando alguém finalmente o ouvir?

9. O Menino que Descobriu o Vento

O amor em O Menino que Descobriu o Vento é concreto. É ele que se manifesta em arte e em entretenimento do mais nobre. É sensível, vulnerável e infinito enquanto dura, com potência para que todo o sentimento exposto nesse trabalho seja também imortal, por mais que seja uma chama que dura apenas pouco menos de duas horas.

Todo sofrimento que leva e traz os personagens; que contorna as vidas de William (Maxwell Simba) e de sua família; que alimenta a fome de aprendizado ilumina o horizonte. Sem afetar a sua história com distrações e sem glamourizar desgraças, o estreante na direção Chiwetel Ejiofor faz do filme uma lição. Mas não uma fictícia lição de moral clichê. Tudo é uma questão de vida mesmo, de lagarta virando borboleta, de semente que desabrocha rachando o asfalto, de mente que se desenvolve com objetivos muito maiores do que seu dono.

Na história, contra todas as probabilidades, um menino de 13 anos inventa uma maneira não convencional de salvar a sua família e toda a sua aldeia da fome.

8. O Quarto de Jack

O efeito geral de O Quarto de Jack é poderoso, mas tão intenso quanto é a experiência de sentir a transição da mãe vivida por Brie Larson do confinamento para o mundo real. Os danos tanto para ela quanto para o pequeno Jack (Jacob Tremblay — a revelação de 2015) são quase palpáveis, dada a proximidade da direção de Lenny Abrahamson. O mundo real parece, então, quase que igualmente assustador e, assim, o filme acaba trantando o micro do aprisionamento e o macro do mundo opressor como agentes desestabilizantes.

Na história, uma mulher mantida em cativeiro durante anos e seu filho vão à liberdade finalmente, permitindo que ele (o filho) experimente o mundo exterior pela primeira vez.

7. Cinema, Aspirinas e Urubus

É um filme dos mais bem conceituados do cinema nacional no século XXI, coescrito pelo recém-premiado em Cannes Karim Aïnouz (por A Vida Invisível), Cinema, Aspirinas e Urubus é uma comédia dramática comovente sobre a amizade relutante que se desenvolve entre um refugiado alemão da Segunda Guerra Mundial (Peter Ketnath) e um sertanejo brasileiro (João Miguel). É possível destacar a direção de Marcelo Gomes, que é minuciosa nos detalhes, nas escolhas de planos e, especialmente, em como ceder sensações para o espectador. Além disso, o roteiro do próprio diretor, Aïnouz e Paulo Caldas é inusitado e as atuações de Ketnath e Miguel são absurdas de tão boas.

Uma das sinopses (a que está no IMDb) diz (em tradução livre) que o filme é "um road movie sobre um alemão que foi para o Nordeste do Brasil em 1942 para vender aspirina."

6. A Escolha de Sofia

Sofia (Meryl Streep) é uma sobrevivente dos campos de concentração nazistas que encontrou uma razão para viver com Nathan (Kevin Kline), um judeu americano brilhante, embora instável, obcecado pelo Holocausto.

A Escolha de Sofia é cativante, com atuações sensíveis e também é de partir o coração. Trata-se de um filme que transparece humanidade, sinceridade, humildade. Isso porque, enquanto seus personagens sofrem com o doloroso estigma de serem humanos em uma era de loucura, eles vão se tornando nossos amigos íntimos... e nós, com isso, acabamos sendo espelho de seus sentimentos.

5. Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas

Tim Burton parece completamente à vontade com tudo o que envolve Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas. Desfilando toda sua sensibilidade artística e sua capacidade inventiva diante de um roteiro que lhe dá liberdade, o diretor fundamenta um dos seus filmes mais sensíveis (ou o mais).

Não bastasse as pérolas dos diálogos, como "É rude falar de religião. Nunca se sabe quem vamos ofender.", o filme tem algumas das cenas mais românticas do século XXI, em especial uma que acontece dentro de uma banheira. Burton sabe valorizar cada momento e, inclusive, pode surpreender a quem está acostumado com seus filmes mais darks. É uma pequena obra-prima.

4. História de um Casamento

História de um Casamento é uma espécie de sincronia perfeita para contar sobre a relação mais romântica que pode existir: a simbiose entre amor e tempo. A transformação que um causa ao outro é eterna. O tempo pode parar para o amor e o amor pode mover o tempo. O que existe no espaço entre um e outro é a vida... e esta é aquilo que, se tivermos condições, podemos guiar com mais ou menos dificuldades, mas sempre com a certeza de que não somos mais quem já fomos. E que tudo bem. Se houve amor — se há amor —, quem somos nós para lutar contra a liberdade e a independência que o outro nos deixou? Quem somos nós para lutar contra a eternidade?

A história, em resumo, trata sobre o fim de um casamento e, apesar disso, a permanência da família. O olhar incisivo e compassivo de Noah Baumbach guia um filme que pode ser devastador para uns e inesquecível para outros...

3. A Ganha-Pão

Em 2001, o Afeganistão está sob o controle do Talibã. No meio desse contexto, uma jovem determinada se disfarça de menino para sustentar sua família quando seu pai é capturado.

A Ganha-Pão não é somente uma animação dolorosa e assustadoramente real. Ela é daquelas que tocam tão fundo na gente que, por mais de um motivo, podem despertar a nossa empatia — algo tão necessário nos dias de hoje.

Dirigido pela diretora Nora Twomey, que havia realizado antes os lindíssimos curtas-metragens From Darkness (de 2002) e Cúilín Dualach (de 2004), e com Angelina Jolie como produtora executiva, a história é, talvez, a que tem a maior possibilidade de fazer chorar dessa lista, tamanha a sensibilidade de Twomey e do roteiro da ucraniana Anita Doron (roteirista e diretora do ótimo The Lesser Blessed, de 2012)

2. Se Algo Acontecer... Te Amo

Tudo em Se Algo Acontecer... Te Amo é pensado por meio de símbolos. As sombras, nesse caso, podem tanto erguer quanto derrubar muros. E são projeções do mesmo sentimento. Apenas quando as melhores memórias retornam, parece ser possível seguir em frente. Isso tudo é tão complexo que fica bem difícil entender como tanto coube em tão pouco tempo. Sombras que afastam; sombra que aproxima; a memória que procura salvar em um retorno para tentar — em vão — reconstruir o passado...

O filme é um curta-metragem de animação que nos leva a uma jornada emocional extraordinária de dois pais lutando para superar a dor deixada por um evento trágico. É, ainda, um conto que fala da dor assim como também comenta sobre a resiliência do espírito humano.

1. Assunto de Família

Assunto de Família traz um dos melhores diretores contemporâneos do Japão, Hirokazu Koreeda, voltando a um tom mais sombrio do que alguns de seus trabalhos recentes. Koreeda é, na história do cinema, um dos diretores que alcançam com mais força e abrangência o significado da palavra família — sendo isto recorrente em seus filmes.

Na história, uma família de pequenos vigaristas acolhe uma criança abandonada no frio. O desenvolvimento disso é pelo olhar inconfundível e potente de um roteirista e diretor que merece ser chamado de gênio.

Bônus Adam Sandler: Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe

Repleto de diálogos realistas e, ao mesmo tempo, estranhos, Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe é de uma precisão cirúrgica na concepção da relação entre um pai e seus filhos. Muito bem alicerçado nas atuações de Dustin Hoffmann (Harold), Ben Stiller (Matthew) e Adam Sandler (Danny), o diretor e roteirista Noah Baumbach (indicado ao Oscar pelo roteiro de A Lula e a Baleia, em 2006) fundamenta um filme cheio de humanidade, capaz de causar confusão, felicidade, acessos de raiva... sempre de uma maneira muito genuína e por meio da criação de sintonia entre filme e espectador.

Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe é, também, uma prova dupla: para os fãs e para os não-adeptos da carreira de Adam Sandler. Aqui, eles podem encontrar o ator em uma das suas atuações mais relevantes (ao lado de Joias Brutas, Reine Sobre Mim e Embriagado de Amor), tanto que o ator, merecidamente, foi ovacionado no Festival de Cannes. Apesar do humor meio amargo do personagem coincidir com muito do que Sandler já fez, há detalhes que o levam muito além, são camadas e mais camadas de um homem que jamais desistiu de ser feliz, mas, mesmo assim, sente-se fracassado.

Ficam, então, as indicações e o espaço dos comentários para acréscimos e tudo o que desejarem. Sem dúvida, como sempre ao fazer uma lista, foi dolorido, mas temos certeza que vocês conseguirão complementar e enriquecer tudo o que está aí.

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