Publicidade

Desvendado processo que preservou fósseis dourados de 183 milhões de anos

Por  • Editado por  Luciana Zaramela  |  • 

Compartilhe:
Sinjini Sinha/ The University of Texas
Sinjini Sinha/ The University of Texas

Uma união entre cientistas da Universidade do Texas e pesquisadores internacionais chegou a uma incrível descoberta ao estudar fósseis preservados com uma camada dourada brilhante do Folhelho Posidonia, na Alemanha, desbancando a teoria até então vigente acerca das condições necessárias para a fossilização — ao invés de pirita, outros minerais teriam sido responsáveis pela preservação dos restos animais.

Os fósseis do sítio estão entre os mais bem preservados do mundo, guardando espécimes marinhos do início do Período Jurássico (201,3 milhões a 145 milhões de anos atrás). A nova pesquisa ajuda a compreendermos como essas criaturas atingiram um estado de preservação tão impressionante e mostra o papel do oxigênio em todo esse processo.

Canaltech
O Canaltech está no WhatsApp!Entre no canal e acompanhe notícias e dicas de tecnologia
Continua após a publicidade

Nem tudo que brilha é pirita

No Folhelho Posidonia, é possível ver amonites dourados despontando em meio a placas de xisto negro. Normalmente, a coloração é associada a formações de pirita, mas os pesquisadores notaram uma dificuldade em encontrar esse mineral nos fósseis brilhantes. Algo estava errado, a partir do olhar das teorias vigentes. Os fósseis dourados, ao serem estudados, mostraram ter sido preservados como mineralizações de fosfato e calcita amarela.

As fossilizações do sítio arqueológico datam de 183 milhões de anos atrás, guardando espécimes muito raros como embriões de ictiossauro, lulas com sacos de tinta preservados e lagostas. Dezenas de amostras como essas foram postas sob escaneamento via microscópio eletrônico para verificar a composição química dos materiais fossilizados. O processo foi descrito em uma publicação no periódico científico Earth-Science Reviews.

Verificou-se, então, que todos os fósseis eram feitos, principalmente, de minerais de fosfato, mesmo que o xisto negro ao redor fosse salpicado de agrupamentos microscópicos de cristais de pirita. Na ciência, tais aglomerados recebem o nome de framboides. Os pesquisadores passaram dias procurando framboides semelhantes nos fósseis, sem muito sucesso — em uma das amostras, a laje de xisto continha cerca de 800 framboides, enquanto os fósseis mostravam 3 ou 4 delas, apenas.

Uma nova página na ciência da fossilização

A diferença de materiais é de suma importância à pesquisa, já que a pirita se forma em ambientes anóxicos — isto é, sem oxigênio —, enquanto o fosfato precisa de oxigênio para se formar. A pesquisa sugere que, embora o fundo anóxico do mar prepare o ambiente para a preservação ao impedir a degradação de materiais e o acesso por predadores, é preciso um pulso de oxigênio para gerar as reações químicas necessárias à fossilização.

Pesquisas anteriores da mesma equipe acerca das condições geoquímicas de sítios arqueológicos conhecidos pela preservação extraordinária de fósseis — chamados de conservat-lagerstätten — corroboram os resultados do estudo. Teorias longevas acerca das condições necessárias para a preservação incrível do Folhelho Posidonia, no entanto, acabaram contraditas pela nova descoberta.

Continua após a publicidade

Por muito tempo, acreditava-se que a anóxia causava a preservação de alta qualidade, mas agora sabemos que essa ajuda é mais indireta. A falta de oxigênio é necessária para manter o ambiente propício para uma fossilização mais rápida, o que leva à preservação, mas é a oxigenação que melhora o processo de fato. Foi a oxigenação, aliada ao fosfato e materiais que o acompanhavam, que também aumentou o brilho e aspecto dourado dos restos Jurássicos.

Fonte: Earth-Science Reviews