TikTok vai liberar algoritmos para avaliação e desafia Facebook a fazer o mesmo

Por Rubens Eishima | 29 de Julho de 2020 às 12h49
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O novo diretor-executivo do TikTok nos Estados Unidos, Kevin Mayer, não poupou palavras ao defender o aplicativo chinês das críticas que ele tem sofrido no ocidente. Mayer acusou o Facebook de fazer “ataques malignos” disfarçados de patriotismo e prometeu abrir os algoritmos do app para análise de terceiros, desafiando os concorrentes a fazer o mesmo.

Mayer se tornou CEO do TikTok em maio deste ano após deixar a Disney, onde trabalhou no lançamento do serviço de streaming da marca. O novo executivo já chegou com um desafio e tanto pela frente, com o app na mira de diversos governos devido ao seu controle por uma empresa chinesa, a ByteDance.

O executivo afirmou que não só aceita a atenção dada à empresa devido à origem chinesa, como também garante que ela será exemplo de transparência e prestação de contas. Uma das medidas anunciadas é a liberação para auditoria dos algoritmos usados no app, além das políticas de moderação adotadas.

Alfinetando o Facebook

A publicação no blog do TikTok afirmou ainda que o app aceita competição, aproveitando para provocar o Facebook e os diferentes aplicativos lançados pela empresa de Mark Zuckerberg para rivalizar com o serviço chinês. Mayer citou como exemplos os apps Lasso, encerrado no começo do mês, e o novo recurso Reels do Instagram. O CEO do TikTok convocou a concorrência a concentrar as energias em uma competição “justa e aberta, a serviço dos usuários.

O timing da publicação do TikTok não parece coincidência: nesta quarta-feira (29) uma audiência no congresso dos EUA irá sabatinar executivos do Facebook, Amazon, Apple e Google. O comitê antitruste do legislativo norte-americano investiga se as empresas — chamadas informalmente de “Big Tech” — têm adotado práticas anticompetitivas.

Mark Zuckerberg prestará depoimento hoje no congresso dos EUA sobre práticas anticompetitivas (imagem: Xinhua/Barcroft Images)

O depoimento de Zuckerberg foi disponibilizado antes da reunião e revela que o fundador do Facebook irá apresentar sua companhia como “orgulhosamente norte-americana”:

“Nós acreditamos nos valores — democracia, competição, inclusão e liberdade de expressão — sobre os quais a economia norte-americana foi construída”, diz o material.

O documento dá pistas de que o Facebook irá apresentar a China e seus serviços como rivais ideológicos “focados em ideais bem diferentes, [...] exportando a sua visão para outros países”.

A estratégia do Facebook pode alimentar iniciativas que visam proibir o funcionamento do TikTok nos Estados Unidos, seguindo o bloqueio imposto pela Índia ao app.

O chefão do TikTok respondeu à ameaça de banimento afirmando que um eventual bloqueio do TikTok reduziria as opções para os anunciantes nos Estados Unidos. Uma possível referência ao fato de que o Facebook controla não apenas a rede social de mesmo nome, como também o Instagram e o WhatsApp.

Mayer completou dizendo que o serviço não aceita publicidade política, um ponto que tem sido usado em argumentos contra a rede social de Mark Zuckerberg.

Fonte: TikTok  

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