Desenvolvedor que denunciou golpes na App Store agora processa a Apple

Por Alveni Lisboa | 18 de Março de 2021 às 14h08

No início de fevereiro, o desenvolvedor Kosta Eleftheriou denunciou publicamente a Apple por suposta negligência em relação à prática de golpes no iOS, principalmente por permitir imitações de aplicativos na App Store. Agora, o profissional entrou com um processo contra a fabricante do iPhone acusando-a de explorar seu poder econômico para “ganhar bilhões de dólares às custas de pequenos desenvolvedores de aplicativos e consumidores".

A empresa KPAW LLC, da qual Kosta é coproprietário com sua sócia Ashley Eleftheriou, entrou com a queixa ontem (17). No processo, a empresa detalha o desenvolvimento e o cronograma de lançamento do aplicativo FlickType para Apple Watch.

O autor explica que o seu app tem sido alvo de plágio de um software similar que não funciona, criado apenas para tirar dinheiro dos usuários, mas que tem roubado suas vendas e classificações na loja virtual da Maçã. O concorrente estaria valendo-se de propaganda enganosa (inclusive, copiada do aplicativo de Kosta) e fazendo compras de avaliações falsas para melhorar a reputação do aplicativo golpista e difamar o FlickType. Eleftheriou disse que mesmo tendo comunicado à Apple, nada foi feito para combater o golpe.

Teclado da empresa facilitava a digitação na telinha, mas foi copiado por concorrentes (Imagem: Reprodução/FlickType)

No centro da confusão também estariam conversas que o desenvolvedor teve com um executivo da emrpesa, Randy Marsden, que liderava na época a equipe de desenvolvimento de teclado para o relógio inteligente. Marsden é conhecido por ser fundador da startup de tecnologia de teclados do tipo Swype e do aplicativo Dryft, que foi adquirido pela Apple em 2015. Isso o fez se tornar chefe da equipe que desenvolveu teclados para iOS até 2018.

Burocracia proposital e dificuldade para venda

Na reclamação, Eleftheriou menciona violações de seu contrato de desenvolvedor e fraudes. Ele disse que precisou enfrentar uma verdadeira peregrinação para conseguir disponibilizar seu programa na loja, pois a gigante estaria interessada em comprar o app dele, algo que foi rejeitado. Em razão disso, teriam sido impostas inúmeras dificuldades para forçá-lo a mudar de ideia. “Evidentemente, a Apple pensou que o Requerente simplesmente desistiria e venderia seu aplicativo com um desconto”, descreve a ação.

O empresário diz que foi abordado por Marsden, que expressou interesse em adquirir seu software para melhorar a digitação no relógio inteligente. Após a negativa, o desenvolvedor acusa a empresa de ter removido seu aplicativo da loja e de ter recusado a aprovação de versões futuras como retaliação.

O app está disponível na loja agora, mas passou um bom tempo fora (Imagem: Captura de tela/Canaltech)

Somente após meses de apelações, e quando outros fabricantes copiaram a sua tecnologia, foi que a Maçã teria retornado com seus apps. Essas cópias dos concorrentes teriam sido aprovadas sem dificuldades, mesmo o desenvolvedor tendo denunciado o plágio.

Acusações contra a Apple têm crescido

As reclamações do desenvolvedor se juntam a uma crescente onda que tem varrido a App Store nos últimos meses. Empresas de tecnologia, agências reguladoras e autoridades de todo o mundo têm acusado a empresa de estabelecer monopólio na distribuição de software e estipulando taxas abusivas, o que prejudica o mercado e mantém os consumidores pagando preços mais altos.

A Epic Games, criadora do Fortnite, já entrou com ações contra a Apple e o Google em razão das elevadas taxas embutidas nas transações feitas na versão mobile do jogo. O Spotify também já deu declarações insatisfeitas sobre a política praticada pela Maçã e faz lobby junto aos parlamentares dos Estados Unidos para desenvolver leis que desfaçam o monopólio da App Store e da Play Store.

Epic teve o Fortnite banido da loja oficial da Apple porque criou um sistema externo de compra de skins (Imagem: Reprodução/Epic Games)

Até o Facebook acabou entrando na "treta", mesmo sem ser tão afetado pela política da Apple. Segundo a rede social, eles vão prestar auxílio à Epic por conta de um comportamento anticompetitivo da Maçã, oferecendo materiais e documentos para embasar ações judiciais.

Por outro lado, também há quem apoie as medidas da Apple. O diretor de produtos para o consumidor do Twitter, Kayvon Beykpour, saiu em defesa da criadora do iPhone porque entende haver custos para manter toda a imensa plataforma de vendas. Apesar disso, admitiu que a taxa de 30% é muito elevada, especialmente para os pequenos e médios desenvolvedores.

Apple e Google faturam milhões de dólares por dia com as taxas cobradas e não vão abrir mão disso tão facilmente. Por outro lado, os desenvolvedores não conseguem manter uma política de preços justa sendo taxados de forma tão elevada. Parece que a batalha está longe de terminar...

Fonte: Kpaw Llc  

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