Executivo do Twitter defende cobrança de taxas na App Store

Por Felipe Demartini | 10 de Março de 2021 às 12h49

O diretor de produtos para o consumidor do Twitter, Kayvon Beykpour, surgiu em defesa da cobrança de taxas pela Apple através da App Store. Na visão dele, existem pontos positivos nos pagamentos, que não são apenas um “ingresso” para que soluções estejam na loja de aplicativos, enquanto ponderou que, para pequenos criadores e desenvolvedores, uma redução de 30% nos ganhos pode ser um bocado significativa.

Na visão dele, falando sobre a iminente chegada dos Super Follows ao The Verge, os conteúdos pagos exclusivos para assinantes no Twitter, a presença de um ecossistema estabelecido, de sistemas de pagamento sólidos e, principalmente, plataformas de proteção antifraude fazem com que o próprio desenvolvedor não precise de preocupar com isso. Beykpour aponta que todas essas tecnologias são testadas e evoluídas o tempo todo, o que gera um custo para os responsáveis por ela, enquanto garante simplicidade para quem está na outra ponta.

Por outro lado, o executivo aponta que uma cobrança de 30% pode ser um bocado alta, principalmente aos ganhos de pequenos criadores que, a cada novo recebimento, terão de dar quase um terço do que seria recebido para a Apple. Além disso, no caso específico dos Super Follows, o Twitter também pode pedir sua parte, afinal, também está disponibilizando o sistema, fazendo com que o montante restante seja baixo.

Cria-se um ciclo complicado, no qual os criadores não têm poder o bastante para exigir mudanças nem enxergam o real valor destes ecossistemas, mas ao mesmo tempo, são a massa que gera os ganhos desejados pela plataforma, que também tem de pagar uma parte à loja de aplicativos. Beykpour não dá uma solução nem uma indicação de caminho a seguir durante a entrevista, mas faz questão de apontar que, ao contrário do que vem sendo dito usualmente, existem lados bons na cobrança que é feita pelas lojas de aplicativos.

O executivo cita, por exemplo, o controle contra a prática de fraudes, principalmente, quando são realizadas pelo próprio consumidor, por meio de pedidos de reembolso e outros tipos de medidas. O representante do Twitter também valoriza o esforço envolvido na montagem destes marketplaces, e o fato de que tudo funciona de maneira simples, para que os próprios desenvolvedores não precisem se preocupar com isso.

Estopim

A cobrança de taxas de 30% sobre compras feitas por meio da App Store é o ponto central de uma das brigas mais prolíficas da tecnologia atualmente, colocando Apple e a desenvolvedora de Fortnite, a Epic Games em pé de guerra. Outros processos e até inquéritos sobre práticas anticompetitivas também contam com o apoio de grandes empresas, como o Spotify, por exemplo.

A ideia dos críticos é de que, ao cobrar quase um terço das assinaturas, compras e demais sistemas de monetização que usem os sistemas da App Store, a Apple privilegia as próprias soluções e mina os ganhos dos concorrentes. A empresa tem, por exemplo, seus próprios sistemas de entretenimento e música por streaming, além de uma plataforma própria de jogos disponível para macOS e iOS.

A fala de Beykpour surge como uma das únicas a aparecerem em prol da prática e, principalmente, do tamanho da tarifa, que é considerada alta pelo volume de transações registrado pela Apple. Daí, também, a ideia de que a cobrança vai além de apenas permitir a continuidade do ecossistema, mas também seria encarada como uma forma de gerar lucros a partir de uma redução nos ganhos de parceiros.

Fonte: The Verge

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