Android One vai acabar? Ausência de novidades é mau sinal para o programa

Por Rubens Eishima | 04 de Agosto de 2020 às 15h18
Google

Nesta terça-feira (4) diversos sites de tecnologia publicaram notícias decretando a morte do programa Android One na Xiaomi. Entre as baixas anunciadas estava a do Mi A4, celular ainda não oficializado pela fabricante chinesa. Apesar de notícias “confirmando que a empresa não lançaria nenhum outro celular com Android One”, tudo leva a crer que foi mais um caso de erro de tradução, mas, mesmo assim, a (falsa) notícia destaca um problema na estratégia do Google.

A fonte citada pelos sites, o SmartDroid, atualizou a página mencionada como fonte por veículos de tecnologia explicando que tudo não passou de um erro de interpretação. Denny Fischer, responsável pelo artigo citado, afirmou que o texto tem base em observações de mercado, mas não reflete qualquer tipo de vazamento ou informação privilegiada da Xiaomi.

Fischer escreveu també mque é possível que a Xiaomi lance novos aparelhos com o Android One, ainda que não haja sinais concretos disso.

Fonte citada por sites atualizou o texto indicando que tudo não passou de um mal-entendido (imagem: SmartDroid)

Problemas em 2020

Fato é que o programa Android One foi fonte de algumas dores de cabeça para a Xiaomi neste ano. A atualização para Android 10 apresentou problemas tanto no modelo mais recente da linha, o A3, quanto no A2 Lite. No caso do primeiro, a correção do problema atrasou em um mês a distribuição da versão estável do sistema. A culpa sobrou até para o novo coronavírus, sendo que a padronização do Android One prometia reduzir o tempo de atualizações e diminuir a margem para os bugs.

Fato é que o lançamento do Mi A3 já completou um ano e não há indícios de que a empresa trabalhe em um suposto Mi A4.

Android "puro" do Xiaomi Mi A3 não impediu o atraso para a chegada do Android 10 (imagem: Xiaomi)

O último que sair...

Após as dores de cabeça enfrentadas pela Xiaomi com o Android One, um eventual abandono do programa pelos chineses não seria surpresa, e a fabricante não seria a primeira a “abandonar o barco”.

Porta-bandeira do programa no Brasil, a Motorola, ao que tudo indica, desistiu da versão pura do sistema nos aparelhos da linha Moto One, lançada justamente para oferecer o Android limpo. O último modelo da família que inclui a participação no programa é o One Action, que também completa um ano de lançamento.

De lá para cá, foram lançados os seguintes aparelhos Moto One, todos sem o compromisso de atualizações do Android One:

Último modelo Android One lançado no Brasil completa um ano este mês (imagem: Google/reprodução)

A página do programa do Google para o Brasil é outro indício negativo para o Android One, o site lista apenas cinco opções de celulares, sendo que dois deles — ambos da Nokia — sequer foram lançados no Brasil, ainda que o modelo Nokia 5.3 já tenha sido homologado pela Anatel.

No último ano, a marca finlandesa foi a única a lançar globalmente aparelhos Android One, com cinco modelos (incluindo o 5.3). Outros três celulares com o sistema foram anunciados, mas apenas para mercados específicos: o Mara Z em Ruanda, o Sharp S7 no Japão e o Moto G Pro na Europa.

Ao que tudo indica, o programa que nasceu para dar garantia de atualizações ao Android, especialmente em países emergentes como a Índia e Indonésia, não vive seus melhores dias, particularmente no Brasil, onde não chegou a emplacar e hoje só oferece o Nokia 2.3 como opção lançada nos últimos 11 meses.

Procurado pelo Canaltech para falar sobre o estado do programa Android One, o Google respondeu que não irá comentar o caso.

Ecosistema Android mudou muito desde o lançamento do Android One (imagem: Google)

Por outro lado...

Apesar do tom pessimista para o Android One, é possível argumentar que o programa já não é mais tão relevante, e talvez tenha alcançado o objetivo de sacudir os fabricantes para oferecerem atualizações mais frequentes.

A própria estrutura do Android mudou nos últimos cinco anos, passando a depender menos das novas versões. Componentes como o Google Play Services e a adoção de novos recursos através de atualizações na Play Store reduziram o impacto da temida fragmentação de sistema.

Outras mudanças importantes incluem ajustes feitos pelo Google para facilitar o desenvolvimento de atualizações e a separação das correções de segurança das versões do sistema, o que diminuiu a vulnerabilidade dos celulares mesmo com o Android defasado.

Até mesmo a Motorola, apesar de ter deixado o programa de lado, passou a se comprometer com pelo menos dois anos de atualizações em grande parte de seus smartphones. Não apenas a marca da chinesa Lenovo, todos os principais fabricantes apresentaram avanços na distribuição das correções do sistema.

Fonte: SmartDroidGSMArena

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