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Estresse financeiro impacta mais a saúde do que o luto

Por| Editado por Luciana Zaramela | 05 de Fevereiro de 2024 às 12h51

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Reprodução/Freepik
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Pesquisadores da University College London (UCL) descobriram que o estresse relacionado ao dinheiro pode impactar negativamente a saúde a longo prazo, tendo mais impacto, inclusive, que outras preocupações da vida. Indicadores de saúde relacionados aos sistemas nervoso, imune e hormonal foram especialmente impactados pelo estresse financeiro.

Para descobrir isso, foram estudados quase 5.000 adultos acima dos 50 anos no Reino Unido, uma amostra que representa a população de todo o país. Seis estressores diferentes entraram na análise — doença, divórcio, luto, deficiência, estresses financeiros e trabalho como cuidador. De todos estes, o financeiro foi o que mais impactou os pacientes.

Estresse financeiro e a saúde

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Os seis perfis de risco foram avaliados a partir de quatro marcadores biológicos no sangue:

  • Cortisol, hormônio liberado em resposta ao estresse;
  • Proteína c-reativa (CRP), elemento do sistema imune que responde à inflamação;
  • Fibrinogênio, com função parecida à CRP;
  • Fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 (IGF-1), ligado ao envelhecimento e à longevidade.

Os pacientes do estudo que reportaram estar com estresse no geral tinham 61% a mais de chance de estar na categoria de alto risco do que nas categorias de risco moderado ou baixo após quatro anos de acompanhamento. Quem relatou estresse apenas em relação às finanças, no entanto, ficou com quase 60% de chances de entrar no perfil de alto risco quatro anos depois.

Quando qualquer outro estresse era adicionado, como divórcio, as chances aumentavam 19%. Tais associações independeram de genética, condição socioeconômica, idade, gênero ou estilo de vida. Os pesquisadores acreditam que o estresse financeiro é muito pior à saúde do que os outros porque permeia diversos aspectos da vida, podendo levar a conflitos familiares, exclusão social e até mesmo fome ou falta de moradia, mas planejam estudar o aspecto mais a fundo.

Os resultados também não significam, necessariamente, que esse tipo de estresse cause problemas de saúde a longo prazo diretamente, mas sugerem que seu impacto no corpo à medida que envelhecemos leva a mais efeitos físicos do que os outros estresses.

O estresse, no geral, causa diversos efeitos no corpo, aumentando o ritmo da respiração e do coração e pressão sanguínea, e também fazendo o sistema imune produzir mais moléculas inflamatórias.

Um estado estressado prolongado pode levar a ativação imune crônica, que piora doenças físicas e mentais. Depois do estresse financeiro, os que mais afetaram o corpo, segundo estudo, foram o luto e as doenças prolongadas, que podem levar ao estresse crônico.

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Todos os participantes eram brancos, o que pode limitar as associações, já que grupos étnicos tendem a experimentar níveis maiores de estresse. Segundo os cientistas, intervir nas respostas neuroendócrinas e de resposta ao estresse, que levam à ativação imune crônica, pode ajudar a alterar o curso de doenças e melhorar as chances de pacientes continuarem saudáveis.

Fonte: Brain, Behavior and Immunity