Meu quadrinho favorito | Galera do Canaltech escolhe suas obras prediletas

Por Claudio Yuge | 24 de Julho de 2020 às 19h00
Dave Mckean

Todo mundo sabe que escolher uma só obra para definir a complexidade das preferências de cada um é muito difícil. Mas aí é que esta a graça do desafio de selecionar um livro, um filme, uma música e, neste caso, uma história em quadrinhos favorita. Assim compartilhamos não somente as qualidades que nos atraem a esses personagens e autores, mas também memórias afetivas. No final das contas, tudo se torna um diálogo sobre como somos parecidos e o resultado também são boas sugestões de leitura.

Abaixo, coletamos algumas das opiniões do pessoal que trabalha por aqui. Como dá para notar, há escolhas iguais e aí é que você entra: escreva nos comentários quais são os seus quadrinhos favoritos e as razões pelas quais gosta tanto, assim como as lembranças que eles trazem!

Camila Rinaldi (Editora-chefe) — X-Men (Vários autores/Marvel Comics)

Reprodução/Marvel Comics

Cresci com quadrinhos da Turma da Mônica e The DuckTales: Os Caçadores de Aventuras. Porém, me senti gente grande quando comprei minha primeira HQ dos X-Men, uma história entre Wolverine e Jean Grey, já na versão da Fênix. Sempre gostei muito da temática mutante, talvez porque, lá no fundo, me sinta uma… E porque superar o preconceito é sempre um assunto importante.

Claudio Yuge (Editor de Hardnews) — Sandman (Neil Gaiman e vários ilustradores/DC Comics — Vertigo)

(Reprodução/DC Comics)

Sandman é um mix de cultura pop, literatura, mitologia de diversas eras e países, história mundial, sonhos e muitos personagens incríveis e complexos. Minha vida mudou completamente desde que conheci, ainda muito cedo. E não canso de reler, é uma obra atemporal que merece ser revisitada com frequência.

Daniele Cavalcante (Redatora) — Ao Coração da Tempestade (Will Eisner/Kitchen Sink Press)

Reprodução/Quadrinhos na Cia.

Pra mim, é difícil escolher uma HQ favorita, mas acho justo escolher esta. Foram as obras do Eisner que me levaram a me interessar por algo além de heróis e mangás. Com esta HQ autobiográfica descobri um tipo de narrativa totalmente distinta, autêntica, quase mágica.

As memórias do protagonista trazem uma coleção rica de crises sociais do início do século XX, dramas familiares, interesses românticos e o clima da Segunda Guerra. A carga dramática das ilustrações, os recursos narrativos e o modo como coisas da vida real são estampadas nas páginas me impressionam até hoje.

Douglas Ciriaco (Editor de Mobile & Apps) — Watchmen

Reprodução/DC Comics

Antes de escolher uma única história em quadrinhos para definir como a minha favorita, eu pensei um tanto. Aqui também poderia estar V de Vingança ou A Saga do Monstro do Pântano, ambas histórias muitíssimo bem contadas pelo bruxão Alan Moore, mas acredito que Watchmen tem um impacto maior por criar um universo absurdamente cheio de detalhes e mergulhado em diversas das paranoias da Guerra Fria e do american way. É uma obra-prima política do começo ao fim.

Felipe Autran (Redator) — Persépolis (Marjane Satrapi/Pantheon Books)

Reprodução/Pantheon Books

Eu poderia citar "Um sonho de mil gatos", mas acho que já deu para entender o quanto a gente gosta de Sandman por aqui. Por isso, vou ficar com Persépolis, a autobiografia de Marjane Satrapi que reconta boa parte de sua infância e juventude durante os anos que sucederam a Revolução Iraniana.

Tem várias coisas que eu adoro nesse quadrinho, como o conflito dela ao lidar com a própria identidade persa fora do país, mas uma das mais legais com certeza é a forma como a quadrinista consegue incluir tantos momentos mundanos do cotidiano em meio ao caos que era o Irã nos anos 1980.

Felipe Junqueira (Repórter de Mobile) — Maus (Art Spiegelman/Pantheon Books)

Reprodução/Pantheon Books

Uma aula de história que fala sobre um dos acontecimentos mais sombrios da humanidade de maneira leve e até com um pouco de humor, mas sem desrespeitar ninguém. Art Spiegelman nos mostra como o seu pai, Vladek Spiegelman, sobreviveu a um campo de concentração nazista, incluindo todos os horrores impostos pelos alemães às minorias que maltrataram — com foco, obviamente, nos judeus.

O artista escolheu retratar o que seriam seres humanos como animais: os judeus são ratos, os nazistas são gatos. Para quem gosta de história, pode aprender um pouco sobre esse capítulo horroroso da existência humana que não podemos esquecer para não deixar que se repita.

Laísa Trojaike (Crítica e Redatora) — Sandman (Neil Gaiman e vários ilustradores/DC Comics — Vertigo)

Reprodução/Dave McKean

Queria escrever “idem” às mesmas coisas o Yuge escreveu sobre Sandman, que mudou minha vida e me fez ver quadrinhos como obra de arte. O modo como a narrativa é disposta na página, o conteúdo repleto de referências, os personagens e o tom dark conquistaram a jovem Laísa e, anos depois, não consegui encontrar nada que superasse meu amor por esses quadrinhos.

Matheus Bigogno (Redator SEO) — Watchmen (Alan Moore e Dave Gibbons/DC Comics — Vertigo)

Reprodução/DC Comics

Watchmen é, pra mim, uma das obras mais importantes da década de 80. Lançada em 12 partes, esta HQ não só redefiniu a forma como vimos os “heróis” com superpoderes, nós vimos o lado mais humano positivo e negativo de cada um dos personagens. Além disso, esta obra também muda a forma como enxergamos a nossa sociedade e a política. Baseado em um misticismo que só o mago Alan Moore conseguiu criar, a HQ tem temas políticos tão atuais que é fácil dizer que é atemporal.

P.S.: Ia escrever Sandman, mas já tem dois, achei justo inserir outro ícone.

Ramon de Souza (Redator) — Transmetropolitan (Warren Ellis e Darick Robertson/DC Comics — Vertigo)

Reprodução/DC Comics

Devo confessar algo importante: estou muito longe de ser um fanático por HQs. Mas Transmetropolitan me pegou em cheio por dois motivos. Primeiramente, é um enredo cyberpunk no formato que mais curto. Em segundo lugar, o protagonista, Spider Jerusalém, é inspirado em Hunter S. Thompson, meu maior ídolo do jornalismo. Não tinha como não me conquistar.

Me identifico tanto com a imagem do “repórter antissocial que odeia a cidade grande e preferia ficar recluso nas montanhas” que cheguei a usar Spider como pseudônimo para assinar alguns conteúdos profissionais em certos momentos da minha carreira.

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