Review Redmi Note 11S | Pouca mudança e menos desempenho

Por Felipe Junqueira | Editado por Léo Müller | 25 de Março de 2022 às 15h55
Ivo Meneghel Jr/ Canaltech

A Xiaomi atualizou a linha Redmi Note com mais uma grande quantidade de celulares. O Redmi Note 11S é um deles, e veio para substituir o Redmi Note 10S.

No entanto, há poucas mudanças nas especificações em relação ao antecessor. A plataforma é praticamente a mesma, enquanto a tela só ganhou o suporte à taxa de atualização de 90 Hz. A câmera principal dobrou a resolução, mas as restantes seguem iguais.

Eu testei o celular da Xiaomi e trago uma análise do Redmi Note 11s a seguir. Entenda o que mudou e se vale a pena pensar em uma troca. Ou mesmo se é mais jogo investir no antecessor, ao menos enquanto o estoque do modelo novo está limitado.

Compre o Redmi Note 11S

Prós

  • Tela AMOLED de 90 Hz
  • Boa câmera principal
  • Bateria dura bastante

Contras

  • Não tem 5G
  • Modo noturno não surpreende
  • Desempenho com pouca evolução
  • Câmera macro de baixa resolução
  • Gravação de vídeos só em Full HD

Design e Construção

  • Dimensões: 159,9 x 73,9 x 8,1 mm
  • Peso: 179 gramas

Segurar o Redmi Note 11S é mais ou menos a sensação de pegar um iPhone 13 de baixo custo. Tirando o material de acabamento e o tamanho, você tem as laterais retas que a Apple voltou a colocar em seus celulares na série iPhone 12, e a Xiaomi trouxe o mesmo para os Redmi Note 11.

E a semelhança para por aí. A traseira e as laterais em plástico já entregam facilmente que você tem em mãos um Android intermediário, e não um iPhone top de linha. O peso de menos de 180 gramas também ajuda a evitar a confusão.

Redmi Note 11S tem cinco câmeras e um flash no módulo traseiro (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)

Ao menos o smartphone não é tão grande, se você considerar que a tela tem 6,43 polegadas. Ou seja, o aproveitamento frontal é consideravelmente bom, com aproximadamente 84,5% ocupado pelo display.

O aparelho tem recorte em formato de gota para a câmera frontal e traz módulo fotográfico traseiro com um sensor maior acima de duas colunas, sendo uma com duas lentes e outra com uma quarta câmera e um flash LED.

Os botões ficam todos na lateral direita, sendo os de volume acima e o de energia mais centralizado, com o leitor de impressão digital embutido. Na parte inferior, o Redmi Note 11S tem apenas o conector USB-C e uma saída de som. A gaveta com slots para dois nano SIM e um cartão micro SD fica na lateral esquerda.

A Xiaomi oferece certificação IP53 neste dispositivo, com proteção contra poeira e respingos d’água.

Tela

  • Tamanho: 6,43 polegadas, 99,8 cm² de área, ~84,5% de ocupação;
  • Tecnologia do painel: AMOLED;
  • Resolução e proporção: Full HD (1080 x 2400 pixels), 20:9;
  • Densidade aproximada: 409 pixels por polegada;
  • Extras: 90 Hz.

Com tecnologia AMOLED, o Redmi Note 11S consegue alcançar um bom nível de brilho, até mesmo para uso sob a luz do sol. O display deste modelo é mais intenso que o seu antecessor, com um aumento de 55% no brilho típico.

Tela AMOLED do Redmi Note 11S garante brilho intenso para ambientes externos (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)

O aparelho ainda tem opção da taxa de atualização de 90 Hz. No entanto, ele vem com 60 Hz por padrão, e nem todo mundo nota a diferença até fazer a troca — algumas pessoas não notam mesmo depois disso. É apenas um pequeno aumento na fluidez de animações, que vale para apps compatíveis — de sistema, redes sociais e poucos jogos.

Além disso, o painel do Redmi Note 11S oferece preto profundo, com um contraste bastante marcante e excelente para reprodução de vídeo ou jogos. E tem boa densidade de pixels, graças à resolução Full HD.

"O Redmi Note 11S tem uma boa tela, com painel AMOLED de melhor qualidade que alguns concorrentes"

— Felipe Junqueira

Configuração e Desempenho

  • Sistema operacional: Android 11 sob MIUI 13;
  • Plataforma: MediaTek Helio G96 (12 nm);
  • Processador: Octa-core (2x 2,05 GHz Cortex-A76 + 6x 2,0 GHz Cortex-A55);
  • GPU: Mali-G57 MC2;
  • RAM e armazenamento: 6/64 GB, 6/128 GB, 8/128 GB.

Curiosamente, o Redmi Note 11S é um pouco mais fraco que o seu antecessor Redmi Note 10S para rodar jogos. Ambos conseguem realizar tarefas mais comuns de maneira semelhante, sem engasgos e com boa rapidez, mas se diferenciam em atividades mais pesadas.

É verdade que o modelo mais novo tem o Helio G96, mas o Helio G95 do antecessor tem GPU mais potente. Por outro lado, o Redmi Note 11S tem melhor eficiência energética e está mais otimizado para os processos de computação.

Resultados no 3D Mark (Imagem: Felipe Junqueira/Canaltech)

Se você pensou neste aparelho para jogar, já fica o aviso: ele roda bem a maioria dos jogos disponíveis na Google Play Store. Mas a recomendação é que você baixe um pouco a qualidade gráfica. Títulos mais exigentes como Genshin Impact e Fortnite podem sofrer engasgos mesmo com gráficos reduzidos.

O celular da Xiaomi marcou 1081 pontos com 6,5 fps no teste Wild Life Unlimited, do 3D Mark. Esta pontuação fica pouco abaixo da média de outros modelos intermediários lançados entre 2021 e 2022, e está bom para um aparelho com proposta mais barata como este.

Usabilidade

Apesar de já ter a versão mais recente da interface da Xiaomi, a MIUI 13, o Redmi Note 11S ainda traz o Android 11 instalado, e não o 12, mais atualizado. Isso não chega a afetar muito a usabilidade, já que traz alguns dos recursos mais atuais da própria fabricante.

A interface traz um Centro de Controle, que funciona de maneira semelhante com o recurso de nome parecido do iOS. Trata-se de um menu que permite controlar funções com Wi-Fi, Bluetooth e Rede Móvel e é acessado ao puxar para baixo a partir da porção direita da barra de status.

Apesar da MIUI 13, Redmi Note 11S ainda tem o Android 11 instalado (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)

Para quem gosta de personalizar o celular, a MIUI oferece uma loja de temas cheia de opções. São papéis de parede, pacotes de fontes ou ícones e até bloqueios de tela. Falando nisso, o desbloqueio pode ser feito com a impressão digital, e o sensor, que fica na lateral, é bastante rápido e preciso.

O Redmi Note 11S ainda tem o sensor infravermelho, que permite usar o celular no lugar do controle remoto da TV, ar-condicionado e diversos aparelhos eletrônicos compatíveis.

Câmeras

  • Principal: 108 MP, abertura f/1.9, auto foco;
  • Ultrawide: 8 MP, abertura f/2.2, 118°;
  • Macro: 2 MP, abertura f/2.4;
  • Profundidade: 2 MP, abertura f/2.4;
  • Selfies: 16 MP, abertura f/2.4;
  • Vídeos: 1080p a 30 fps.

O Redmi Note 11S segue o padrão Xiaomi em fotografia: a qualidade das imagens é boa, mas há alguns problemas que podem tornar a imagem pouco atrativa para a maioria dos brasileiros. O maior ponto fraco é a insistência em aumentar demais a exposição, que pode levar à perda de detalhes em áreas mais claras.

Isso pode ser resolvido com um toque na tela para informar ao aparelho onde está o objeto a ser focado. Depois, você pode arrastar o dedo para baixo e reduzir levemente a exposição. Eu fiz isso em boa parte das fotos que tirei com o celular, e os resultados ficaram bons.

Como sempre, eu não recomendo o uso da inteligência artificial. Além disso, é melhor manter o HDR no automático. Assim, você consegue fotos mais equilibradas, com um balanço de branco que tende para cores frias e saturação leve. Coisas que dá para corrigir posteriormente em um app de edição.

Intermediário da Xiaomi é capaz de fazer boas fotografias (Imagem: Felipe Junqueira/Canaltech)

O sensor ultrawide tira fotos um pouco mais escuras, por conta da abertura menor de sua lente. E a qualidade no geral é um pouco inferior, por conta da resolução.

É muito difícil conseguir boas fotos com a câmera macro, que além de ter baixa resolução, tem uma distância focal complicada para a própria proposta. Eu só consegui alguns bons cliques ao tocar na tela e baixar um pouco a iluminação, o que evitou fotos estouradas. O fato de não ter HDR para este sensor só piora as coisas.

Com pouca luz, só dá para usar a câmera principal — nem mesmo as selfies usam esse recurso. Mas não vi muita mudança, ele só ajuda quando o ambiente está realmente mal iluminado, e aí dá para clarear um pouco a foto sem perder nitidez.

Selfies

A câmera frontal registra um bom nível de detalhes, com exposição mais equilibrada do que as traseiras. Afinal, o objetivo aqui é mostrar seu rosto, e isso o Redmi Note 11S consegue fazer com boa qualidade, sem clarear demais o tom da pele.

O modo retrato consegue fazer um bom recorte, mas erra com frequência, incluindo a orelha ou detalhes como óculos e afins. Cabelo também pode não ser considerado parte do seu corpo e ficar desfocado em diversas áreas mais afastadas da cabeça.

Modo retrato em selfies tem bom recorte, mas ainda falha em áreas difíceis (Imagem: Felipe Junqueira/Canaltech)

Com pouca luz, dá para tirar boas fotos, mas você precisa saber usar a seu favor qualquer iluminação disponível. Ou seja: evite contraluz, tente sempre deixar o seu rosto o mais iluminado possível.

Gravação de vídeo

Celulares intermediários, especialmente da Xiaomi, não são os melhores para gravar vídeos. Mas aí vai da necessidade de cada um, e o Redmi Note 11S é bem satisfatório para gravações ocasionais, com qualidade boa e excelente estabilização óptica.

O maior problema aqui é a resolução, limitada ao Full HD com 30 quadros por segundo tanto na câmera principal quanto na frontal. Mas está bom para as redes sociais.

Sistema de Som

O Redmi Note 11S tem um sistema de áudio estéreo com três saídas de som, para não ter a menor chance de você cobrir todas elas. Isso não significa, no entanto, que a qualidade do som seja boa.

Mesmo com tantos alto-falantes, o celular da Xiaomi entrega áudio abafado. Seria melhor ter apenas um dispositivo de áudio melhor, que reproduzisse bem os sons médios e não prejudicasse agudos e graves. Mas não é o que acontece.

Agudos, médios e graves se atropelam na reprodução, e o som fica bastante distorcido, mesmo em volumes baixos. Aliás, a potência também é bem fraca, e você precisa aumentar bastante o volume para escutar algo.

Ou seja, apesar de não ser fácil abafar totalmente o áudio do Redmi Note 11S, a qualidade é insatisfatória. Ao menos o aparelho tem um conector P2, e você pode usar um fone de ouvido da sua preferência para vídeos e jogos.

Bateria e Carregamento

  • Capacidade de carga: 5.000 mAh;
  • Recarga: até 33 W.

O celular da Xiaomi tem a mesma capacidade de bateria que grande parte dos modelos intermediários atuais. É uma boa quantidade de carga, e o aparelho se vale de boa otimização para entregar tempo de uso mais que satisfatório.

Em reprodução de vídeo até esgotar o tanque de energia, a estimativa ficou em 20 horas. O teste foi feito na Netflix, com brilho da tela em 50%, e o aparelho tocou séries ininterruptamente por 3 horas. Ele teve um consumo de 15% no período.

Também realizei dois testes de uso real, um com a tela em 60 Hz, que é o padrão ao configurar o celular, e outro com 90 Hz. A diferença na média do consumo por hora não foi muito grande, e ele deve entregar ao menos um dia de uso independente da sua escolha em relação à fluidez de movimentos.

Após 8 horas de uso, aparelho ficou com 76% de carga restante (Imagem: Felipe Junqueira/Canaltech)

Com a tela em 60 Hz, o consumo em jogos, redes sociais, vídeos e outros apps comuns do dia a dia ficou em cerca de 3 pontos percentuais a cada hora. Já com a tela em 90 Hz, aumentou para 3,3 p.p a cada hora.

Ambos os testes consideram pouco mais de metade do tempo em stand by. Afinal, a gente fica muito mais tempo com a tela do celular desligada do que com ela acesa durante o dia. Ao menos é o uso mais comum.

A recarga pode ser feita com carregadores de até 33 W, como o que vem na caixa do Redmi Note 11S. O adaptador faz o preenchimento de 0% até 100% em pouco mais de 1h, apesar do anúncio de levar apenas 58 minutos.

Concorrentes Diretos

Os concorrentes diretos do Redmi Note 11S são intermediários que ficam entre os mais baratos e os mais potentes. Sendo assim, a lista traz modelos como o seu antecessor, o Redmi Note 10S, e concorrentes como Moto G60s e Galaxy A32.

Se você preferir o antecessor, vai ganhar um pouco mais de desempenho, curiosamente. Mas perde na qualidade das câmeras e da tela, apesar de ser pouca coisa. Por outro lado, tem a chance de pagar menos no celular, já que o Redmi Note 10S varia entre R$ 1.320 até R$ 1.550.

O Moto G60s é bastante parecido com o Redmi Note 10S em hardware e câmeras. Porém, sua tela é IPS LCD e o aparelho tem sistema de som mono. O preço do celular da Motorola varia entre R$ 1.400 e R$ 1.700.

Por fim, a opção da Samsung mais próxima é o Galaxy A32, que tem processador um pouco mais fraco, mas ganha no conjunto de câmeras. Você encontra o modelo da sul-coreana entre R$ 1.200 e R$ 1.400.

Redmi Note 11S: vale a pena?

Com pouca evolução em relação ao antecessor, o Redmi Note 11S não tem muita razão de existir. Seria mais interessante se a Xiaomi entregasse uma plataforma mais atual, com processo de fabricação mais avançado do que os 12 nanômetros do Helio G96.

Mas isso não significa que seja um celular ruim. Ele é um Redmi Note 10S com processador um pouco mais fraco, especialmente para jogos, mas traz câmeras mais poderosas. Para quem busca um intermediário para tirar fotografias, pode ser uma opção bacana.

De resto, nada muito diferente do que a gente vê em uma porção de smartphones intermediários disponíveis no mercado. O Redmi Note 11S roda bem os processos mais comuns do dia a dia e aguenta uma jogatina mais pesada, com gráficos reduzidos. A bateria não deixa a desejar, e a tela é boa para a categoria.

O problema é aguardar até ele atingir um preço razoável. Por enquanto, você vai encontrá-lo apenas por valores acima dos R$ 2.000. É muito para um aparelho como este, que vai ficar interessante quando chegar a algo entre R$ 1.500 e R$ 1.800.

A alternativa é importar, e aí você consegue pagar cerca de R$ 1.000. Porém, tenha em mente que esse valor não inclui frete nem possíveis taxas de importação. E produtos comprados fora do Brasil não têm garantia de 12 meses da fabricante.