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Review ThinkPhone | Celular corporativo da Moto faz sentido?

Por| Editado por Léo Müller | 01 de Maio de 2023 às 12h00

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Review ThinkPhone | Celular corporativo da Moto faz sentido?
Review ThinkPhone | Celular corporativo da Moto faz sentido?

A Motorola apresentou o Lenovo ThinkPhone by Motorola oficialmente no mercado brasileiro em março de 2023, após o aparelho ser anunciado na CES de Las Vegas em janeiro. O celular chegou com a proposta de se integrar melhor ao computador para oferecer uma experiência mais completa para quem trabalha com celular e PC simultaneamente.

E, apesar de ter vários recursos voltados para um uso corporativo, o modelo também é bastante completo para uso pessoal, com hardware potente e conjunto de câmeras bem atrativo. Dessa forma, ele também pode ser uma boa opção para quem quer um smartphone topo de linha.

Mas será que realmente vale a pena pagar por esse aparelho? Eu usei o ThinkPhone by Motorola nas últimas semanas, aproveitei bastante seus recursos e agora trago a minha opinião sobre ele, assim como seus pontos positivos e negativos.

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Design da linha corporativa com bastante resistência

  • Dimensões: 158,8 x 74,4 x 8,3 mm;
  • Peso: 188 gramas.
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O visual do ThinkPhone já mostra que ele é um celular bem diferente ao que estamos acostumados a ver nos aparelhos da Motorola. Ele conta com certificação militar MIL STD-810H, que garante proteção contra impactos, e ainda tem resistência IP68 contra água e poeira e tela com vidro Gorilla Victus.

A traseira tem acabamento em fibra de aramida, que é mais conhecido como kevlar, e isso dá uma estética mais robusta ao aparelho. A identidade visual, por sua vez, é a mesma dos produtos da linha ThinkPad de notebooks da Lenovo, com cores em tons de cinza ou preto, mas detalhes em vermelho que destoam do restante do aparelho.

As laterais do aparelho são em metal e isso já deixa claro que ele pertence a um segmento topo de linha. Apesar de todo esse acabamento mais robusto, ele é consideravelmente leve e confortável de se usar até mesmo com uma mão.

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Tela de boa qualidade, mas brilho um pouco abaixo do esperado

  • Painel P-OLED de 6,6 polegadas;
  • Resolução de 1.080 x 2.400 pixels;
  • Taxa de atualização de 144 Hz;
  • Proteção Gorilla Glass Victus.

O Motorola ThinkPhone conta com uma de boa qualidade de exibição, graças à tecnologia P-OLED. O tamanho também está dentro da média, e ele não é um celular pequeno, mas também não é considerado muito grande.

O display oferece bastante vivacidade para as cores e os tons mais escuros — principalmente o preto — são bem intensos. Isso é ótimo para quem gosta de aproveitar a interface e os aplicativos no modo escuro.

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A taxa de atualização é de 144 Hz e, apesar de eu considerar um exagero para celulares, é um recurso ótimo para quem quer aproveitar games de bastante ação, já que a taxa de quadros é bem alta.

Eu só achei o brilho um pouco abaixo do esperado. Não chega a ser fraco — na verdade, longe disso —, mas se compararmos com outros celulares flagships, como a linha Galaxy S22, ele fica um pouco atrás. Mas isso não chega a atrapalhar durante o uso, só acho válido traçar esse comparativo.

Desempenho digno de um verdadeiro topo de linha

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  • Chipset: Snapdragon 8 Plus Gen. 1;
  • Memória: 8 GB de RAM;
  • Armazenamento: 256 GB.

Apesar de o chipset ainda ser da geração passada — enquanto novos topos de linha já são lançados com o Snapdragon 8 Gen 2 — o Lenovo ThinkPhone com seu Snapdragon 8 Plus Gen. 1 não deixa nada a desejar.

Na verdade, ele tem um ótimo desempenho e aguenta realizar praticamente qualquer tarefa sem qualquer dificuldade. Aqui, usei o aparelho com diversos apps, testei jogos mais pesados e não notei nenhum problema.

Eu também aproveitei bastante o recurso de integração do celular com o computador — e você pode ler a análise que fiz sobre isso para entender se o ThinkPhone é um bom celular para usar para trabalhar no dia-a-dia. Em todos os cenários, não notei engasgos ou lentidão para abrir aplicativos ou funções.

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Quanto ao teste de desempenho padrão, ele atingiu bons resultados no app do AnTuTu, com pontuação geral de 1.064.093 pontos, desempenho de 233.314 pontos da CPU, 475.027 da GPU, 173.381 da memória e 182.371 da interface do usuário. No gráfico abaixo, é possível ver uma comparação com outros topos de linha atuais.

Android atualizado e três atualizações garantidas

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O ThinkPhone by Motorola chega ao mercado já com o Android 13 — que é padrão para celulares topo de linha da atualidade. Isso é bom e garante que você terá os recursos mais recentes disponibilizados no sistema operacional do Google.

De acordo com a Motorola, o celular ainda receberá mais três updates do sistema do Google, ou seja, ele pode chegar até um futuro "Android 16", segundo o cronograma da marca. Ele ainda fica atrás dos novos topos de linha da Samsung, que recebem quatro novas versões, mas já é um bom caminho andado pela Motorola, visto que muitos aparelhos não recebem tantas atualizações.

Conjunto de câmeras razoável

  • Traseira: principal de 50 MP + ultrawide/macro de 13 MP + profundidade de 2 MP;
  • Frontal: 32 MP.
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Câmera traseira

O conjunto de câmeras traseiro do Motorola ThinkPhone é liderado por um sensor de 50 MP, que consegue tirar boas fotos, mas nada muito bem elaborado. Ele dá conta do recado no dia-a-dia, mas passa longe da qualidade de rivais como os Galaxy S.

Tanto com o sensor principal quanto com o ultrawide, as imagens oferecem um bom nível de cores e bastante nitidez, o que é perceptível principalmente em ambientes externos, mas também de uma forma mais moderada em locais internos. Ele peca um pouco na faixa dinâmica, que acaba não dando muito destaque principalmente para áreas com sombras.

No modo noturno, isso é ainda mais perceptível. Ele consegue clarear bastante o ambiente e mostrar o cenário com facilidade, mas fica com um pouco de pixelização e perde um pouco de definição em alguns pontos.

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Já o modo retrato consegue fazer um bom recorte, principalmente graças ao sensor de proximidade dedicado. A imagem fica com bastante nitidez, e há poucas falhas na fotografia — exceção apenas para uma leve dificuldade para manter os detalhes em locais com sombra.

O modo macro foi o que me chamou mais atenção. Por oferecer uma câmera híbrida de ultrawide e macro com resolução de 13 MP, ele consegue entregar bem mais definição e tem um alcance maior — não é necessário aproximar tanto a lente do objeto clicado. O resultado é imagens mais nítidas mesmo a uma distância maior que cinco centímetros.

Na minha opinião, as marcas deveriam apostar mais nesse formato. Dessa forma, poderiam usar um terceiro sensor de forma diferente — talvez com uma câmera teleobjetiva, como vemos nos Galaxy S mais recentes.

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Câmera frontal

As selfies com o ThinkPhone já conseguem lidar melhor com áreas de sombra, com bastante detalhes nessas regiões, como embaixo das sobrancelhas. No entanto, a câmera frontal já não trabalha muito com bastante luz e não consegue compensar o branco excessivo. Nesses cenários, as fotos ficam bem mais claras.

De qualquer forma, não é algo tão ruim. Ainda há bastante definição, e você conseguirá tirar fotos com bastante detalhe. O modo retrato também é bem eficiente, e o recorte é quase perfeito — só notei algumas poucas falhas em volta do cabelo.

Gravação de vídeo

O ThinkPhone by Motorola filma com resolução máxima de 8K com taxa de quadros de 30 fps na câmera traseira e 4K a 30 fps na frontal. Em ambos os cenários, é possível reduzir a resolução para chegar a uma frequência de 60 fps.

A gravação é boa e o microfone bem eficiente. Só achei que a estabilidade da imagem deixa bastante a desejar, já que estamos falando de um celular topo de linha.

Sistema de som

O ThinkPhone conta com sistema de áudio estéreo com duas saídas de som e tecnologia Dolby ATMOS. Com isso, a qualidade sonora é muito boa, mas dentro dos padrões para celulares — nada muito exagerado.

O volume máximo é bem alto com uma boa distribuição do som, graças às duas saídas. Dá para ouvir músicas em um bom tom, mas no máximo os agudos ficam um pouco estridentes, mas nada que fuja do normal em um smartphone.

Felizmente, a Motorola inclui um fone de ouvido no kit, que é bem simples, mas permite que você ouça suas músicas sem depender do Bluetooth. No entanto, ele deve ser conectado na porta USB-C, então não dá para ouvir música nele e carregar o celular ao mesmo tempo.

Bateria e carregamento

  • Bateria de 5.000 mAh;
  • Carregamento: 68 W.

A performance da bateria do Motorola ThinkPhone também chamou bastante atenção. Eu fiquei com ele cerca de duas semanas e, por boa parte desse tempo, usei ele como meu celular principal.

Com um uso normal, ele aguentava tranquilamente um dia de duração e ainda sobrava cerca de 20 ou 30% no fim do dia. Quando eu usava mais, ficava com cerca de 15 a 20% quando colocava para carregar de noite.

No nosso teste padrão, que consiste no uso de vários aplicativos — como jogos, redes sociais, mensageiros e navegador — durante seis horas, alternando com um período de tela desligada, ele gastou 24%. Como comparação, essa marca é melhor que as do Galaxy S23 Plus e Redmi Note 12 Pro Plus 5G, que gastaram 28% e 25%, respectivamente. É uma ótima média, já que nenhum celular que testamos neste ano ficou abaixo de 22%.

Quanto ao carregamento, ele leva cerca de 40 minutos para ir de 15 a 100% com o carregador Turbo Power incluso no kit.

Concorrentes diretos

Os principais concorrentes do Lenovo ThinkPhone são o Xiaomi 12T Pro, que conta com o mesmo chipset, e o Galaxy S22, que possui o Snapdragon 8 Gen 1 “comum”, em vez da versão Plus presente nos demais.

Todos eles contam com configurações bem parecidas, com memória RAM de 8 GB e armazenamento interno de 256 GB. Apesar do chip ligeiramente mais “antigo”, o modelo da Samsung tem um desempenho tão bom quanto os demais, e qualquer um deles oferecerá bastante agilidade para executar suas tarefas.

A UI pode ser um fator decisivo — ao passo que a Motorola tem um sistema operacional mais limpo, o S22 e o Xiaomi 12T Pro têm uma interface personalizada mais robusta, sendo que este último é o que mais tem modificações. Particularmente, acho a One UI da linha Galaxy mais otimizada.

Outro fator relevante é a quantidade de atualizações. A Samsung é a fabricante que mais se destaca no quesito de updates, e a linha Galaxy S22 tem promessa de receber quatro novas versões do Android. Como foi lançada com o Android 12, ela pode chegar até um futuro “Android 16” — assim como o ThinkPhone.

Na bateria, o ThinkPhone pode oferecer uma autonomia melhor, já que o S22 não consegue oferecer uma duração tão boa quanto com seus 3.700 mAh. Dessa forma, a disputa fica entre o Lenovo e o Xiaomi 12T Pro.

Quanto ao preço, o ThinkPhone custa cerca de R$ 5.000, enquanto o Xiaomi 12T Pro com configurações parecidas custa em torno de R$ 4.500, mas só é vendido por importação. Já o Galaxy S22 é encontrado por cerca de R$ 3.500 já no mercado nacional.

Lenovo ThinkPhone: o celular “corporativo” da Motorola vale a pena?

O Lenovo ThinkPhone é um ótimo aparelho e, mesmo com um chip do ano passado, ainda consegue executar praticamente qualquer tarefa sem nenhuma dificuldade. O processador é bastante ágil, e ele não sofrerá com engasgos ou lentidão.

A tela é um painel P-OLED de boa qualidade e consegue mostrar tudo com bastante intensidade de cores e definição. Só achei o brilho um pouco inferior aos concorrentes, principalmente o Galaxy S22, mas não chega a ser ruim.

O conjunto de câmeras é razoável: não chega a ser ruim, mas fica bem atrás da concorrência. De qualquer forma, não te deixará na mão, se precisar.

Em resumo, ele é um celular excelente, mas o preço pode assustar um pouco, principalmente se considerarmos que um dos principais concorrentes, o Galaxy S22, está bem mais barato.

Mas, por se tratar de um lançamento, é possível que esse preço caia nos próximos meses. Considerando seus recursos e a integração com o computador, se você procura um celular com essa característica, ele pode ser uma boa ideia se o valor cair para algo em torno de R$ 4.000 e R$ 4.300.