O que avaliar antes de comprar notebook?

O que avaliar antes de comprar notebook?

Por Vinícius Moschen | Editado por Wallace Moté | 05 de Dezembro de 2021 às 09h00
Divulgação/ LG

Escolher o notebook certo não é tarefa fácil. Todas as marcas que oferecem esse tipo de produto possuem amplas linhas com dispositivos voltados para diversos tipos de uso, e nem sempre as especificações técnicas esclarecem o modelo correto para cada necessidade. Porém, com o conhecimento básico sobre alguns aspectos essenciais, é possível fazer avaliações que levarão à aquisição de um computador portátil que entregará uma experiência satisfatória.

É importante entender que não existe um produto que represente a melhor compra de forma definitiva. Dependendo do caso, o melhor custo-benefício poderá estar em um modelo mais básico, mas um mesmo dispositivo pode não ser tão interessante caso seja necessária a execução de programas mais pesados, como editores de vídeos ou fotos, softwares que renderizam animações 3D, entre outros.

Tela

Grande parte dos notebooks vêm com telas HD ou Full HD (Imagem: Divulgação/Dell)

A tela é um dos componentes essenciais que podem definir se um notebook vale ou não a pena. Os principais aspectos que precisam ser avaliados para escolher um produto com o display correto são principalmente quatro: tamanho, resolução, taxa de atualização e gama de cores disponíveis.

O mercado atual de notebooks inclui produtos com dimensões que ficam entre 13 e 17 polegadas, mas tamanhos que ficam fora desta faixa também podem ser vistos, com menor frequência. Neste aspecto, a escolha é simples: modelos menores são mais práticos, e podem ser colocados em mochilas ou bolsas de forma facilitada. Por outro lado, as telas maiores trarão mais possibilidades de uso, melhor produtividade e experiência mais satisfatória no consumo de conteúdos, como séries e filmes.

Porém, o aspecto mais importante para o público geral é a resolução. Alguns notebooks mais básicos trarão telas HD, o que poderá prejudicar a experiência em vários momentos — vale lembrar que celulares e outros dispositivos muito menores já trazem displays com maior resolução. Por isso, é recomendado comprar computadores portáteis que tenham no mínimo tela Full HD, desde que o orçamento permita.

Notebooks menores são mais práticos, enquanto os maiores oferecem mais área de trabalho (Imagem: Divulgação/Lenovo)

Objetivos mais específicos podem exigir algumas avaliações extras: telas com maior taxa de atualização (90 Hz ou mais) são voltadas para pessoas que costumam executar jogos, ou outros conteúdos com movimentações rápidas — esse tipo de display evita que borrões ou “fantasmas” apareçam em determinadas situações. Porém, esses recursos não costumam oferecer grandes vantagens nas tarefas de produtividade.

A fidelidade de cores é uma informação técnica essencial para artistas, editores e outras pessoas que prezam pela exatidão dos tons exibidos pela tela do notebook. De forma simplificada, padrões como o sRGB, Adobe RGB e DCI-P3 representam as capacidades relacionadas à profundidade e volume das cores apresentadas pelo display.

Outro recurso que pode ser bastante útil para produtividade é o suporte para touchscreen, já que tarefas como produção de ilustrações, anotações e navegação geral podem ser feitas com maior agilidade, por meio de toques na tela com o dedo ou caneta stylus correspondente.

Opções de notebooks com tela Full HD: Dell Inspiron 14 e 15, Samsung Book 15,6’ 2021’, Notebook Lenovo V15 2ª Geração.

Desempenho

Para jogar, são necessários componentes mais poderosos (Imagem: Ivo/Canaltech)

Para grande parte dos usuários, o desempenho é o aspecto mais importante a ser considerado na hora de comprar um notebook. É importante ter ao menos um conhecimento básico em relação ao que cada componente faz, para entender quais são as prioridades necessárias para que o uso aconteça sem travamentos ou lentidão.

Como pode ser considerado o “cérebro” do notebook, o processador é o primeiro ponto que demanda atenção na hora da compra. De forma geral, a maioria dos notebooks disponíveis no mercado possuem chips de três companhias: a Intel e a AMD estão presentes em produtos que rodam o sistema operacional Windows ou Linux, enquanto a Apple coloca os seus próprios componentes nos MacBooks.

A principal linha de processadores da Intel é a Core, cujos modelos i3, i5, i7 e i9 apresentam níveis crescentes de performance — também é importante considerar a geração dos chips, pois atualmente a companhia está começando um processo de atualização para a série Alder Lake, de 12ª geração, mas modelos com chips de 11ª geração ainda deverão apresentar alto desempenho por alguns anos. A linha intermediária da marca é a Pentium, e a Celeron é voltada para produtos mais acessíveis.

Já no caso das plataformas da AMD, os componentes mais poderosos atualmente fazem parte da linha Ryzen 9 5000, em que o primeiro número identifica a família da CPU (que varia entre 3 e 9 dependendo da linha), e o algarismo seguinte contém informações relacionadas à geração dos chipsets, assim como níveis de performance.

Para ambas as marcas, o número de modelo do processador também pode indicar informações relevantes sobre consumo de energia e a presença ou não de uma placa gráfica integrada, fatores que também precisam ser considerados na hora de comprar um notebook.

Os notebooks da Apple fabricados até 2019 vinham com plataformas da Intel, mas a marca decidiu começar a usar componentes próprios a partir do MacBook Pro de 2020. Tanto o chip M1, quanto os mais recentes M1 Pro e M1 Max possuem melhor performance e menor consumo de energia em comparação com os modelos mais antigos, mas por outro lado os modelos com CPUs da Maçã ainda são consideravelmente mais caros.

Utilizar um SSD pode melhorar o desempenho de forma significativa (Imagem: Divulgação/Dell)

É também bastante importante fazer a escolha certa em relação aos componentes de armazenamento de arquivos. Os notebooks que vêm com HDD (Hard Disk Drive, ou Unidade de Disco Rígido) terão desempenho consideravelmente mais baixo do que os que trazem SSD (Solid State Drive, ou Unidade de Estado Sólido).

A diferença de velocidade é perceptível em basicamente qualquer tarefa realizada pelo produto, já que as velocidades de leitura e escrita são, no mínimo, duas vezes mais altas em SSDs — por outro lado, a diferença de preços também é relevante. Claro, a capacidade dos componentes também é importante, já que produtos com 128 GB de armazenamento suportam a instalação de poucos programas leves, enquanto modelos de 1 TB poderão armazenar jogos e outros softwares maiores.

Porém, não adianta guardar jogos se não for possível rodá-los. Para isso, é preciso ter um notebook com placa de vídeo dedicada caso esta seja sua finalidade, pois eles trazem memória própria (VRAM) e maior performance para renderizações 3D. O mercado destes componentes é amplamente dominado pela Nvidia (com GPUs das linhas GTX 1000 e 2000, e RTX 3000, entre outras) e pela AMD (com as séries RX 5000, 6000, entre outras).

Não há uma regra rígida para definir quais componentes são melhores: na verdade, é preciso analisar os objetivos individuais de uso, e só assim chegar a um hardware que seja satisfatório e compatível com o que é planejado, sem gastar mais do que o necessário.

Opções de notebooks para jogos e tarefas pesadas: Acer Nitro 5, Dell G15, Lenovo Legion 5i.

Flexibilidade e construção

Notebooks 2 em 1 podem auxiliar na produtividade (Imagem: Divuglação/Dell)

Há algum tempo, as marcas resolveram investir em notebooks que fogem de uma construção mais básica, em que o produto pode ser aberto em apenas uma direção. Várias companhias oferecem também os chamados 2 em 1, em que é possível utilizar o dispositivo também como um grande tablet, por meio de toques na tela touchscreen e até mesmo o uso de canetas stylus, quando possível.

Esse tipo de produto é recomendado para pessoas que procuram um nível a mais de produtividade, já que tarefas como gerenciamento de planilhas e criação de notas ficam ainda mais fáceis. Por outro lado, esse tipo de construção restringe algumas capacidades de performance por causa da dificuldade na dissipação de calor, e os notebooks 2 em 1 ainda podem ser menos resistentes a quedas e outros choques físicos.

Mesmo para os notebooks “comuns”, vale a pena comparar dados como dimensões e peso, já que poucas diferenças em números podem representar maiores facilidades na hora de colocar o dispositivo em mochilas e outros compartimentos menos espaçosos.

Uma maior variedade de conexões por fio pode evitar o uso de acessórios externos (Imagem: Ivo/Canaltech)

Outro aspecto relevante na construção dos notebooks é a disponibilidade de entradas para conexões por fio. Os modelos mais finos podem vir sem portas importantes, como Ethernet, HDMI ou USB tipo A — nesse caso, será necessário comprar um hub que dê suporte para esse tipo de interface, o que será um custo extra e uma certa inconveniência.

Opções de notebooks 2 em 1: Dell Inspiron 14 2 em 1, Lenovo Yoga 7i, Acer Spin 3 Touch, Samsung Galaxy Book Pro 360.

Sistema Operacional

Windows 11 é a versão mais atualizada do sistema operacional da Microsoft (Imagem: Divulgação/Samsung)

Quem procura notebook para comprar certamente se deparou com uma grande maioria de anúncios relacionados a produtos que rodam o Windows. De fato, o sistema operacional da Microsoft é o mais popular do planeta, com aproximadamente 70% da base de usuários de PCs e computadores portáteis.

Porém, existem duas versões disponíveis atualmente no mercado, já que a companhia anunciou recentemente o Windows 11, atualização sistema com visual renovado e algumas funções extras, como a possibilidade da instalação de aplicativos de Android diretamente no computador (recurso que ficará disponível no futuro).

Quando se pensa em usabilidade, não existem grandes diferenças entre o Windows 10 e o 11. Além disso, a Microsoft providenciará a atualização automática e gratuita para a última versão para todos os computadores que possuírem compatibilidade, ou seja, grande parte dos notebooks novos que são produzidos no momento. Por isso, a versão do sistema operacional não deve ser considerada como um fator crucial — entretanto, é sempre bom comprar um dispositivo que já venha o mais atualizado possível!

Um tópico mais importante a ser considerado é a presença de produtos que rodam o Linux. Apesar de ser comparativamente tão eficiente quanto o Windows na grande maioria das situações, este sistema operacional requer um certo período de adaptação, algo que nem sempre o usuário casual está disposto a gastar. Por isso, é preciso tomar cuidado com esse detalhe, já que nem sempre os anúncios de internet deixam claro que se trata de um notebook que vem com o Linux instalado.

Sistemas operacionais como o Linux e macOS podem exigir um período de adaptação (Imagem: Divulgação/Apple)

Já os MacBooks vêm com o macOS instalado, o sistema operacional próprio da Apple. Ele também tem vários recursos que são distintos em comparação com o Windows e podem gerar algum tipo de estranheza, mas no geral os usuários relatam boas experiências, especialmente por conta da integração com outros produtos da companhia (como iPhones e iPads), e grande quantidade de atualizações relevantes, ou seja, aquelas que trazem funções novas e diferenciais estéticos.

Opções de notebooks com macOS: MacBook Air, MacBook Pro.

Bateria

Para os usuários que costumam estudar ou trabalhar fora de casa, ter um notebook com grande capacidade de bateria é essencial. Além disso, caso seja preciso rodar programas mais pesados, eles podem drenar o tanque de energia de forma mais rápida, o que pode ser uma dor de cabeça caso a autonomia seja menor do que a necessária.

Marcas costumam "valorizar" estatísticas de bateria (Imagem: Divulgação/LG)

Em geral, as fabricantes costumam aumentar de forma significativa a duração de bateria nos seus materiais publicitários, por isso é sempre interessante desconfiar dos dados oficiais que são divulgados. De acordo com uma bateria de testes realizada pelo portal Laptop Mag, apenas Apple e Microsoft anunciam tempos de uso compatíveis com a realidade, antes de o produto exigir a recarga em uma fonte de energia.

O principal motivo dessa imprecisão está no fato de que as companhias revelam essas informações com base no uso mínimo de energia — ou seja, com tela com pouco brilho, luzes do teclado apagadas, e sem a execução de programas pesados. Porém, a experiência na vida real inclui atividades bem mais complexas, e que puxam mais carga.

Opções de notebooks com muita bateria: Lenovo IdeaPad 3i, Samsung Galaxy Book S, LG Gram 2021.

Conclusão: pesquisa vale a pena

A escolha do notebook certo não requer que o consumidor seja um técnico especializado, mas saber no mínimo para que serve cada componente é essencial. Cada perfil de usuário pode exigir mais de diferentes peças — por exemplo, um uso pesado de produtividade exigirá mais memória RAM e processador, enquanto alguns jogos farão com que a placa de vídeo seja o chamado “gargalo”, ou seja, aquilo que faz com que o desempenho seja limitado.

Porém, com as dicas do Canaltech, é possível encontrar os melhores modelos de todas as principais marcas. Além disso, para ficar completamente atualizado, sempre é bom conferir as análises em vídeo e texto, não somente de notebooks, mas também de uma grande variedade de produtos.

Fonte: Samsung, Laptop Mag

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