Você sabe qual foi o 1º navegador da web com abas da história?

Por Igor Almenara | Editado por Douglas Ciriaco | 10 de Abril de 2021 às 19h00
Igor Almenara/Canaltech

Você pode estar aí, debulhado entre dezenas de abas do navegador — no celular ou desktop — e nunca ter parado para refletir: qual browser inventou as guias? O conceito de alternância entre várias páginas simultaneamente é natural e amplamente presente nos dias de hoje, mas sua estreia aconteceu bem antes do lançamento de Chrome e Firefox.

Até alcançarem o estágio em que estão atualmente, o segmento passou por inúmeras evoluções, crescendo à medida que a demanda por softwares mais eficientes foram surgindo. Passear por sites da web é um hábito de décadas e implicou numa intensa competição entre “gigantes” da tecnologia que tentavam diferenciar seus produtos dos demais.

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Das mudanças que mais vingaram, a navegação em múltiplas guias foi uma das mais marcantes e está listada hoje como um dos recursos básicos de um browser — ao lado de sincronização entre dispositivos, janela anônima e suporte a extensões. Mas quando foi que ela surgiu?

O que são as guias

Antes de destrinchar a origem das guias, é necessário entender o que elas são. O conceito parte do design de interface Tabbed Document Interface (TDI), uma implementação gráfica que consiste na contenção de múltiplas instâncias de documentos ou painéis numa mesma janela, possibilitando também a alternância entre elas.

O editor de texto WordVision DOS foi o primeiro programa comercializado com uma TDI. O software era destinado às máquinas IBM PC de 1982 e logo virou tendência, considerado uma inspiração no desenvolvimento de softwares que vieram depois dele. Logicamente, a aplicação deste conceito era extremamente limitada na época, devido ao baixo desempenho dos computadores mais populares.

WordVision: primeiro software com interface organizada em abas do mundo (Imagem: SomeGuy/WinWord)

InternetWorks: o pioneiro da navegação em abas

A primeira implementação do design de interface por abas em navegaores data de 1994, dentro do InternetWorks, desenvolvido pela BookLink Technologies. Essa característica era uma das suas principais vantagens sobre os concorrentes num período em que a alternância entre múltiplas páginas da internet não era algo comum na maioria dos programas.

(Imagem: Reprodução)

Infelizmente, a introdução do recurso não foi o suficiente para levar o InternetWorks à fama. O software é uma peça rara de se encontrar até mesmo em pesquisas direcionadas, mas seu legado foi deixado nas guias paralelas, tecnologia posteriormente adquirida pela Microsoft para ser integrada ao Word.

Apesar de inovador, não foi aí que a interface multitarefa tomou a internet. Anos depois, implementações ainda mais refinadas foram responsáveis pela popularização das abas, como no NetCaptor (navegador baseado no Internet Explorer), de 1997, no IBrowse, de 1999 e finalmente no Opera, que por vezes é encarado como pioneiro nesse âmbito de navegação em guias, mas que ganhou o recurso apenas na sua quarta versão, em 2000.

Firefox e Chrome: as joias do novo milênio

Em outubro de 2002, nascia o Phoenix 0.1, projeto que depois se tornou o conhecido Firefox, da Mozilla. Nele, o design de interface de navegação em abas foi posto em prática numa solução mais moderna e sua popularidade impulsionou a importância das guias. Sem dúvida, ele foi o primeiro navegador grande e bastante popular com o recurso.

Em 2003, o TDI alcançou o Safari, da Apple, mas a grande prova de que a navegação em abas deixou de ser um extra para se tornar um recurso básico veio em 2006. Naquele ano, a Microsoft lançou o Internet Explorer 7.0 após "travar" a web insistindo no IE 6 por seis longos anos. Depois disso, o recurso nunca mais abandonou um navegador da marca — seja o próprio IE ou as duas versões do Edge.

(Imagem: Reprodução/Mozilla)

Desde então, os principais navegadores do mercado já contavam com a TDI como um recurso nativo. O design cativou boa parte dos usuários da web e o mercado se manteve com certa estabilidade até a chegada do Google à briga.

Dos grandões atuais, o Chrome é um dos concorrentes com menos tempo de estrada. Ele surgiu em outubro de 2008 numa abordagem agressiva para proporcionar o maior alcance possível. O Chrome se desviou das tendências da época e apostou num visual sóbrio, mantendo o foco total no conteúdo da página acessada.

A cara do programa trazia apenas duas linhas focadas na navegação — abas e extensões na parte superior, e só. Diante dos demais concorrentes do mesmo período, recheados por barras de pesquisas adicionais — por vezes baixadas até por engano —, ele soou como um colírio aos olhos de quase todo mundo.

Foi uma aposta e deu certo. O Chrome ditou uma tendência no mercado que perdura até os dias de hoje e se tornou o maior navegador do mundo, disparado até mesmo de concorrentes mais antigos. A interface mais limpa pode ter sido o grande causador dessa guinada, mas o conceito básico das abas continuava lá, consolidado dentro do browser mais promissor do momento.

A navegação em guias hoje

Atualmente, a navegação em abas é um padrão e essa teoria é reforçada pelas várias novidades relacionadas ao gerenciamento das guias para aumentar a eficiência enquanto se passeia pela internet.

No próprio Chrome, por exemplo, as instâncias podem ser organizadas em grupos, etiquetadas com um título personalizável e indicadas com cores. O mesmo acontece no celular, em que as abas são organizadas em grandes pastas e o arranjo é armazenado de forma temporária para que a pesquisa ou leitura sejam retomadas rapidamente.

(Imagem: Igor Almenara/Canaltech)

Concorrentes como o Microsoft Edge, em sua versão baseada no Chromium, o projeto de código aberto do Google, também mostram compreensão sobre a importância das abas. As mais recentes atualizações do browser introduziram gerenciamento mais inteligente sobre a memória RAM — componente rapidamente tomado pela quantidade excessiva de guias.

Proporcionar rápida alternância aparenta ser crucial para os apps atuais — principalmente, no que envolve browsers para celular. No computador, alguns navegadores permitem que as guias sejam colocadas na vertical, como o Edge; no smartphone, gestos são uma prática comum — arrastar para o lado é um dos meios mais familiares para alternar entre as págias abertas, por exemplo.

Chrome separa guias automaticamente em grupos. (Imagem: Igor Almenara/Canaltech)

O design de interface em guias é quase tão antigo quanto os navegadores. Você sabia desse longo trajeto dos navegadores com abas? Conte aí embaixo nos comentários qual foi o primeiro navegador do tipo que você usou, qual é seu browser favorito e qual (ou quais) estão sempre instalado em suas máquinas.

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