Lossless, ALAC, FLAC: entenda a diferença entre os formatos de áudio

Por Thiago Furquim | Editado por Bruno Salutes | 19 de Maio de 2021 às 10h40
Imagem: Pixabay/Pexels

Escutar músicas por dispositivos eletrônicos é tão comum que mal sabemos detalhes do seu formato e a taxa de bits que elas entregam. Afinal, com o acervo global e a qualidade sonora que os streamings musicais oferecem ao usuário, como o Spotify, o único trabalho que temos é de escolher a canção que queremos ouvir, por um fone de ouvido e dar o play no app.

No entanto, bastou a Apple anunciar que o Apple Music entregará músicas em formato de áudio Lossless, ou Hi-fi, e Áudio Espacial ao seu catálogo musical para surgir um grande alvoroço sobre o tema. Mas, afinal, será que há uma grande diferença entre formatos sem perda de dados e os tradicionais, como o MP3 ou os oferecidos pelos streamings?

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Antes de tudo, precisamos entender que este sempre foi um tema bastante específico para nichos de audiófilos na internet e que a acessibilidade ainda pode ser bastante limitada. Ou seja, antes de se empolgar demais com a tecnologia, é preciso entender como ela funciona, qual a diferença entre os outros formatos de áudio e qual o equipamento necessário.

Entendendo os formatos de áudio

Para entender melhor como os formatos de áudio se popularizam na internet, precisamos saber sobre sua origem. Ao gravar uma música em estúdio, por exemplo, um produtor musical reúne diversas informações dos canais de gravação oriundos da mesa de som.

A depender de cada artista, é possível que hajam diversos canais para cada tipo ou parte do instrumento. Toda essa informação reunida resulta em um arquivo bastante pesado, inviabilizando a sua compilação para formato de CD ou arquivo de áudio para compartilhamento.

Desenvolvedores começaram a lançar codecs para reduzir o arquivo de áudio e facilitar a compilação. Para o CD, o formato de áudio mais popular é o CDA (Compact Disc Audio Track), por ser pequeno e se tornar padrão para reprodução em equipamentos de som e leitores de disco para Windows.

Já o surgimento do MP3 (MPEG-1/2 Audio Layer 3) contribuiu para a popularização de compartilhamento de música na internet. Devido a sua capacidade de comprimir os dados de áudio com taxas altas de bits para um tamanho reduzido, ele possibilitou que músicas pudessem ser compartilhadas facilmente entre as pessoas mesmo com conexões lentas que ainda havia à época.

O que acontece com a compressão de áudio?

A redução da taxa de bits do áudio compactado por um codec resulta na perda de qualidade de som (ou lossy), simplesmente porque informações dos canais de gravação de áudio em estúdio são eliminadas ou acabam tendo sua qualidade comprometida consideravelmente. Isso resulta em uma voz mais abafada, um grave menos consistente, um som ligeiramente mais artificial, entre outras consequências.

Existem codecs para outros formatos de áudio, como o AAC (Advanced Audio Coding), também usado pela Apple, que possuem uma diferença de frequência de amostragem e uso de canais para compensar a perda de qualidade na compactação psicoacústica em relação ao MP3, tornando a experiência sonora tão boa que dificilmente você conseguiria notar a diferença para um formato sem perdas.

Como comparação, imagine uma foto que acabou de ser tirada em uma câmera profissional, em formato RAW, e compartilhe no WhatsApp. Haverá perda significativa da qualidade, visto que o mensageiro reduz a foto para facilitar o compartilhamento e não ocupar tanto espaço de armazenamento do smartphone, porém, não é nada claramente perceptível aos olhos de uma pessoa comum.

O que é o lossless?

O formato de áudio classificado como lossless é aquele que não perde taxa de informação no processo de compactação do arquivo original da gravadora. Isso garante que a música que você escutará tem os mesmo detalhes da gravação em todos os canais, de modo a apreciar o som perfeitamente e ter a sensação do artista estar cantando ao seu lado, ou, como sugere a Apple, estar dentro de uma orquestra sinfônica

Um dos mais famosos formatos de áudio lossless entre os audiófilos é o FLAC (Free Lossless Audio Codec, ou Cod Livre de Áudio Sem Perdas). Ele consegue uma taxa de compressão de até 50% sem perdas de dados, superando o formato ZIP, por exemplo, que consegue até 20%. Outro formato lossless conhecido é o WAVE (Waveform Audio File Format), que não vingou por ser muito maior que o FLAC.

Comparando o tamanho entre os formatos na prática: um arquivo de música em MP3 de 7 MB pode ter, em média, 90 MB em WAVE, ou 70 MB em FLAC. Bastante diferença, não é mesmo?

O avanço da tecnologia para acesso à internet cada vez mais veloz tornou viável a transmissão de áudio sem perdas para usuários comuns. Por isso, a Apple anunciou que seu streaming fornecerá no catálogo musical o formato lossless pelo seu próprio codec, o ALAC (Apple Lossless Audio Codec), criado em 2004, sem nenhum custo adicional.

Para entender melhor a diferença entre cada formato, confira a tabela abaixo com uma média de resultado em testes de codecs nos streamings:

Serviço de Streaming Formatos Qualidade máxima no mobile (kb/s)
Amazon Music HD (não disponível no Brasil) FLAC 320
Tidal FLAC, ALAC, AAC 320 (Premium) / 1,411 (Hi-fi)
Deezer FLAC 320
Spotify Free AAC 160
Spotify Premium AAC 320
Apple Music  AAC, ALAC 256 / 1,441 (iOS 14.6)
YouTube Music AAC 256
SoundCloud Go+ AAC 256


Como escutar um áudio sem perdas?

Por ser uma novidade para usuários comuns, o formato lossless ainda traz algumas consequências frustrantes: os dispositivos Bluetooth ainda não suportam o streaming de áudio com taxa tão alta e não são capazes de transmitir dados sem perdas. Esses problemas valem para o novo formato 5.0, presente nos últimos lançamentos de gadgets da Apple como os AirPods Pro e Max.

A dificuldade de transmissão de dados acontece por um motivo muito simples: o hardware do Bluetooth suporta o máximo de 2 Mbps de streaming de áudio, enquanto um formato lossless requer, pelo menos, 9,2 Mbps a 24 bits. Além disso, entrando no aspecto da limitação física, a medida que você se distância do aparelho, a taxa de bits cai. Sendo assim, ouvir áudio por dispositivos sem fio resulta invariavelmente em perda de qualidade.

Portanto, mesmo que seu fone Bluetooth seja capaz de suportar diversos formatos, como o AAC da Apple, e ainda que tenha codec capaz de ler e reproduzir formato lossless, não há nenhuma garantira de que não haverá perda de dados durante a transmissão enquanto você estiver escutando som no aparelho sem fio e realizando atividades do dia a dia.

Se tratando dos produtos da empresa da maçã, há uma grande frustração dos AirPods Max e o HomePod não serem capazes de reproduzir o formato lossless. Para os fones, apesar do cabo ser capaz de reproduzir uma faixa musical lossless a 24 bits e taxa de amostragem a 48 Hz, o áudio passa por um processo de conversão de analógico e, em seguida, para o digital novamente. A Apple não garante que o resultado desse processo entrega uma correspondência idêntica ao original.

Isso também significa que não é qualquer fone de ouvido com fio que conseguirá reproduzir um áudio sem perdas. Portanto, antes de comprar um equipamento sonoro, verifique sempre as especificações e quantidade de bits que o dispositivo pode transmitir ou se é compatível com som de alta definição.

Conclusão

O formato lossless ainda precisará de um longo caminho para seu amadurecimento e se tornar verdadeiramente acessível às pessoas comuns. Como dissemos anteriormente, o assunto era tema de nicho, entre os apaixonados por música e pessoas que trabalham na área de produção de áudio.

E não há necessidade de frustração por isso, já que os codecs oferecidos pelos serviços de streaming e a qualidade de áudio que as boas marcas de fone de ouvido entregam são capazes de apresentar alta nitidez sonora — ainda que sofram compressão de dados.

Por fim, donos de AirPods Pro e Max poderão aproveitar os benefícios do Áudio Espacial com tecnologia Dolby Atmos; que cria uma experiência de som em várias dimensões, como se você estivesse no mesmo ambiente da cena de uma série. Vale a pena manter seu fone Apple por um longo tempo.

Fonte: Oficina da Net, 9toMac

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