Os 5 melhores jogos de survival horror de todos os tempos

Por Rafael Arbulu | 31 de Março de 2020 às 11h51
Capcom

O gênero do “horror de sobrevivência” (survival horror) passou por altos e baixos por pelo menos duas das últimas gerações de consoles: vimos séries consagradas flertarem com elementos totalmente descaracterizados do autêntico terror, apostando em recursos enfadonhos de jogabilidade que muito mais entediavam do que assustavam o jogador (quem é que consegue engolir Resident Evil 6?).

Felizmente, os lançamentos mais recentes buscaram as raízes do gênero, dando um fôlego muito bem-vindo ao mercado dos jogos de horror e lembrando a geração atual de jogadores do motivo pelos quais o survival horror já foi líder de mercado, do tipo que outras vertentes temiam competir.

Pensando nisso, o Canaltech elaborou uma lista com os 5 melhores jogos de survival horror de todos os tempos. São joias dignas de serem jogadas de novo e de novo, exploradas até o mais minucioso detalhe.

5. Resident Evil 2 Remake

Vamos começar com um jogo mais recente, mas que é merecedor de todos os louros que coletou. Este remake de um clássico original da Capcom é tido por muitos como aquele que resgatou o gênero de sua caída disposição. Resident Evil 2 Remake conseguiu o que muitos julgavam impossível: lembrar porque a gente tem medo de zumbis.

Aqui, a forma como os inimigos são dispostos, constantemente procurando o jogador, atacando-o, movimentando-se em um estado de semimorte... uma olhada para eles dentro dos cantos e ambientes escuros de Raccoon City e você já percebe: eles não vão parar. Adicione a isso o constante senso de perseguição do enigmático Mr. X e você tem em Resident Evil 2 Remake o verdadeiro retorno ao que tornou a franquia da Capcom uma das mais famosas — se não a mais famosa — de todo o gênero.

4. Outlast 2

Se você tem repulsa por ver, sem nenhuma economia de detalhes, mortes torturantes e não aguenta a sensação de medo do que encontrar em um ambiente escuro, Outlast 2 não é para você. Aqui, o jogador assume o papel de um jornalista investigando um assassinato deveras suspeito e que acaba parando em um local extremamente isolado. É óbvio que, resumidamente, o enredo posiciona um culto maléfico e um grupo de monstruosidades que nem no seu pior dia conseguiria imaginar.

O ponto de interesse aqui é que, tal qual seu predecessor, Outlast 2 não permite que você se defenda: você pode fugir, se esconder, posicionar obstáculos e se esgueirar sem que (tomara!) os inimigos lhe notem, mas no caso de um confronto, sim, você vai perder. E vai perder bem feio, de forma bem evidente. Mais além, o jogo vive da escuridão perene, permitindo que você corte isso com a câmera de vídeo — mas esse recurso é limitado pela sua bateria. Boa sorte!

3. Alien Isolation

Finalmente um jogo que tratou o xenomorfo do cinema, criado por James Cameron, da forma que ele merece: depois de inúmeros títulos que apelavam para o gênero de tiro em primeira pessoa, focando na ação desmedida e descaracterizando uma das maiores ameaças dos filmes, Alien Isolation enfim chegou e colocou a raça humana em seu devido lugar.

Melhor dizendo: em seu devido, tosco, inferior e mais fraco lugar, já que aqui você a todo tempo é perseguido por um dos titulares “Aliens”, mas não na forma da correria vista em outros jogos. O senso estratégico é o que prevalece: o xenomorfo pode lhe enxergar e até lhe ouvir caso você esteja escondido, e o seu objetivo é sempre evitá-lo, a todo custo. Caso um encontro ocorra, ele é o único a sair dele. E dentro de um cenário claustrofóbico de uma nave espacial à deriva, com luzes piscantes intervindo em corredores longos de total escuridão, com um predador espacial solto e aparecendo sem aviso, Alien Isolation é a razão pela qual crianças na década de 1980 tiveram pesadelos com essa criatura.

2. Silent Hill 4: The Room

A franquia Silent Hill é permeada de excelentes jogos e muitos vão discordar de nós e dizer que o segundo título é o melhor. Nós discordamos: foi no quarto jogo da série — The Room — que a KONAMI permitiu-se experimentar novos conceitos, tirando o jogador da premissa rotineira de “homem chega a uma cidade isolada, um culto se revela, faça um entre vários finais” para colocar você dentro de um ambiente onde o terror psicológico é mais exacerbado e estressante.

Em The Room, o protagonista não consegue sair do seu próprio apartamento — o quarto 302 —, em uma apresentação claustrofóbica e enervante do início ao fim, amplificada pelo fato de que todas as sequências dentro do cômodo são em primeira pessoa, adicionando à sensação de vazio e medo. Quando você consegue explorar outros cenários, se dá conta de que seus vizinhos — observáveis a todo momento — seguem com suas vidas normalmente, ou seja, o problema está com você. Adicione a essa receita a intromissão constante do culto “A Ordem”, icônico em todos os jogos da franquia, e a presença de um serial killer cujas projeções mentais são o que estamos vivendo dentro do jogo, e você tem um clássico do horror — um tão interessante e repugnante que deixaria Alfred Hitchcock orgulhoso.

Menção honrosa: Resident Evil 3: Nemesis

O que o remake do segundo jogo fez nesta geração, o terceiro game canônico da franquia da Capcom fez lá no auge do primeiro PlayStation: Resident Evil 3: Nemesis, o original de 1999, expandiu o cenário dos seus dois predecessores, que eram limitados a uma parte específica de Raccoon City (a mansão no primeiro jogo; a delegacia de polícia no segundo) para fazer de toda a metrópole montanhosa o palco da disseminação do T-Virus. Inimigos mais inteligentes lhe armavam armadilhas, zumbis lhe perseguiam em intermináveis ondas e a munição e recursos eram cada vez mais escassos.

Mas tudo isso ainda era apenas uma introdução ao real terror do jogo: Nemesis, uma arma biológica criada pela Umbrella Corporation com um único objetivo — matar você. E Nemesis era mais que capacitado para isso, portando um lança-foguetes com munição infinita, além de ter durabilidade extrema contra tiros e explosões e podendo atacar você no corpo a corpo, com sua superforça e tentáculos assassinos. Quem não se lembra de sua introdução e a forma como Nemesis “lidou” com Brad Vickers? Os gritos do veterano militar assombram jogadores até hoje.

O remake de Resident Evil 3 está saindo do forno e o Canaltech já teve a oportunidade de jogá-lo!

1. Layers of Fear

Quando a Konami cancelou o projeto de retorno de Silent Hill (e removeu a disponibilidade da demo P.T.), o mercado como um todo sentiu que perdeu não apenas um forte candidato a reavivar a combalida franquia, como um excelente jogo de horror de forma geral. Então, em 2016, Layers of Fear chegou trazendo a mesma premissa: aqui você é um pintor que tenta completar a sua obra-prima enquanto navega por uma mansão de estética vitoriana e, à medida que você explora o ambiente, mais e mais segredos sobre a casa, suas obras, e você vão sendo revelados.

O interessante de Layers of Fear é que, ao contrário de seus predecessores, praticamente tudo o que se passa no jogo é objeto da mente do protagonista, um homem claramente perturbado que luta contra seus próprios demônios: no passado, você usava sua esposa como modelo para as pinturas, para em seguida deixá-la cuidando de sua filha recém-nascida, apenas para eventualmente adotar um cachorro e sofrer com o barulho fora de seu estúdio. Você emudeceu ou matou o cachorro, apenas para ser atrapalhado por uma infestação de ratos. Ou não.

Nada em Layers of Fear é certo a ponto de você se dar por resolvido de uma ameaça ou quebra-cabeça, e comumente você se pega revisitando certas memórias sobre uma ótica diferente, tudo no intuito de resolver enigmas pela casa mal-iluminada a fim de terminar a maldita pintura. Achou simples? Então jogue Layers of Fear e depois volte aqui.

Precisa de calças novas?

Muitos outros jogos foram considerados para esta lista: nomes como System Shock 2, SOMA, Man of Medan, The Evil Within, Until Dawn, Inside, entre tantos outros chegaram a ser considerados, mas acabaram ficando de fora.

Por isso queremos passar a tocha para você: deu falta de algum jogo? Conte para nós nos comentários abaixo! Vamos ver quantos de nós conseguiremos lembrar de grandes títulos — e do medo que eles nos causaram.

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.