Destaques da NASA: as fotos astronômicas mais incríveis de 2021

Destaques da NASA: as fotos astronômicas mais incríveis de 2021

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 30 de Dezembro de 2021 às 19h40
R. Ligustri, L.Demetz/Arianespace, ESA, NASA, CSA/P. Ward

Chegamos ao fim de 2021, um ano bastante agitado para os entusiastas da exploração espacial. Três missões de diferentes países chegaram a Marte neste ano e, entre elas, estava a Mars 2020, que levou o rover Perseverance em busca de sinais deixados por possíveis formas de vida, caso tenham existido por lá. Além disso, houve também uma série de fenômenos fascinantes, como o eclipse mais longo do milênio e o cometa Leonard, visível a olho nu.

Mas caso você tenha perdido algum destes eventos, fique tranquilo. Nesta matéria, selecionamos as imagens espaciais mais incríveis que foram escolhidas ao longo do ano pelos astrônomos do site Astronomy Picture of the Day, da NASA — com um belo destaque por mês.

Janeiro — Uma paisagem noturna

A estrela Deneb e as nebulosas NGC 7000 e IC 5070 brilhando no céu noturno (Imagem: Reprodução/Liron Gertsman)

Este registro de tirar o fôlego foi feito no Canadá e mostra montanhas conhecidas como The Lions. Acima dos picos gêmeos, vemos Deneb, a estrela mais brilhante da constelação do Cisne.

À esquerda da estrela, há duas áreas brilhantes. Uma delas é a NGC 7000, uma nebulosa de emissão formada por gases ionizados que emitem luz em vários comprimentos de onda. Por ter formato que lembra o continente norte-americano, ela é popularmente conhecida como “Nebulosa da América do Norte”.

A outra é a Nebulosa do Pelicano. Catalogada como IC 5067, esta também é uma nebulosa de emissão pertinho de Deneb, separada da Nebulosa da América do Norte por uma nuvem molecular de poeira escura. Ambas têm brilho avermelhado graças ao hidrogênio atômico.

Fevereiro — Rover Perseverance pousa em Marte

Primeira foto feita pelo Perseverance após o pouso em Marte (Imagem: Reprodução/NASA/JPL/Mars 2020)

No dia 30 de julho de 2020, a NASA lançou a missão Mars 2020, levando o rover Perseverance e o pequeno helicóptero Ingenuity rumo ao Planeta Vermelho. Após uma viagem interplanetária de mais de 200 dias, foi em 18 de fevereiro de 2021 que o veículo pousou no interior da cratera Jezero.

A confirmação de que deu tudo certo foi recebida com alívio pelos membros da missão e, claro, pelos entusiastas da ciência espacial — afinal, a taxa de sucesso de pousos por lá é de apenas 50%! Isso se deve a vários motivos, e um deles é a atmosfera marciana, tão fina que se apenas paraquedas forem usados, é bastante provável que o robô não consiga desacelerar o suficiente e seja destruído ao chegar ao solo.

Então, para garantir que o Perseverance chegasse bem, a NASA usou uma combinação de paraquedas, propulsores de foguetes e cabos para a sustentação do veículo. Tudo correu bem e o Perseverance — apelidado "Percy" — fez a foto acima logo após o pouso, enquanto ainda tinha uma tampa protetora cobrindo sua câmera.

Março — O brilho dos sprites no céu

Sprites brilhando nas montanhas dos Andes (Imagem: Reprodução/Yuri Beletsky)

Estes filamentos vermelhos são chamados "sprites", um tipo raríssimo de relâmpago confirmado há apenas três décadas. Sprites são descargas elétricas que costumam acontecer bem acima das nuvens cumulonimbus, responsáveis por condições climáticas perigosas, como tornados e chuvas intensas acompanhadas de granizo.

Há sprites cujos formatos lembram as águas-vivas, mas alguns também podem se estender em colunas e outros até se assemelham a cenouras, com longas ramificações que seguem para baixo. É comum que eles sejam vermelhos nas regiões superiores com ramificações mais azuladas, e não costumam durar mais que alguns milissegundos.

No caso desta foto, os sprites foram registrados em uma região dominada por fortes tempestades de raios. Eles estão na parte superior da foto e, se você reparar na parte inferior, verá o brilho azulado dos relâmpagos que aconteciam mais ao longe.

Abril — O primeiro voo do Ingenuity

O Perseverance não pousou em Marte sozinho. Preso à sua “barriga”, estava o helicóptero Ingenuity, uma demonstração de tecnologia criada para testar voos motorizados em uma atmosfera tão fina quanto a do Planeta Vermelho. Houve alguns contratempos, mas deu certo: no dia 19 de abril, o helicóptero fez seu primeiro voo.

Naquele dia, a aeronave estava parada na superfície de Marte, até que seus rotores começaram a girar. Ela chegou a 3 m de altitude, seguiu em um voo estável durante 30 segundos e pousou, somando 39,1 segundos de atividade — e tudo isso foi registrado pelas câmeras do Perseverance, resultando no vídeo acima.

O Ingenuity foi projetado para fazer apenas cinco voos, mas mostrou um desempenho tão impressionante que a NASA decidiu estender sua missão. Assim, a pequena aeronave fechou este ano com um histórico de 18 voos, totalizando mais de 30 minutos no ar e, claro, várias imagens ao longo do caminho.

Maio — Um "super" eclipse

Eclipse lunar total registrado em Sidney, cuja fase total durou cerca de 14 minutos (Imagem: Reprodução/Peter Ward (Barden Ridge Observatory)

Maio foi um mês especial. No dia 25, houve a segunda superlua do ano, que ocorre quando a Lua está no ponto mais próximo da Terra em sua órbita elíptica (no chamado perigeu). A superlua pode parecer um pouco maior e mais brilhante no céu, alcançando o perigeu às 22h50 (horário de Brasília).

Já no fim da madrugada do dia 26, foi a vez de um eclipse lunar. Durante o fenômeno, o Sol e a Lua ficam alinhados em lados opostos, com a Terra bem no meio de ambos projetando sombra em nosso satélite natural. Nisso, parte da luz solar é bloqueada pela Terra e atravessa a atmosfera, e então a parte azul do espectro da luz é filtrada por ter comprimento de onda menor. Por isso, a Lua vai mostrando várias cores diferentes ao longo do eclipse, indo do acinzentado ao alaranjado que você vê na foto acima.

Junho — Eclipse solar parcial

Pássaro voando bem no momento em que o fotografo registrou a silhueta da Lua à frente do Sol (Imagem: Reprodução/Zev Hoover/Christian Lockwood/Zoe Chakoian)

Aqui, temos um clique do eclipse solar parcial ocorrido em junho. O fenômeno ocorre quando a Terra, a Lua e o Sol ficam alinhados no mesmo plano e, quando nosso satélite natural passa em frente à estrela, ele pode cobrir total ou parcialmente seu disco.

Um eclipse solar parcial acontece quando a Lua não cobre o Sol por inteiro durante sua passagem, então parte da estrela continua visível para nós. E é o que vemos nesta imagem.

Julho — A fronteira final?

Esta foto foi feita a cerca de 10 km de altitude, por um piloto a bordo de um avião (Imagem: Reprodução/Ralf Rohner)

Pois é, este foi um ano de enorme avanço dos voos espaciais turísticos: a Blue Origin e a Virgin Galactic levaram passageiros ao espaço suborbital para curtir alguns minutos de sensação de ausência de peso — e estas empreitadas levantaram debates. Afinal, onde começa o espaço? Será que voos turísticos do tipo realmente podem ser considerados espaciais?

Para entrar neste debate, precisamos pensar, primeiro, onde seria o início do espaço. Por um lado, a NASA e a Federal Aviation Administration (entidade que regula voos nos Estados Unidos), consideram que a “fronteira” com o espaço fica a 80 km de altitude. Por outro, a Linha de Kármán estabelece que esta divisão imaginária ficaria, na verdade, 100 km acima do nível do mar.

A foto acima foi feita por um piloto a bordo de um avião voando a 10 km de altitude, ou seja, estava bem abaixo de ambos os limites. Mesmo assim, vemos vários fenômenos interessantes nela, como o brilho das nuvens noctilucentes e das auroras, junto do horizonte da Terra e início do espaço.

Agosto — Chuva de meteoros Perseidas

Chuva de meteoros Perseidas, registrada em um vilarejo na Hungria (Imagem: Reprodução/ Balint Lengyel)

Todos os anos, no mês de agosto, a Terra atravessa uma nuvem de detritos deixada pelo cometa 109P/Swift–Tuttle, que criam a belíssima chuva de meteoros Perseidas. Aqui, a chuva foi registrada por um fotógrafo que deixou sua câmera sob o céu noturno entre os dias 11 e 13 de agosto, capturando o brilho de vários meteoros.

O cometa “pai” desta chuva leva 133 anos para orbitar o Sol e, conforme se aproxima da nossa estrela, deixa um rastro de detritos para trás. E quando nosso planeta se encontra com esses detritos ao longo de sua órbita, os que adentram a atmosfera acabam queimando, o que por sua vez deixa rastros luminosos no céu — e é isso que leva o nome de chuva de meteoros.

Setembro — Brilho misterioso em Júpiter

O vídeo acima mostra um registro raríssimo: um brilho luminoso em Júpiter, que talvez tenha sido causado por algum objeto atingindo o gigante gasoso. Desde 1994, somente sete destes eventos foram observados por lá, sendo que grande parte deles foram identificados por astrônomos amadores.

E o evento foi registrado por José Luis Pereira, que também é astrônomo amador. Ele estava observando Júpiter e procurou possíveis pontos luminosos em seus registros com o programa DeTeCt, que verifica eventos transitórios, como impactos. E o programa indicou alta probabilidade de que a alteração vista por Pereira tenha sido fruto de uma colisão.

Ainda há análises em andamento para confirmar se o brilho registrado na ocasião realmente foi fruto um impacto no gigante gasoso. Se sim, este será apenas o oitavo registro de algum objeto atingindo Júpiter.

Outubro — Noite estrelada no Paraná

Vênus, luz zodiacal e a Via Láctea brilhando no céu de Cascavel (Imagem: Reprodução/Rodrigo Guerra)

Esta noite na cidade de Cascavel, no Paraná, ofereceu uma visão incrível do céu noturno, capturada nesta foto. Há vários objetos nela a serem encontrados e vamos começar por Vênus, que aparece brilhando no lado direito — quando o assunto é o brilho no céu, nosso vizinho fica atrás apenas da Lua e, claro, do Sol.

Na imagem, o planeta aparece imerso em um grande cone luminoso. Este cone brilhante é conhecido como “luz zodiacal”, sendo formado pela luz solar dispersa em poeira interplanetária. Geralmente, o melhor horário para vê-la é durante o crepúsculo da primavera, após o pôr do Sol, e antes do nascer do Sol durante o outono.

Se você seguir o olhar pela luz zodiacal, verá que ela termina próxima do bojo central da Via Láctea, cortando o centro da imagem na diagonal. Ainda observando ali, você encontra o sistema estelar Alpha Centauri. Este sistema fica a apenas 4,37 anos-luz de nós, distância que o torna nosso vizinho mais próximo.

Novembro — Eclipse lunar parcial

Eclipse lunar parcial, em que parte da Lua ficou fora da umbra (Imagem: Reprodução/Jean-Francois Gout)

No mês de maio, você viu uma foto da Lua durante um eclipse total. Agora, é hora de admirar essa imagem de um eclipse lunar parcial, que aconteceu durante a madrugada do dia 18 para o dia 19 de novembro. Neste caso, o disco lunar não ficou totalmente coberto pela umbra (a parte mais escura da sombra da Terra).

A foto acima foi composta por cinco diferentes registros feitos ao longo de 1 hora e meia, deste que foi o eclipse parcial mais longo do milênio!

Dezembro — "Cometa de Natal"

O cometa Leonard (Imagem: Reprodução/Rolando Ligustri (CARA Project, CAST) and Lukas Demetz)

Se você não conseguiu observar o cometa Leonard a olho nu, é só conferir sua beleza na imagem acima. Ele foi descoberto em janeiro de 2021 pelo astrônomo Gregory Leonard, e esteve visível em ambos os hemisférios Norte e Sul durante o mês de dezembro, fazendo sua máxima aproximação com a Terra no dia 12.

Nesta foto, conseguimos conferir os detalhes do cometa com nitidez impressionante. O núcleo aparece com o típico tom esverdeado, enquanto a cauda gasosa e ionizada interage com as partículas eletricamente carregadas do vento solar.

Bônus: um presente de Natal para a humanidade

Foto do James Webb após ser liberado do estágio superior do foguete Ariane 5 (Imagem: Reprodução/NASA)

Após mais de 20 anos de desenvolvimento somados a uns bons anos de atrasos, o telescópio espacial James Webb foi lançado no sábado (25) por um foguete Ariane 5. O estágio superior do foguete tinha uma câmera e, assim que o observatório se separou desse estágio, a imagem acima foi registrada, emocionando a muita gente que assistia à transmissão ao vivo da NASA.

Na foto, você vê o Webb "dando adeus" para nós e partindo rumo a seu destino, a 1,5 milhão de km da Terra. Durante aproximadamente 1 mês, ele executará uma sequência complexa de desdobramento de seus componentes, com 50 partes e 178 mecanismos de liberação. Passado este período, os instrumentos serão ativados e testados.

O Webb vai começar suas observações científicas daqui cerca de seis meses, quando enviará para nós suas primeiras imagens do espaço. O telescópio irá trabalhar com a luz infravermelha para “enxergar” através de nuvens de poeira que bloqueiam a luz visível, observando as primeiras galáxias que se formaram, a atmosfera de exoplanetas, sistemas estelares e muito mais.

Fonte: APOD

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