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Céu de 2023 | Conjunções de planetas e eclipse solar são destaque neste ano

Por| 18 de Janeiro de 2023 às 18h00

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Pete Linforth/Pixabay
Pete Linforth/Pixabay

O ano de 2023 está repleto de eventos astronômicos incríveis para se admirar no céu — muitos visíveis aqui no Brasil. Entre eles, destacam-se belas conjunções planetárias ao longo dos meses, além das chuvas de meteoros que se repetem analmente na mesma época.

Grande parte dos eventos do calendário astronômico deste ano poderá ser observada a olho nu, sem a necessidade de binóculos. Mas, se você tiver algum instrumento do tipo em mãos, poderá conferir Marte brilhando próximo de um aglomerado estelar com detalhes mais nítidos, ou tentar a sorte de flagrar um cometa de passagem nos arredores.

Confira esses e outros eventos astronômicos do ano e já se programe para fugir da poluição luminosa dos centros urbanos em alguns momentos. Assim, os fenômenos do céu de 2023 podem ser ainda melhor admirados e, quem sabe, devidamente fotografados. Que tal?

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Eventos astronômicos de janeiro

Conjunção entre Vênus e Saturno (22/01)

O primeiro mês de 2023 traz uma bela “dança cósmica” entre a Lua, Vênus e Saturno. No dia 22, logo após o pôr do Sol, os dois planetas ficarão próximos no céu, discretamente acompanhados pela Lua recém-saída da fase nova.

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Para conferir a conjunção, é preciso ter visão livre na direção oeste. Será fácil reconhecer cada planeta pois Vênus estará muito mais brilhante do que Saturno neste dia.

O espetáculo fica ainda mais bonito no dia 23

Na noite seguinte, vale a pena ficar de olho no céu por volta das 19h30. Neste momento, você verá a Lua crescente bem fina nascendo na direção oeste e, logo abaixo dela, estarão Vênus e Saturno, bem juntinhos.

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Os planetas estarão separados por apenas um grau de distância (aproximadamente a largura do seu dedo indicador com o braço esticado). E fica a dica dica: não demore a sair de casa e olhar para o céu, pois a dupla vai se esconder no horizonte rapidinho — antes das 20h já não será mais possível vê-los. Nos dias seguintes, os planetas vão se afastando aos poucos, até Saturno não dar mais as caras por ali.

Eventos astronômicos de fevereiro

Cometa C/2022 E3 (ZTF) atinge ponto mais brilhante (01/02)

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Fevereiro começa com a beleza do cometa C/2022 E3 (ZTF). Ele está viajando rumo ao interior do Sistema Solar e, no dia 1º, atingirá seu ponto mais brilhante, passando por nosso planeta a apenas 0,28 unidade astronômica. Uma unidade astronômica é a distância média entre a Terra e o Sol, então o cometa passará relativamente próximo de nós!

Mas, para tentar observá-lo, será preciso aguardar pelo menos até o dia 2. O cometa começa a surgir na direção nordeste por volta das 19h30, seguindo ao norte e, ao longo do mês, fica cada vez mais alto no céu, facilitando as observações.

De acordo com diferentes estimativas, a magnitude do ZTF poderá ficar entre 5,1 e 7,35, podendo ser visto com binóculos ou até mesmo a olho nu, caso ele fique mesmo bastante brilhante.

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Júpiter e Vênus se aproximam da Lua (22/02)

Na sequência, começa uma grande aproximação entre Júpiter e Vênus, no dia 22. A conjunção entre os planetas acontece somente em março, mas, enquanto o grande momento não chega, você pode acompanhar a Lua aparecendo entre os dois no início desta noite.

Para encontrar o trio, observe o céu após o pôr do Sol na direção oeste. Depois, procure a Lua crescente para ver Júpiter logo ao lado dela. Vênus aparece um pouco abaixo.

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Eventos astronômicos de março

Conjunção de Júpiter e Vênus (01/03)

Março traz algumas oportunidades de observar Júpiter e Vênus próximos um do outro. A melhor delas ocorre já no dia 1º, quando os planetas vão aparecer brilhantes e bem juntinhos no céu, na direção oeste, logo no início da noite. Eles ficarão a apenas meio grau de distância aparente um do outro.

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Se o céu estiver limpo e você quiser varar a madrugada, por volta das 5h20 da manhã será possível observar Mercúrio e Saturno brilhando na direção leste, logo acima da linha do horizonte. 

Equinócio de outono (20/03)

O equinócio de 2023 ocorre no dia 20 de março às 18h25, no horário de Brasília, sinalizando a chegada do outono no hemisfério Sul e o início da primavera no hemisfério Norte. Neste dia, ambos os hemisférios recebem aproximadamente a mesma quantidade de luz do Sol.

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Eventos astronômicos de abril

Eclipse solar híbrido (20/04)

O primeiro eclipse do ano será um solar híbrido, um tipo bastante raro do fenômeno. Ele vai acontecer às 22h36 do dia 20 de abril, no horário de Brasília — ou seja, não será visível no Brasil, uma vez que será noite por aqui. Quem estiver em regiões como parte da Austrália e Indonésia poderá ver o eclipse em sua totalidade.

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Durante o evento, a Lua passará à frente do Sol formando um eclipse anular, que depois se tornará total. Então, conforme a Lua se move, o eclipse se torna anular novamente, até acabar.

Pico da chuva de meteoros Líridas (23/04)

A chuva de meteoros Líridas ocorre entre os dias 16 e 25 de abril, com pico previsto para acontecer na noite do dia 22 e durante a madrugada do dia 23. Como a Lua crescente vai se pôr na noite anterior, o céu estará escuro o suficiente para observarmos os meteoros. 

Para encontrá-los, procure o radiante (a direção de onde os meteoros parecem vir) na constelação de Hércules a partir da da meia-noite, no horário de Brasília. 

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Os meteoros Líridas às vezes explodem e formam rastros luminosos incríveis no céu noturno. Então este é um evento que merece uma atenção especial!

Eventos astronômicos de maio

Eclipse lunar penumbral (05/05)

Neste dia, a Lua se moverá através da penumbra projetada pela Terra, que é a parte mais externa de sua sombra. Durante um eclipse lunar penumbral, nosso satélite natural fica só um pouco mais escuro, sendo um fenômeno muitas vezes imperceptível, tamanha sua discrição.

O eclipse ocorrerá das 12h45 às 16h32 no horário de Brasília, sendo visível somente para observadores na África, Oceania, Ásia e Europa Oriental.

Chuva de meteoros Eta Aquáridas (06/05)

O pico da chuva de meteoros Eta Aquáridas, formada por detritos do cometa Halley, ocorrerá entre entre a meia-noite do dia 6 e o amanhecer de 7 de maio. Para observar os meteoros, fique atento na direção da constelação de Aquário, no sentido leste.

As estimativas apontam uma taxa de 50 meteoros a cada hora, viajando a cerca de 66 km/s e deixando um rastro brilhante e duradouro no céu.

Conjunção de Lua, Júpiter e Mercúrio (17/05)

Por volta das 5h30 da madrugada de 17 de maio, haverá um belo encontro de Júpiter, Mercúrio e a Lua — esta que estará apenas 6% iluminada, permitindo que os planetas brilhem com mais intensidade para nós.

Por volta das 6h começa a amanhecer, mas ainda será possível ver a conjunção por alguns minutos antes que o brilho do Sol tome conta de todo o céu.

Conjunção de Vênus, Lua e Marte (23/05)

No dia 23 de maio, você poderá admirar a Lua crescente acompanhada por Vênus e Marte logo no início da noite, a partir das 18h. O trio permanecerá visível até pouco antes das 20h, quando se esconderá além do horizonte.

Se perder esta conjunção, não se preocupe: nos dias 21 e 22 de junho os três estarão reunidos novamente no céu noturno!

Eventos astronômicos de junho

Marte e o Aglomerado da Colmeia (02/06)

Na noite de 2 de junho, Marte ficará pertinho do aglomerado estelar Beehive, ou Aglomerado da Colmeia. Ele abriga cerca de mil estrelas e fica a pouco menos de 600 anos-luz da Terra e aparece na constelação de Câncer, o Caranguejo.

É só olhar para o céu a partir das 18h15, localizando Marte e seu brilho avermelhado na direção noroeste. Para observar o aglomerado com mais detalhes, recomenda-se o uso de binóculos.

Conjunção da Lua, Marte e Vênus (21/06)

Neste dia, você terá uma nova oportunidade de conferir a conjunção entre a Lua, Marte e Vênus.

Os corpos celestes vão se encontrar já no início da noite, por volta das 18h. Ao longo das noites seguintes, a Lua vai se afastando da dupla planetária, que permanece unida no céu até meados de julho.

Solstício de inverno (21/06)

O solstício de junho ocorrerá às 11h58 do dia 21 e marca o início do inverno no hemisfério Sul, enquanto o hemisfério Norte celebra a chegada do verão.

Nós da América do Sul teremos o dia mais curto do ano, isto é, o dia que recebe a luz solar por menos tempo, já que anoitece mais cedo. Já quem estiver nos Estados Unidos terá o inverso, presenciando o dia mais longo de 2023, quando o Sol se põe muito mais tarde do que qualquer outro dia do ano.

Eventos astronômicos de julho

Superlua cheia (03/07)

Às 20h39 de 3 de julho, você poderá admirar uma superlua na direção leste do céu.

O apelido popular de "superlua" vem do fato de, neste momento, ela estar em sua fase cheia e coincidir com o perigeu — o ponto em que a Lua fica mais próxima da Terra em sua órbita elíptica. Então, durante uma superlua, nosso satélite natural aparenta ser um pouco maior e mais brilhante do que na Lua cheia comum.

Por outro lado, quando a Lua cheia está no apogeu (isto é, no ponto mais distante da Terra em sua órbita elíptica), ela parece ficar um pouco menor e menos luminosa, sendo então apelidada de "microlua".

Conjunção de Vênus e Mercúrio (27/07)

Neste dia, Vênus e Mercúrio estarão em uma nova conjunção no céu.

Eles aparecem na direção oeste desde o fim da tarde e permanecem visíveis até umas 18h40, quando começam a desaparecer no horizonte.

Pico da chuva de meteoros Delta Aquáridas do Sul (30/07)

A chuva de meteoros Delta Aquáridas do Sul começa no dia 12 de julho e segue visível até o dia 23 de agosto, mas seu pico está previsto para ocorrer na madrugada de 30 de julho.

Este fenômeno é melhor observado no hemisfério Sul e, para ver os meteoros, é só olhar para o céu na direção da constelação de Aquário, que é o radiante desses meteoros. Em condições ideais, é possível observar cerca de 25 meteoros por hora.

Eventos astronômicos de agosto

Superlua (01/08)

O mês de agosto começa com uma superlua já no dia 1º, quando nosso satélite natural fica um pouco mais próximo da Terra e aparenta ser maior e mais brilhante do que em outros momentos.

Pico da chuva de meteoros das Perseidas (13/08)

A chuva dos meteoros Perseidas começa em julho, mas se estende até agosto e seu pico está previsto para ocorrer por volta do dia 13. Para conferir os meteoros, procure o radiante da chuva na constelação Perseus no final da madrugada, por volta das 5h da manhã.

Formada por detritos deixados pelo cometa 109P/Swift-Tuttle, esta é uma das chuvas de meteoros mais espetaculares de todas. A Perseidas é melhor observada no hemisfério Norte, podendo proporcionar até 60 "estrelas cadentes" a cada hora. Ainda assim, nós do Sul também temos chances de flagrar um meteoro riscando o céu por aqui.

Superlua Cheia Azul (31/08)

A segunda Lua cheia que ocorre em um mesmo mês é apelidada de "Lua azul" no hemisfério Norte e, no finalzinho de agosto, essa "Lua azul" será ainda mais especial, já que vai ser uma superlua.

Eventos astronômicos de setembro

Equinócio de primavera (23/09)

O equinócio de setembro ocorre às 3h50 do dia 23, marcando o início da primavera no hemisfério Sul e o começo do outono no hemisfério Norte. Neste dia, ambos os hemisférios da Terra recebem aproximadamente a mesma quantidade de luz solar.

Superlua cheia (29/09)

A última superlua de 2023 acontece em 29 de setembro. Esta noite fica marcada como a oportunidade derradeira do ano em que poderemos nos maravilhar com a beleza do satélite natural da Terra parecendo maior e brilhando ainda mais intensamente em meio à escuridão.

Eventos astronômicos de outubro

Eclipse solar anular (14/10)

Em 14 de outubro, observadores em uma faixa dos Estados Unidos, cruzando parte do México, Belize, Honduras, Nicarágua, Panamá e Colômbia vão observar a Lua cobrindo o centro do Sol durante um eclipse solar anular, formando uma espécie de "anel de fogo" ao redor do nosso astro.

O fenômeno em sua plenitude será visível em uma pequena faixa do Brasil, representada em vermelho na imagem abaixo:

O eclipse começa logo depois do meio-dia, no horário de Brasília, seguindo até depois das 17h. Seu auge acontece às 16h45 e moradores de cidades como Natal (RN), João Pessoa (PB) e Juazeiro do Norte (CE) estão entre os mais privilegiados.

Pico da chuva de meteoros Oriónidas (22/10)

Causada pela entrada de detritos do cometa Halley na atmosfera terrestre, a chuva de meteoros Oriónidas começa neste dia 2 e segue até 7 de novembro, com pico ocorrendo na madrugada de 22 de outubro.

Procure o radiante dela na região da constelação de Orion — uma das constelações mais fáceis de se identificar, pois é ela quem abriga as famosas "três marias" em seu "cinturão".

A Lua estará iluminada pela metade, mas vai se pôr logo após a meia-noite, então é a partir deste horário que haverá mais chances de "pescar" algum meteoro riscando o céu. Em condições ideais de observação, longe da poluição luminosa, é possível ver até 20 meteoros por hora.

Eclipse lunar parcial (28/10)

No dia 28 de outubro acontece o último eclipse lunar do ano. A má notícia é que ele não será visto do Brasil, já que o fenômeno acontece antes de a Lua surgir acima da nossa linha do horizonte. O eclipse será visível em toda a África, Europa, Ásia e partes da Oceania.

Eventos astronômicos de novembro

Pico de chuva de meteoros Leônidas (18/11)

Esta chuva de meteoros começa no dia 6 de novembro e segue até o dia 30, com pico previsto para a madrugada do dia 18. Após as 3h da manhã, é só procurar pela constelação de Leão, no sentido nordeste, e torcer para flagrar algum meteoro cruzando o céu.

Causada pela passagem do cometa periódico 55P/Tempel-Tuttle, as Leônidas podem oferecer até 10 "estrelas cadentes" por hora.

Eventos astronômicos de dezembro

Pico da chuva de meteoros Gemínidas (13/12)

Dezembro traz consigo a chuva de meteoros Gemínidas, que começa no dia 4 e dura até o dia 17, com pico previsto para a madrugada do dia 13. Esse pico acontece logo após a Lua nova, o que facilita a observação de seus meteoros. Afinal, a Lua não aparecerá no céu desta noite, que estará bastante escura para destacar qualquer "risquinho" entre as estrelas.

Neste ano, astrônomos estimam que a Gemínidas pode proporcionar até 120 meteoros por hora durante seu pico.

Solstício de verão (22/12)

Finalmente, chegamos ao solstício de dezembro. O fenômeno ocorre às 00h28, no horário de Brasília, marcando o início do verão no hemisfério Sul, enquanto o hemisfério Norte começa seu inverno.

Este será o dia mais longo do ano para nós, com o Sol brilhando por mais tempo do que em qualquer outra data, enquanto moradores do norte do planeta terão o dia mais curto de 2023, com a noite chegando mais cedo.

*Com colaboração de Danielle Cassita