O céu (não) é o limite | Enorme tubo de lava descoberto em Marte, e muito mais!
Por Patricia Gnipper |

E chega o dia da semana em que o Canaltech dedica um tempo para manter você muito bem informado sobre o que está rolando de mais importante no universo científico, de maneira bem resumida. Assim, se você é do tipo que gosta de ficar por dentro dos avanços da astronomia, mas tem pouco tempo em seu dia a dia para isso, essa coluna te ajuda muito!
Vamos lá?
Enorme tubo de lava em Marte
A sonda Mars Reconnaissance Orbiter, da NASA, avistou (e fotografou!) um imenso tubo de lava em Marte, maior do que qualquer um que exista em nosso planeta. A abertura parece ter 50 metros de diâmetro, mas as sombras não permitem ver com clareza as partes que se romperam. Se este tamanho for mesmo confirmado, é possível que o tubo também tenha essas dimensões.
Há quem entenda que tubos de lava em outros mundos devam ser prioridade em missões, por vários motivos e, entre eles, está a ideia de que eles podem ser essenciais para a exploração presencial humana. Para alguns pesquisadores, eles são locais interessantes para a construção de habitats e bases.
Máxima aproximação de Marte registrada por brasileiros
Marte fez sua máxima aproximação com a Terra nos últimos dias, coisa que só acontece a cada 15 anos. E para não perder a oportunidade de ouro, um observatório brasileiro filmou tudo. O Observatório Zênite, localizado em Monte Carmelo, Minas Gerais, capturou imagens ricas em detalhes do Planeta Vermelho mais próximo de nós, quando esteve a uma distância de 62,7 milhões de quilômetros.
Veja abaixo:
Exoplanetas rochosos protegidos por gigantes iguais Júpiter
Um novo estudo mostra evidências de que planetas rochosos como a Terra, mas em outros sistemas estelares, costumam ocorrer junto de gigantes gasosos como Júpiter, com esses gigantes servindo como proteção para os menores.
A equipe simulou cerca de mil sistemas planetários em desenvolvimento, com diferentes características, em torno de uma estrela similar ao Sol, analisando o ciclo de vida desses sistemas durante alguns bilhões de anos. Entre os resultados, está a constatação de que cerca de 30% dos sistemas planetários que abrigam uma "Super-Terra" também abrigam um "Júpiter Frio".
Montanhas congeladas em Plutão, em processo inverso ao da Terra
Analisando dados obtidos pela já encerrada missão New Horizons, da NASA, cientistas descobriram que o gelo que cobre as montanhas de Plutão, em formações bem parecidas com as montanhas cobertas por neve na Terra, é formado, na verdade, por metano, revelando também que esse processo surge por lá de maneira bem diferente de como acontece com as montanhas congeladas do nosso planeta.
Para entender como a mesma paisagem poderia ocorrer sob diferentes condições, os pesquisadores desenvolveram um modelo 3D do clima de Plutão, onde simularam a atmosfera e a temperatura ao longo do tempo. Assim, eles descobriram que a atmosfera do planeta anão tem mais metano gasoso nas altitudes maiores e mais quentes, de modo que o gás fica saturado, sofre condensação e é congelado diretamente no pico das montanhas sem a necessidade da formação de nuvens. Já em altitudes mais baixas, o metano não congela porque há menos do gás, de modo que a condensação não acontece.
Betelgeuse: menor e mais próxima do que pensávamos
A polêmica estrela Betelgeuse, na verdade, é menor e está muito mais perto de nós do que sabíamos. Polêmica porque, recentemente, seu brilho mostrou variações fora dos padrões, o que levou muitos a acreditarem que ela, enfim, estaria se tornando uma supernova. Mas agora sabemos que isso não vai acontecer tão cedo — não ao menos nos próximos 100 mil anos.
Mais um cometa NEOWISE chegando
Depois do cometa C/2020 F3 NEOWISE ficar famoso neste ano, chegou a hora de mais um cometa aparecer em 2020: o C/2020 P1 NEOWISE, descoberto em agosto. Ele está se aproximando do Sol e brilhará no céu noturno para os moradores do Hemisfério Norte. Aqui no Sul, ele surgirá no horizonte acompanhando o nascer do Sol — ou seja, o céu estará claro demais para que possamos vê-lo, infelizmente.
BepiColombo se aproxima de Vênus
A sonda lançada pela ESA e pela JAXA em 2018 acaba de fazer sua primeira aproximação com o planeta Vênus, o que é necessário para que ela pegue um impulso gravitacional, acelerando sua viagem rumo a Mercúrio — seu destino final. Neste primeiro entre dois sobrevoos por Vênus, a sonda ficou a 10.720 km de distância da superfície; no segundo, ela chegará ainda mais perto, a apenas 550 km.
A ESA aproveitou a ocasião para divulgar imagens da aproximação da BepiColombo em Vênus, como esta abaixo:
Starship voando a Marte em 2024
Se depender apenas de Elon Musk, parece que o novo e poderoso foguete Starship, da SpaceX, deverá fazer um primeiro voo ao Planeta Vermelho já em 2024. Essa missão ainda não seria tripulada, e a data aproveitaria uma das janelas ideais para lançamentos entre a Terra e Marte.
Ambos os planetas se aproximam a cada 26 meses, e a janela de 2020 aconteceu em julho. Então, a próxima acontece em 2022, com mais uma em 2024 — esta que a SpaceX deseja aproveitar.
Nave russa faz último voo tripulado à ISS para a NASA
A nave russa Soyuz fez sua última viagem contratada pela NASA para levar astronautas norte-americanos à Estação Espacial Internacional (ISS). O voo aconteceu na semana passada e marcou um recorde: levou apenas três horas e três minutos para chegar lá. Ainda, o lançamento marca, provavelmente, o fim de uma era, já que, a partir de agora, tudo indica que os próximos transportes serão mesmo feitos com a SpaceX e, futuramente, com a Boeing.
Sonda OSIRIS-REx pousa e coleta amostras no asteroide Bennu
No início da noite desta terça-feira (20), a NASA comemorou o sucesso no momento mais crucial da missão OSIRIS-REx: o instante em que ela encostou no asteroide Bennu, disparando um jato de nitrogênio pressurizado, este que levantou uma quantidade de poeira e detritos o suficiente para a coleta de pelo menos 60 gramas de amostras — ao menos essa é a expectativa da NASA, ainda que a nave consiga acomodar até dois quilos em seu compartimento especial para isso. A agência ainda confirmará, nesta semana, a quantidade de amostras que a nave foi capaz de "abocanhar". Os próximos passos envolvem o retorno da sonda à Terra — algo que acontecerá em 2023.
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