Campo magnético do tamanho de um buraco negro pode ser criado na Terra

Por Daniele Cavalcante | 14 de Outubro de 2020 às 10h20
Dana Berry/NASA

Uma equipe de cientistas demonstrou, através de simulações, que a tecnologia atual já é capaz de criar, aqui na Terra, um campo magnético equivalente ao de um buraco negro. Por enquanto, isso ainda está no papel — ou melhor, nas simulações virtuais de supercomputador —, mas em breve um experimento pode tentar reproduzir essa façanha no mundo real. Isso seria muito útil para astrofísicos que estudam coisas como buracos negros e a energia escura do universo.

Esses campos magnéticos ultra potentes podem ser criados pela explosão de microtúbulos através de lasers, de acordo com o artigo publicado na revista Scientific Reports, pelo engenheiro Osaka Masakatsu Murakami e seus colegas. Isso seria de grande valor para que novas pesquisas sejam realizadas no campo da física, ciência dos materiais e astronomia.

Só para se ter uma noção da potência do campo magnético proposto no estudo, vamos comparar com alguns outros gerados por tecnologias cotidianas. Uma bússola, por exemplo, funciona através de um campo geomagnético que é medido entre 0,3 e 0,5 gauss (gauss é uma unidade de densidade de fluxo magnético). A imagem por ressonância magnética (MRI) usada em hospitais normalmente produz campos com cerca de 10.000 gauss, que corresponde a 1 tesla. Existem máquinas de ressonância magnética de que registram 10,5 tesla, ou 105.000 gauss, e já houve um experimento de laboratório que criou um campo de 1.200 tesla — ultrapassando 1 kilotesla.

Esse parece ter sido o nosso recorde até o momento, mas a proposta da equipe de Murakami extrapola e muito este marco: as simulações apresentadas no estudo sugerem que é possível gerar um campo magnético de até 1 megatesla — ou seja, 1 milhão de tesla. Os cientistas por trás do estudo propõe que para isso, basta disparar pulsos de laser ultra-intensos em tubos ocos e muito pequenos, com apenas alguns mícrons de diâmetro (1 mícron é igual a um milímetro dividido por mil).

Esses disparos de laser poderiam energizar os elétrons existentes nas paredes dos tubinhos e fazer com que alguns saltassem para a cavidade oca no centro do objeto, implodindo o tubo. As interações desses elétrons ultra-quentes e o vácuo criado enquanto o tubo implode acaba criando um fluxo de corrente elétrica e, por consequência, cria-se um campo magnético que pode ser amplificado e extrapolado a extremos, até a ordem de megatesla.

Esse campo magnético não duraria muito — teria duração de apenas 10 nanossegundos. Mas isso seria tempo o suficiente para que os cientistas possam observar o comportamento desse fenômeno, analisando o funcionamento das partículas. Assim, a física moderna teria muitos benefícios ao estudar um campo magnético como este para tentar entender a matéria escura, que é algo invisível que parece estar presente em toda parte no universo.

Fonte: Space.com

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