Um processo contrário ao que temos na Terra está congelando montanhas em Plutão

Por Danielle Cassita | 13 de Outubro de 2020 às 20h20
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Lançada em janeiro de 2006, a missão New Horizons sobrevoou Plutão em 2015 e revelou a complexidade do planeta anão em uma missão histórica. Agora, uma nova pesquisa conduzida por uma equipe internacional de cientistas analisou os dados coletados pela missão, e eles descobriram que o gelo que cobre as montanhas do planeta, em formações bem parecidas com as montanhas cobertas por neve na Terra, é formado, na verdade, por metano.

Neste estudo, os cientistas analisaram os dados sobre a atmosfera e a superfície de Plutão com simulações numéricas do clima, que revelaram que a cobertura de gelo das montanhas do planeta é criada em um processo bem diferente daquele que temos na Terra. “É particularmente interessante ver que duas paisagens bem parecidas na Terra e Plutão podem ser criadas por processos bem diferentes", diz Tanguy Bertrand, pesquisador de pós-doutorado no Ames Research Center, da NASA, e principal autor do estudo. A princípio, objetos como a lua Tritão, de Netuno, poderiam ter um processo similar, mas não há mais nenhum lugar no Sistema Solar com montanhas cobertas de gelo dessa maneira, além da Terra.

Detalhe da imagem destaca o metano congelado em Plutão (Imagem: Reprodução/NASA/JHUAPL/SwRI and Ames Research Center/Daniel Rutter)

Para entender como a mesma paisagem poderia ocorrer sob diferentes condições, os pesquisadores desenvolveram um modelo 3D do clima de Plutão, onde simularam a atmosfera e a temperatura ao longo do tempo. Assim, eles descobriram que a atmosfera do planeta anão tem mais metano gasoso nas altitudes maiores e mais quentes, de modo que o gás fica saturado, sofre condensação e é congelado diretamente no pico das montanhas sem a necessidade da formação de nuvens. Já em altitudes mais baixas, o metano não congela porque há menos do gás, de modo que a condensação não acontece.

No nosso planeta, a temperatura atmosférica cai de acordo com a altitude, de modo que o frio da atmosfera esfria a temperatura da superfície. Quando ventos úmidos se aproximam de uma montanha da Terra, a água deles esfria e se condensa, formando nuvens e a neve do topo das montanhas. Já em Plutão, acontece o contrário: a atmosfera do planeta se aquece com o aumento da altitude devido ao metano, que fica mais concentrado em altitudes elevadas e absorve radiação solar. Entretanto, a atmosfera é fina demais para impactar a temperatura da superfície, que se mantém constante.

Esse processo não só cria as coberturas de neve nas montanhas de Plutão, como também forma características similares nas crateras — o terreno misterioso da região Tartarus Dorsa, em volta do equador do planeta anão, também pode ser explicado por esse ciclo. “Plutão é realmente um dos melhores laboratórios naturais que temos para explorar os processos físicos e dinâmicos envolvidos quando componentes que se movem regularmente entre o sólido e o gasoso interagem com a superfície do planeta”, disse Bertrand. "O sobrevoo da New Horizons revelou paisagens glaciais impressionantes, sobre as quais continuamos aprendendo".

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Nature Communications.

Fonte: NASA

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