Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (10/10 a 16/10/2020)

Por Daniele Cavalcante | 17 de Outubro de 2020 às 11h00
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Chegamos a mais um sábado, dia do já tradicional compilado de imagens selecionadas pela NASA ao longo da semana. Dessa vez, as nebulosas e galáxias são o destaque, para a sorte dos amantes desses objetos cósmicos incríveis. Mas também há imagens do cosmos no céu noturno terrestres, contrapondo com locais inusitados do nosso planeta. Esse tipo de composição é bastante poética e nos faz pensar sobre o lugar da Terra no universo.

Sem mais enrolação, vamos às imagens!

Sábado (10/10) — Aglomerado de galáxias

(Imagem: Reprodução/Fernando Pena)

Quantas galáxias você consegue contar nessa imagem? Se você tentar contabilizá-las, provavelmente confundirá muitas galáxias com estrelas. Na verdade, existem quase duas mil galáxias neste cenário impressionante.

Essas galáxias estão muito longe de nós, mas não tão longe em termos cósmicos. Trata-se do aglomerado de Virgem, localizado a cerca de 50 milhões de anos-luz da Terra. Apesar da distância difícil de mensurar com a mente humana, é o aglomerado de galáxias mais próximo de nosso grupo de galáxias local. Ou seja, existem inúmeros outros muito além.

Como o nome sugere, ele fica na direção da constelação de Virgem, então se você tiver um bom telescópio, basta procurar nessa região do céu noturno, e foi isso o que este astrofotógrafo fez, em uma noite no estado de Jalisco, México. O aglomerado abrange aproximadamente 1.300 galáxias, e cientistas sugerem que talvez chege a 2.000. Você não vai conseguir conta-las nessa imagem, mas pode distinguir bem algumas delas, como algumas das famosas galáxias elípticas do catálogo Messier: M87, M84 e M86.

Provavelmente a galáxia elíptica gigante M87 chamou muita a sua atenção, pois é a maior dessa imagem. Se você achou o nome familiar, não é à toa: no coração dessa galáxia colossal está o buraco negro supermassivo que entrou para a história ao se tornar o primeiro (e por enquanto o único) buraco negro já fotografado pela humanidade.

Domingo (11/10) — Via Láctea sobre Pináculos

(Imagem: Reprodução/Michael Goh)

A Via Láctea nunca decepciona ao proporcionar incríveis cenários, principalmente quando fazem um contraponto com paisagens terrestres fascinantes como esta. Aqui, o centro galáctico se ergue em arco sobre os Pináculos, uma série de torres rochosas peculiares localizadas no Parque Nacional de Nambung, na Austrália Ocidental. Eles são feitos de um material baseado em calcário, que veio das conchas do mar, mas ninguém sabe exatamente como eles se formaram.

A matéria-prima para o calcário se formou quando as conchas foram sopradas para o interior da região, quebrando-se no processo. Isso aconteceu há muito tempo, em uma era quando o mar era ainda mais rico em vida marinha. No entanto, a maneira como essas matérias-primas calcárias formaram os Pináculos ainda é um assunto em debate entre os cientistas.

Logo acima do pináculo central está a Lua, cercada por um brilho bastante impressionante. Esse brilho na verdade vem da luz zodiacal, formada pela luz do Sol refletida por grãos de poeira que orbitam entre os planetas do Sistema Solar. É uma luz sempre presente durante a noite e cobre completamente o céu, sendo responsável por 60% da luz natural em uma noite sem Lua. Mas não é sempre que podemos vê-la como retratada nesta imagem.

No topo está, obviamente, a faixa central de nossa Via Láctea, junto de um monte de estrelas conhecidas e nebulosas visíveis no céu noturno. O cenário é composto por 29 fotos tiradas em setembro de 2015, e a composição não foi fruto do acaso: foi necessário bastante planejamento para conseguir fotografar a Lua, a Via Láctea e os Pináculos nessas posições. A luz zodiacal intensa, entretanto, não foi planejada, ela apareceu de surpresa, brindando o fotógrafo e nos proporcionando uma visão ainda mais incrível.

Segunda-feira (12/10) — OSIRIS-REx desce em Bennu  

Na próxima terça-feira, a NASA comandará as manobras da OSIRIS-REx para realizar a primeira missão norte-americana de coleta de amostras em um asteroide. No caso, o Bennu, que é um amontoado de rochas menores e entulho espacial que se aglutinou ao longo de milhões de milhares de anos.

Pousar uma nave robótica em um asteroide não será uma tarefa fácil, mas a NASA preparou tudo nos mínimos detalhes. A missão será acompanhada por uma cobertura em tempo real, transmitida ao vivo pela agência espacial.

No vídeo, a NASA nos proporciona um rápido vislumbre em primeira pessoa de como será a descida da OSIRIS-REx rumo ao local Nightingale, onde a coleta de material será feita. A nave então retornará à Terra para que as amostras sejam analisadas em laboratórios.

Terça-feira (13/10) — Cosmos sobre a tumba

(Imagem: Reprodução/Cem Özkeser)

Acima de uma antiga tumba protegida por leões de pedra, erguem-se no céu três grandes objetos cósmicos bem famosos. No canto superior esquerdo estão as Pleiades, um aglomerado de estrelas azuis, provavelmente o aglomerado estelar mais famoso do nosso céu noturno por serem facilmente encontradas perto da ainda mais famosa constelação de Órion. As Plêiades ficam a cerca de 450 anos-luz de distância da Terra.

No canto superior direito está a Galáxia de Andrômeda, também muito conhecida pois foi uma das primeiras a ser descoberta. Na verdade, foi ao observar uma estrela na Andrômeda que o astrônomo Eddwin Hubble percebeu que as até então chamadas nebulosas eram, na verdade, galáxias distantes da nossa. Por fim, bem acima da rocha que abriga a tumba, está Marte.

Quando à tumba em si, está localizada no Vale Phygrian, na Turquia, e é parte do que restou de uma poderosa civilização que viveu ali há milhares de anos. Em cada um dos lados da entrada, há um leão de pedra.

Quarta-feira (14/10) — Rho Ophiuchi

(Imagem: Reprodução/Amir H. Abolfath)

Quando vemos muitas cores em uma estrutura cósmica, sabemos que há muitos processos acontecendo ali, processos esses que provavelmente resultarão na formação de estrelas e mundos. Mesmo quando são cores falsas, as informações e dados são verdadeiros, e os tons acabam sendo úteis para entender o que está acontecendo. Neste caso, estamos olhando para o espetáculo colorido das nuvens Rho Ophiuchi, uma nebulosa escura de gás e poeira a 394 anos-luz de distância da Terra.

As tonalidades azuis são reflexo da luz do sistema estelar Rho Ophiuchi e de estrelas próximas. Elas refletem melhor sobre essa parte da nebulosa do que a luz vermelha. Já as regiões avermelhadas e amarelas brilham por causa da emissão do gás atômico e molecular da nebulosa. Por fim, as partes marrom-escuras ganham essa cor por causa dos grãos de poeira que bloqueiam a luz emitida por trás deles. Infelizmente nossos olhos não seriam capazes de ver as cores reais dessa nebulosa, mas seria espetacular: ela emite luz em todas as faixas de comprimento de onda do rádio ao raio gama, que são invisíveis para nós.

Quinta-feira (15/10) — Quinteto galáctico 

(Imagem: Reprodução/Robert Eder)

Algumas galáxias dessa imagem merecem uma atenção especial. Uma delas é a NGC 7331, no lado superior direito, localizada a "apenas" 50 milhões de anos-luz de distância. Uma distância inimaginável para nós, humanos, mas um pequeno salto cósmico em relação às galáxias mais antigas e mais afastadas. Essa grande espiral é uma das galáxias mais brilhantes não incluídas no catálogo Messier.

No lado inferior esquerdo, você pode encontrar um grupo de galáxias aparentemente menores. Na verdade, é que elas estão mais distantes, a 300 milhões de anos-luz da Terra. Talvez você não consiga contar quantas galáxias exatamente existem nesse agrupamento, mas ele é conhecido como Quinteto de Stephan. São galáxias em colisão, interagindo uma com a outra em um processo de provável fusão.

Bem, apesar da colisão, não se tornarão todas apenas uma galáxia, mas ao menos quatro delas devem se fundir, em especial a NGC 7318b com a NGC 7318a. É que na verdade, uma delas não está tão perto da outra: a NGC 7320 está a apenas 40 milhões de anos-luz da Terra e só faz parte do quinteto porque se posiciona relativamente próxima em relação à nossa perspectiva.

Sexta-feira (16/10) — Abel 78

(Imagem: Reprodução/Bernhard Hubl)

Esta é Abell 78, uma nebulosa planetária localizada a cerca de 5.000 anos-luz de distância na constelação de Cygnus. Possui um halo fraco, formado principalmente por hidrogênio, e um anel elíptico interno, composto em sua maior parte de hélio. Seu brilho se deve pela emissão de átomos ionizados na malha de material ejetado por uma estrela central. O brilho azul-esverdeado que vemos dando voltas na região central mostra a emissão de átomos de oxigênio duplamente ionizados. Já as faixas avermelhadas externas são de elétrons que se recombinam com átomos de hidrogênio. A nebulosa tem cerca de três anos-luz de diâmetro.

Fonte: APOD

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