Sonda que vai estudar Mercúrio faz sua 1ª aproximação com Vênus; veja fotos

Por Patrícia Gnipper | 15 de Outubro de 2020 às 12h40
ESA

A sonda BepiColombo, lançada em outubro de 2018 e fruto de uma parceria entre a agência espacial europeia ESA e a japonesa JAXA, tinha dois sobrevoos pelo planeta Vênus programados, tudo para conseguir um impulso gravitacional a fim de acelerar sua viagem a Mercúrio, seu destino final. Agora, a ESA confirmou que o primeiro sobrevoo pelo "planeta infernal" acaba de acontecer, ficando a 10.720 km de distância da superfície.

A nave precisa, na verdade, de nove impulsos gravitacionais do tipo em sua jornada, sendo um na Terra, dois em Vênus e seis em Mercúrio, antes de entrar em órbita ao redor do menor planeta do Sistema Solar — o que vai acontecer em 2025. Um sistema de propulsão elétrica solar, a bordo da espaçonave, ajuda a BepiColombo em sua orientação, garantindo que ela não seja atraída pela gravidade do Sol.

Visão geral dos sobrevoos da BepiColombo em Vênus (Imagem: Reprodução/ESA)

O primeiro sobrevoo (o da Terra) aconteceu em abril deste ano, quando a BepiColombo aproveitou para nos presentear com belas fotografias de nosso planeta. Agora, Elsa Montagnon, gerente de operações da missão na ESA, confirma que "o sobrevoo [em Vênus] foi muito bem-sucedido". E, claro, a sonda tirou algumas fotos neste momento, acionando duas de suas três câmeras por algumas horas.

A ESA explica que "de longe, Vênus é visto como um pequeno disco no campo de visão da câmera, próximo ao corpo da espaçonave e, durante a fase de aproximação mais próxima, o planeta domina a visão". Veja as duas imagens abaixo:

A primeira foto mostra Vênus como um pequeno disco luminoso em meio à escuridão (Imagem: Reprodução/ESA)
Já a segunda foto, tirada pouco antes da máxima aproximação, mostra Vênus com bastante destaque (Imagem: Reprodução/ESA)

Durante o sobrevoo, por sinal, a BepiColombo manteve ativos vários de seus instrumentos científicos, aproveitando a proximidade com Vênus para coletar dados valiosos — ainda mais agora, considerando a recente detecção de fosfina na atmosfera venusiana. Afinal, se há uma sonda passando por lá, é a oportunidade perfeita para tentar avaliar a presença dessa possível bioassinatura, enquanto agências como a NASA e até mesmo empresas privadas, como a Rocket Lab, preparam suas próprias missões investigativas que viajarão para lá nos próximos anos.

"Teremos que ser pacientes enquanto nossos especialistas em Vênus examinam cuidadosamente os dados, mas esperamos ser capazes de fornecer alguns perfis de temperatura e densidade da atmosfera, informações sobre a composição química e cobertura de nuvens, e sobre a interação do ambiente magnético entre os Sol e Vênus", explica Johannes Benkhoff, cientista de projetos da missão na ESA. Contudo, ele diz também que a agência só deverá divulgar resultados dessas análises no próximo ano, esperando reuni-los com os que serão obtidos no próximo sobrevoo da BepiColombo por Vênus — algo previsto para o dia 10 de agosto de 2021, quando a nave ficará a apenas 550 km da superfície do planeta.

Fonte: ESA

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