Review Jeep Renegade Sport | Consumo é o grande inimigo

Por Paulo Amaral | Editado por Jones Oliveira | 22 de Janeiro de 2022 às 08h30
Paulo Amaral/Canaltech

O Jeep Renegade é um sucesso de vendas no Brasil, e os números estão aí para comprovar. O SUV foi o mais vendido do Brasil em 2021 e o terceiro carro mais vendido do país no ranking geral do ano passado, atrás somente do Fiat Argo e do Hyundai HB20.

A reportagem do Canaltech, que já havia passado uma semana avaliando a versão Moab, equipada com motor 2.0 turbodiesel e pegada off-road, também passou alguns dias a bordo da Sport, variante mais urbana do SUV.

As diferenças entre os modelos, se são praticamente imperceptíveis no visual — embora existam algumas —, ficam evidentes já na virada da chave no contato. O motor 1.8 flex do Renegade Sport, além de ser menos potente do que o da Moab, também é menos impactante ao ligar. E as diferenças não param por aí, como você verá na análise do Jeep Renegade Sport.

Visual do Jeep Renegade Sport é mais "limpo" que o da variante Moab (Imagem: Paulo Amaral/Canaltech)

Prós

  • Design
  • Conforto
  • Isolamento acústico
  • Preço

Contras

  • Desempenho
  • Consumo
  • Poucos airbags
  • Porta-malas pequeno

Conectividade e Segurança

O Jeep Renegade Sport testado pelo Canaltech veio equipado com o pacote disponível na versão de entrada, STD, acrescido de uma série de opcionais, como câmera de ré, sistema multimídia de 7 polegadas com Bluetooth, comandos por voz, Apple CarPlay e Android Auto (via cabo), controle de rádio no volante, ar-condicionado digital Dual Zone e sensor de estacionamento traseiro.

O computador de bordo também é interessante e mostra informações de consumo (médio e imediato), indicador de troca de marcha, previsão para a próxima revisão e outros pontos a respeito do funcionamento do veículo. O modelo ainda tem USB disponível para os ocupantes do banco traseiro, útil para quem precisa recarregar o celular.

Cabine do Jeep Renegade Sport (Imagem: Paulo Amaral/Canaltech)

Em termos de segurança, a variante Sport do Jeep Renegade peca por não disponibilizar airbags laterais, oferecendo o item apenas nas posições frontais, para motorista e passageiro. Pelo menos a versão também traz de série controle de tração e estabilidade, luzes de condução diurna, monitoramento de pressão dos pneus, assistente de partida em rampa, alarme antifurto periférico, sistema start/stop, freio de estacionamento eletrônico e assistente de partida em rampa.

Conforto e experiência de uso

Como dissemos logo no início da análise, as diferenças entre as versões Moab e Sport do Jeep Renegade já começam ao girar a chave no contato. E continuam na hora em que o câmbio sai do “N” para o “D”. O motor menos potente (139 cv no etanol contra 170 cv no diesel) e o torque menor (19,3 kgfm x 35,7 kgfm) são sentidos quase que imediatamente.

O peso do SUV (1.393 kg) é muito superior à potência entregue pelo motor flex 1.8, tornando e a condução, que é tão agradável na versão Moab, acaba ficando bastante prejudicada. O carro até que se comporta bem de uma maneira geral, mas visivelmente “sofre” em determinadas situações, principalmente quando retomadas rápidas são exigidas.

Renegade Sport tem espaço de sobra para até cinco ocupantes (Imagem: Paulo Amaral/Canaltech)

Como precisa fazer um esforço maior para empurrar o Renegade Sport, o conjunto, que ainda conta com um câmbio automático de 6 velocidades (3 a menos do que na versão diesel) acaba gerando um consumo maior de combustível. E esse, sem dúvida, foi o ponto que mais jogou contra na avaliação do Canaltech, principalmente em tempos de combustível com preços tão elevados.

A reportagem constatou, durante percurso puramente urbano, um consumo médio abaixo do previsto pelas medições do Inmetro. Enquanto o órgão aponta média de 6,7 km/l, a aferição do Canaltech registrou 4,8 km/l. Os números melhoraram um pouco quando o Jeep Renegade Sport foi submetido a uma rápida viagem até Jundiaí, no interior de São Paulo, subindo para 7,3 km/l no trajeto rodoviário, mais perto do número divulgado pelo Inmetro, que é de 7,4/l nessas condições.

Painel conta com informações digitalizadas na parte central (Imagem: Paulo Amaral/Canaltech)

Consumo elevado e pouca potência à parte, o SUV tem seus pontos fortes, como o silêncio da cabine, a boa suspensão e a dirigibilidade, mesmo não herdando a tração 4x4 da versão mais aventureira — ela é 4x2, com tração dianteira. O espaço interno também é excelente, já que tem as mesmas dimensões de toda a família, mas o porta-malas, mais uma vez, conta pontos contra, pois também carrega os mesmos 320 litros da variante Moab.

"A Renegade versão Sport atrai pelo visual, similar ao das "irmãs", mas deixa muito a desejar no quesito condução, já que o motor 1.8 visivelmente "sofre" para empurrar o pesado SUV"

— Paulo Amaral

Design e acabamento

O design do Jeep Renegade Sport é praticamente o mesmo que faz sucesso em todas as versões da família. A variante emprestada para a reportagem contava com bancos revestidos em couro — algo que é vendido como opcional, e sentimos falta na versão Moab —, maçanetas e retrovisores externos na cor preta, rodas de liga leve de 17 polegadas, revestimento externo nas colunas das portas e rack de teto na cor preta.

Por dentro, o acabamento apresentou os mesmos pontos negativos da Moab, principalmente no tangente ao uso excessivo de plástico duro nos painéis e nas portas do SUV.

Pontos positivos para o porta-celular e o porta-óculos, além de um pequeno compartimento abaixo do painel, perfeito, por exemplo, para guardar o controle remoto do portão da garagem.

Retrovisores do Renegade Sport são na cor preta (Imagem: Paulo Amaral/Canaltech)

Concorrentes

A lista de concorrentes do Jeep Renegade Sport 1.8 flex tem, além das versões de entrada do Volkswagen T-Cross, do Hyundai Creta, do Chevrolet Tracker e do Honda HR-V, os modelos Duster e Captur da Renault.

Logo de saída, dá para afirmar que o consumo e a falta de potência do motor podem ser considerados pontos negativos no comparativo com os SUVs rivais, e que ocupam faixa de preço similar. O HR-V em sua versão ELX, dotada do mesmo motor, por exemplo, teve desempenho melhor e menor consumo de combustível.

A vantagem que o modelo da Jeep leva, sem dúvida, é o visual distinto, talvez um dos motivos que expliquem o enorme sucesso de vendas desde que a primeira versão foi lançada no Brasil em 2015.

"Apesar de ficar devendo em motorização e consumo, não dá para negar que o Renegade Sport carrega o mesmo "charme" das demais versões e tem um preço atraente"

— Paulo Amaral

Veredicto

Diante de tudo o que foi dito em nossa análise, o que dá para dizer sobre o Jeep Renage Sport? O modelo, quando comparado a veículos de diferentes categorias, hoje com preços beirando ou até ultrapassando a casa dos R$ 100 mil, tem enormes benefícios.

Além do design arrojado, a segurança e o conforto de um SUV são incomparáveis com modelos mais simples de carros. A variante testada pelo Canaltech custa, hoje, a partir de R$ 112 mil. No comparativo com os rivais diretos, no entanto, fica a sensação de que o sucesso da versão, responsável pela maior parte das vendas do modelo, talvez tenha prazo para terminar.

Design arrojado e conforto são grandes atrativos do Jeep Renegade Sport (Imagem: Paulo Amaral/Canaltech)

No Canaltech, o Jeep Renegade Sport 1.8 Flex foi avaliado graças a uma unidade gentilmente cedida pelo Grupo Stellantis.