CEO da Huawei quer “reiniciar” relacionamento com o governo dos EUA

Por Felipe Demartini | 11 de Fevereiro de 2021 às 08h12
Reprodução/Huawei

O CEO e fundador da Huawei, Ren Zhengfei, pediu publicamente por um reinício nas relações entre o governo dos Estados Unidos e a empresa. Em uma entrevista coletiva concedida a jornalistas, o executivo disse esperar uma ligação do presidente Joe Biden e posturas mais abertas de sua administração, de forma que tanto a economia norte-americana quando a chinesa possam se beneficiar da melhoria nas relações comerciais entre os países.

As relações com a China foram assunto constante durante a campanha presidencial e, na última semana, Biden voltou a afirmar que suas políticas não seriam semelhantes às de seu antecessor, Donald Trump. Por outro lado, como parte de um programa de fomento a indústrias e geração de empregos nos EUA, ele afirmou que haverá extrema competição com o país asiático, mas não conflito, enquanto regras internacionais de comércio devem ser seguidas por ambos.

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Por enquanto, porém, o presidente norte-americano não tocou na questão da Huawei, que segue proibida de fazer negócios com empresas dos Estados Unidos. A inclusão da fabricante em uma lista de banimento foi um dos destaques da gestão de Trump, que Zhengfei, agora, deseja ver revertida em prol da expansão da capacidade produtiva da fabricante e, consequentemente, de um aumento nas vendas para o segmento de tecnologia do país norte-americano.

O CEO afirmou que espera ver Biden considerando tais interesses na hora de rever tais sanções e que a compra de componentes, insumos e peças de fabricantes dos Estados Unidos ainda está nos planos da Huawei. Por outro lado, a empresa também espera poder fornecer equipamentos e tecnologia ao país, apesar de o executivo não ter entrado na questão mais polêmica — e lucrativa — de todas, envolvendo a instalação da infraestrutura de internet 5G.

Ren Zhengfei, CEO e fundador da Huawei, disse ter esperanças de voltar a negociar com os americanos e que tanto China quanto Estados Unidos devem se beneficiar de um estabelecimento das relações (Imagem: Divulgação/Huawei)

O único comentário sobre o assunto acompanhou um elogio à Apple, com o iPhone 12 sendo taxado pelo CEO como o melhor smartphone da atualidade. Segundo ele, os usuários do aparelho na Europa já estão atestando a qualidade das redes 5G instaladas pela Huawei, assim como os donos de outros dispositivos de alto padrão, em uma demonstração de que os dispositivos e sistemas são seguros e de qualidade.

Zhengfei também dispensou os rumores de que a Huawei estaria interessada em vender sua divisão de smartphones, afirmando que isso vale não apenas para os celulares como para toda e qualquer outro setor de dispositivos da companhia. Os rumores dialogam diretamente com o banimento nos EUA e a proibição do uso do sistema operacional Android nos aparelhos, que já levou, por exemplo, à comercialização da subsidiária Honor como, segundo a empresa chinesa, uma medida de proteção de marca.

O governo dos Estados Unidos não se pronunciou sobre possíveis negociações com a Huawei ou mudanças nas ordens de banimento de Trump. A fala do CEO da empresa soa esperançosa, mas a palavra oficial de Biden mantém o discurso de que a fabricante pode ser uma ameaça à segurança nacional do país e que as redes 5G serão instaladas com dispositivos de “aliados”, de forma a proteger os dados dos cidadãos e garantir investimentos internos.

Fonte: The Verge, Correio Braziliense, VEJA  

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