Governo de Joe Biden não deve aliviar sanções à Huawei

Por Felipe Junqueira | 05 de Fevereiro de 2021 às 18h40
Reprodução/Open Grid Scheduler

A troca de presidente nos Estados Unidos não deve causar nenhuma grande mudança no tratamento do país com a Huawei e outras companhias chinesas impedidas de fazerem negócios com empresas americanas. Ao menos é o que deu a entender a opção de Joe Biden para a Secretaria do Comércio, Gina Raimondo.

Governadora de Rhode Island desde 2015, a democrata respondeu a algumas perguntas de senadores Republicanos, enviadas por escrito. Uma delas tratava das sanções à Huawei e à fabricante de semicondutores Hikvision, colocadas na lista de entidades que não podem fazer negócios com companhias baseadas nos Estados Unidos sem permissão expressa do governo para vender ou transferir tecnologias americanas.

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“Acredito que empresas são incluídas na Lista de Entidades e na Lista de Usuários Finais Militares geralmente porque representam algum risco à segurança nacional ou a interesses da política externa. Hoje, não vejo razão para acreditar que entidades nestas listas não deveriam estar ali”, disse a indicada, que precisava da aprovação dos senadores para assumir a Secretaria do Comércio.

Mudança de postura

Gina Raimondo, indicada por Biden para Secretaria do Comércio dos EUA (Imagem: Kenneth C. Zirkel/Wikimedia Commons)

Raimondo já havia passado por uma espécie de sabatina no Senado em 26 de janeiro, e não se comprometeu a manter a Huawei na lista de embargo. Representantes do Partido Republicano seguraram a confirmação de sua nomeação, e enviaram novas perguntas por escrito, o que pode explicar a tomada de posição mais firme agora.

“Se confirmado (o perigo à segurança nacional), espero por um briefing sobre essas entidades e outras que possam nos preocupar”, completou a democrata, que conseguiu 21 votos favoráveis e 3 contrários à sua nomeação no Comitê de Comércio, Ciência e Transporte do Senado.

Em um pedido de comentário sobre as declarações de Raimondo, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Wenbin, insistiu para que “parem com essa opressão desenfreada contra empresas chinesas”.

Embargo e queda da Huawei

O embargo contra a Huawei foi imposto pelo ex-presidente americano Donald Trump, ainda em 2019, alegando que a companhia espionava usuários americanos. Depois de conseguir bons resultados nos primeiros trimestres após as restrições, a até então maior fabricante de celulares da China amargou forte queda em 2020 e fechou o quarto trimestre atrás de Apple, Samsung, Xiaomi e Oppo, segundo a consultoria IDC.

A empresa, que está proibida de fazer negócios com Google, Qualcomm e outras companhias de origem americana, trabalha em um ecossistema próprio e quer lançar um sistema operacional, o HarmonyOS, que segundo um desenvolvedor seria apenas uma modificação do Android 10.

Fonte: Bloomberg

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