iPad Pro com tela MiniLED apresenta problema de "blooming" no display; entenda

iPad Pro com tela MiniLED apresenta problema de "blooming" no display; entenda

Por Renan da Silva Dores | Editado por Wallace Moté | 25 de Maio de 2021 às 17h40
Reprodução/Wccftech

A nova geração do iPad Pro foi anunciada no final de abril, trazendo inúmeras melhorias de peso em diversas áreas. A maior delas foi a adoção do chip Apple M1, chipset proprietário da gigante de Cupertino que tem dado trabalho para soluções mais robustas de empresas como AMD e Intel. Outra mudança de destaque foi a tela, adotando um novo tipo de display, o MiniLED.

O novo painel empolgou entusiastas por prometer entregar um nível de contraste muito superior ao IPS LCD tradicional, utilizado na geração anterior do iPad, mantendo o elevado brilho e a precisão de cores. No entanto, agora que o tablet chegou às mãos dos usuários, um número crescente de reclamações começou a surgir, em decorrência do chamado "blooming".

Painel MiniLED: o que é?

Um painel LCD, como o utilizado na maioria dos TVs e monitores, utiliza camadas de cristal líquido para exibir as cores e imagens, mas depende de um conjunto de lâmpadas de LED para acender de fato. Essas lâmpadas são posicionadas logo atrás das camadas de cristal, o que justifica a espessura avantajada desses eletrônicos.

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O LCD de TVs e monitores não entregam grande contraste, já que os cristais líquidos não barram a luz por completo (Imagem: Divulgação/Samsung)

Normalmente, um número razoável de lâmpadas, em média 500 a 600, são utilizadas. Esses componentes costumam operar de maneira integrada, isto é, estão acesos ou apagados ao mesmo tempo. Como consequência, o contraste desse tipo de tela é baixo, com áreas que deveriam apresentar tons pretos mostrando tons de cinza, já que a luz não é completamente barrada pelos cristais líquidos.

Uma das saídas para reduzir esse problema foi a introdução dos painéis MiniLED, que utilizam LEDs significativamente menores em maior quantidade. Essa característica é associada com uma tecnologia chamada Local Dimming, dedicada a fazer com que as lâmpadas operem em grupos, ou zonas. Dessa maneira, em cenas que contenham trechos escuros, apenas algumas zonas são acesas para exibir a imagem.

A tela MiniLED da Apple conta com 10 mil LEDs e 2.500 zonas de Local Dimming (Imagem: Reprodução/Apple)

No caso do novo iPad Pro, a Apple utilizou 10 mil lâmpadas de LED, resultando em 2.500 zonas de Local Dimming. Segundo a fabricante, essas configurações seriam capazes de entregar um contraste respeitável de 1.000.000:1, enquanto um IPS LCD tradicional costuma apresentar contraste de 1.000:1. Mas ainda há um problema.

iPad Pro de 12,9" sofre com "blooming"

Mesmo que haja um número considerável de zonas, a tela MiniLED do iPad Pro ainda está sujeita a problemas como o "blooming", que não passa de uma espécie de vazamento de luz. Em cenas com contraste muito alto, como um texto em branco exibido em fundo preto, por exemplo, é possível notar uma aura de luz em torno do objeto iluminado, como na imagem a seguir.

A luz das zonas acesas vaza para as zonas apagadas, gerando o blooming (Imagem: Teoh Yi Chie)

Isso acontece porque a luz das zonas acesas inevitavelmente vaza para a região das zonas mais escuras. Como citado anteriormente, os cristais líquidos do LCD não conseguem barrar a luz por completo, e é aí que o blooming acontece. É importante destacar que imagens dinâmicas e com menor variação de contraste não sofrem tanto quanto cenas em que haja muitas regiões escuras.

Há realmente um problema?

Como aponta o site PhoneArena, a "falha" não é exatamente um problema do iPad, mas da tecnologia, e não é tão visível pessoalmente. As imagens divulgadas pelos usuários exageram o blooming, já que os smartphones e câmeras mais básicas tentam compensar a falta de luminosidade em ambientes escuros, como os das fotos capturadas por usuários, intensificando a aura de vazamento de luz do iPad.

Além disso, o ângulo em que o usuário se posiciona em relação ao display também influencia os resultados. O blooming é mais notável quando a tela é vista pelas laterais, o que também pode ser notado nos casos relatados, todos capturados em uma angulação distinta.

Utilizando uma Sony A7 III, câmera premium da gigante japonesa, o canal Max Tech demonstra que a imperfeição é praticamente imperceptível. No fim das contas, a maior parte dos usuários não deve notar o blooming, ainda que seja importante que estejam cientes dessa limitação. De toda forma, apesar de contar com sua própria parcela de problemas, painéis OLED seguem à frente quando o assunto é contraste, ao menos por enquanto.

iPhone 12 Pro Max, com tela OLED, à esquerda, e iPad Pro com MiniLED à direita. Câmeras mais robustas e usuários não devem notar o blooming no cotidiano (Imagem: Max Tech/YouTube)

Mesmo trazendo melhorias, o contraste da tela MiniLED não é perfeito, entregando níveis de preto não tão intensos quanto um iPhone 12 Pro Max, dotado de painel OLED. Essa vantagem se dá graças às características do painel, com cada pixel da tela atuando como um LED. Além disso, displays OLED também estão isentos do blooming.

Fonte: Tom's Guide, PhoneArena

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