Taxa de atualização vs amostragem de toque: o que são e o que mudam no celular?

Taxa de atualização vs amostragem de toque: o que são e o que mudam no celular?

Por Renan da Silva Dores | Editado por Wallace Moté | 28 de Março de 2021 às 13h00
Reprodução/PhoneArena

Nos últimos meses, um número crescente de smartphones começou a adotar altas taxas de atualização, oferecendo 90 Hz, 120 Hz, 144 Hz e até mesmo 165 Hz. A novidade promete oferecer uma experiência mais suave de navegação e de gameplay, sendo velha conhecida de jogadores de consoles e PC e que inclusive já abordamos em uma matéria especial aqui no Canaltech. No entanto, alguns dos lançamentos mais recentes citam a chamada taxa de amostragem de toque, também medida em Hertz (Hz).

O que exatamente há de diferente entre as duas? E quais são as vantagens de contar com frequências tão altas? Pensando em esclarecer as dúvidas dos leitores que estão de olho em celulares mais robustos, o Canaltech reúne neste artigo o que significam essas métricas, quais as diferenças entre elas e o que mudam na sua experiência de uso do smartphone.

Taxa de atualização

A taxa de atualização se refere ao número de vezes por segundo em que a tela muda a imagem, e está relacionada com a fluidez das animações do sistema e de tudo mais que estiver sendo exibido pelo monitor, como páginas da web, jogos e vídeos. A maioria das telas dos smartphones modernos ainda segue utilizando taxa de 60 Hz, isto é, mudam a imagem exibida 60 vezes por segundo. Com o surgimento de telas mais velozes e dos smartphones gamer, já vemos painéis que atingem os 165 Hz, e chegamos a discutir as diferenças entre os 90 Hz e os 120 Hz.

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Taxa de atualização é relacionada à exibição de imagens, e a fluidez enxergada pelo usuário ao navegar pelo celular (Imagem: Divulgação/ASUS)

Na prática, frequências mais altas passam a sensação de maior responsividade, mesmo que o usuário não note diferenças em um primeiro momento. Isso se deve à percepção de movimento do ser humano: é necessário que uma sequência de imagens conte com pelo menos 24 posições diferentes para que a interpretemos como um movimento contínuo.

Quanto maior o número de imagens, melhor será essa percepção e, no caso das telas, mais detalhadas serão as animações. É possível notar as diferenças entre 60 Hz, 120 Hz, 144 Hz e 240 Hz no vídeo a seguir e, ainda que utilize jogos como exemplo, o conceito apresentado também é válido para as telas de smartphones:

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Amostragem de toque

Ainda que também seja medida em Hertz (Hz), a taxa de amostragem de toque está relacionada com quantas vezes por segundo o painel do celular detecta o toque do usuário.

Geralmente, a amostragem de toque é vinculada à taxa de atualização do display, mas cada vez mais smartphones têm desvinculado esses valores. O recente POCO F3 é um grande exemplo, tendo taxa de atualização de 120 Hz (exibe 120 imagens por segundo), mas amostragem de toque de elevados 360 Hz, reconhecendo assim os comandos do usuário 360 vezes por segundo. Ou seja, o aparelho é capaz de reconhecer três toques para cada imagem exibida dentro daquele intervalo de tempo, o que permite que jogadores mais ágeis consigam realizar comandos em um piscar de olhos.

O POCO F3 chegou ao mercado com taxa de atualização de 120 Hz e taxa de amostragem de toque de 360 Hz (Imagem: Reprodução/GSMArena)

Apesar de não parecer grande coisa, já que a taxa de atualização é de apenas 120 Hz, uma taxa de amostragem maior ainda entrega benefícios, especialmente em smartphones Android, que têm uma peculiaridade em comparação aos iPhones.

Android, iOS e o atraso de comandos

Celulares Android apresentam um atraso no recebimento e na interpretação de comandos, especialmente quando comparados aos iPhones. Isso ocorre pois o processo de captação de comandos do usuário no sistema da Google é tratado como qualquer outro processo, como abrir um aplicativo ou rodar um jogo, enquanto os celulares da Apple dão prioridade máxima aos comandos, que sempre "passam na frente na fila" dos processos que a CPU vai realizar. Soma-se a isso o fato de que os iPhones mais recentes contam com amostragem de toque de 120 Hz, aumentando o número de vezes que os comandos são enviados à CPU.

Desde o iPhone XR, os celulares da Apple contam com amostragem de toque de 120 Hz, oferecendo a sensação de maior responsividade (Imagem: Divulgação/Apple)

O aumento que temos visto na amostragem de toque no mundo Android tem a intenção de ao mínimo amenizar esse problema, já que taxas maiores aumentam o número de vezes que o comando do usuário é registrado, reduzindo assim o tempo para que o sistema operacional responda. Dessa maneira, a latência é reduzida e há a sensação de que o celular é mais responsivo, atendendo mais rapidamente ao que é solicitado pelo usuário.

Quanto mais, melhor

Concluindo, de maneira muito resumida, maiores taxas de atualização permitem animações mais rápidas e passam a sensação de maior fluidez, seja durante a navegação do sistema ou em jogos e vídeos, enquanto maiores taxas de amostragem de toque registram o toque do usuário mais vezes a cada segundo, respondendo mais rapidamente ao que está sendo pedido, como abrir um aplicativo ou um comando em um jogo, por exemplo.

Esse é o clássico caso do "quanto mais, melhor", e felizmente telas com atualização e amostragem maiores devem se tornar tendência nos próximos anos. Agora que você já sabe a diferença entre os dois, fique de olho nos próximos lançamentos, e busque por celulares com números de Hz mais altos para ter melhores experiências.

E você, leitor? Já usou um smartphone com altas taxas de atualização e amostragem de toque? Comente abaixo sua experiência!

Fonte: Beebom, TechRadar, Realme

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