Como diagnosticar se seu dispositivo móvel está infectado com malware

Como diagnosticar se seu dispositivo móvel está infectado com malware

Por Ramon de Souza | Editado por Claudio Yuge | 05 de Abril de 2021 às 19h00
Montagem/Canaltech

Em tempos remotos, era sumariamente impossível não perceber caso um vírus infectasse o seu computador. Nos anos 1980 e 1990, os malwares eram bastante simples e grande parte deles era construída com o único objetivo de infernizar a vida do usuário — logo, ao contrair um desses códigos maliciosos, você provavelmente seria bombardeado com telas contendo mensagens assustadoras e outros sinais claros de que algo estava errado. Infelizmente, os tempos mudaram e as coisas já não são bem assim.

Hoje em dia, um malware construído apropriadamente é aquele que faz de tudo para se manter oculto no dispositivo afetado. O objetivo dele não é zombar da sua cara ou atrapalhar seu trabalho, mas sim roubar dados de maneira furtiva: capturando as informações que são digitadas em um formulário, mandando seus arquivos para uma central de comando e controle (C&C), usando o microfone para gravar os áudios ao redor ou até mesmo usufruindo de seu poder computacional para minerar criptomoedas.

Claro, os antivírus continuam aí justamente para detectar a presença desses vírus e eliminá-los o mais rápido possível. Porém, segurança cibernética é um jogo de gato e rato. Nem sempre uma solução de proteção será capaz de identificar um malware que seja realmente bem construído — isso, é claro, sem contar a rara (porém existente) possibilidade de você ser vítima de uma cepa inédita, cuja assinatura ainda não foi identificada por nenhum pesquisador e para a qual não existe uma “vacina”.

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Imagem: Reprodução/Sora Shimazaki (Pexels)

Para piorar ainda mais a situação, precisamos levar em conta que, nos dias atuais, os dispositivos móveis são os principais alvos dos criminosos cibernéticos. Afinal, usamos nossos celulares para tudo — nos comunicarmos com pessoas próximas, realizar transações bancárias, armazenar fotografias e assim por diante. Daí surge a dúvida: como diagnosticar um smartphone ou tablet infectado com um malware? Não há uma receita de bolo, mas o Canaltech separou algumas dicas que podem ser bastante úteis.

1) Seu dispositivo está (muito) lento

É normal que os dispositivos móveis fiquem mais lentos com o passar do tempo. Você instala uma quantidade cada vez maior de aplicativos, enche a memória com arquivos e se diverte com joguinhos que exigem bastante do processador e da memória RAM. Porém, se o seu gadget começou a apresentar lentidão excessiva do dia para a noite, é melhor ficar atento — isso é um típico sinal de que ele pode estar infectado com um vírus silencioso, que rouba o poder de processamento e ocupa espaço na memória RAM para finalidades maléficas.

2) Sua bateria está durando (muito) menos

Novamente — é perfeitamente comum que a fonte de energia dos nossos dispositivos móveis percam a autonomia que elas possuíam quando você tirou o gadget da caixa. Afinal, baterias de lítio possuem um ciclo de vida pré-determinado; ademais, alguns aplicativos benignos podem rodar em segundo plano sem que você perceba, drenando a eletricidade do smartphone ou tablet. Porém, ao perceber que a autonomia do seu eletrônico apresentou uma queda drástica, vale a pena investigar se não há algo de errado. Quase todo celular moderno possui um indicador que exibe quais aplicativos estão consumindo mais energia; vale a pena checar essa ferramenta para encontrar eventuais invasores no produto.

Imagem: Reprodução/Tyler Lastovich (Unsplash)

3) A temperatura anda subindo demais

Alguns celulares viraram piada no mercado por conta do aquecimento excessivo — é o caso dos modelos Xperia Z3 Plus e Z4, da Sony. Eles emitiam tanto calor “à toa” que a empresa precisou emitir um pedido de desculpas formal. Tratam-se, porém, de raras exceções: no geral, um smartphone não deve ser tão quente a ponto de incomodar o usuário, mesmo quando estiver efetuando tarefas de alto processamento, como a execução de jogos com gráficos de ponta ou gravação de vídeos na qualidade 4K.

Sendo assim, ao perceber que seu gadget está se transformando em uma verdadeira fritadeira inteligente sem que nenhum aplicativo esteja aberto, cogite a possibilidade dele estar infectado com um malware, que pode forçar a CPU a ponto dela se tornar excessivamente “caliente”. Claro que esses problemas também podem ter origem técnica (como uma bateria defeituosa e que precisa ser trocada), mas vale a pena manter essa possibilidade em mente.

4) Anúncios estão “pipocando” em todos os lugares

Você recebe uma notificação, acredita piamente que se trata de algo importante e… É só um anúncio aleatório a respeito de um serviço ou aplicativo que não lhe interessa. Você abre o seu browser predileto e se depara com uma série de popups publicitários. Navegar na internet se torna uma tarefa quase impossível, pois cada guia aberta ou link clicado abre um anúncio diferente e bastante suspeito. Todos esses sintomas apontam para uma doença que tem nome: adware, o vírus especializado em exibir publicidade.

Imagem: Reprodução/Malwarebytes

A notícia boa é que, dos males, este é o “menos pior”. Os adwares não costumam carregar módulos maliciosos para roubar informações ou judiar da sua CPU. Eles realmente só são chatos e bombardeiam o seu gadget com propagandas em excesso. Isso significa que sua remoção é menos urgente do que a de outras cepas — dá até para conviver com eles durante um tempo, mas, é claro, livre-se do código malicioso assim que tiver a chance.

5) Aplicativos estranhos surgiram do nada

Este é um sintoma clássico, mas que pode passar despercebido por aqueles usuários que possuem um grande número de aplicativos instalados no seu gadget. Abra a janela de softwares instalados e verifique se você não encontra algum programa “penetra” no meio da festa. Encontrou? Desinstale-o imediatamente, pois ele certamente é um malware que acabou sendo instalado “sem querer”.

Claro, nem todo vírus vai facilitar tanto a sua vida a ponto de criar um ícone aleatório ao lado de apps como Facebook, Twitter e Instagram. Alguns deles vão ficar escondidos dentro do sistema. Sendo assim, faça um checkup mais profundo: entre na tela de Configurações do dispositivo, encontra a seção “Aplicativos” e dê uma conferida na lista de softwares instalados. Novamente: desinstale qualquer coisa desconhecida e suspeita. Essa dica é importante sobretudo para aparelhos Android, que sofrem mais com esse tipo de problema.

6) O consumo de dados (móveis ou Wi-Fi) aumentou

Há um motivo para termos deixado esta dica por último: são raríssimos os consumidores que rastreiam seu uso de dados no celular, especialmente aqueles que utilizam mais redes Wi-Fi do que planos de internet móvel. Porém, saiba que todos os dispositivos móveis contam com ferramentas nativas para você acompanhar detalhadamente o tráfego de rede que o gadget está gastando — em alguns casos, é possível até estipular alertas caso você esteja usando dados demais (útil para quem possui planos de internet do tipo “Controle”).

Imagem: Reprodução/Austin Distel (Unsplash)

Lembra do que falamos a respeito dos malwares que se comunicam com servidores de comando e controle, extraindo dados do gadget e enviando-os para o criminoso? Pois bem. Se você não está navegando mais do que o normal e mesmo assim o seu consumo de dados só aumenta, eis um belo sinal de que há um vírus no seu smartphone se comunicando constantemente com alguma fonte externa. Além dos malefícios do malware em si, você ainda sofre com os prejuízos de uma conta mais salgada no fim do mês!

Estou infectado! E agora?

Se o seu dispositivo apresenta um ou mais dos sintomas descritos anteriormente, as chances de que ele esteja infectado com um malware são altas. Se você ainda não possui uma solução de segurança instalada, escolha a sua predileta e instale-a imediatamente — no geral, os antivírus pagos são mais eficientes do que os gratuitos. Porém, caso seja impossível realizar esse investimento no momento, o jeito é apelar para as soluções freemium mesmo e torcer para que elas resolvam a questão.

Não adiantou? Então faça um backup de todas as informações e arquivos importantes do seu aparelho e faça um hard reset nele — ou seja, resete-o para as configurações de fábrica. Isso resolverá o problema na maioria das vezes, a menos que o código malicioso tenha se instalado a nível de firmware (o sistema operacional pré-sistema operacional; software responsável por evocar o Android quando você liga o celular). Nesse caso, o jeito é procurar ajuda profissional com especialistas ou assistências técnicas.

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