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Neuralink | Como é e quanto custa o chip de Elon Musk

Por| Editado por Luciana Zaramela | 31 de Janeiro de 2024 às 10h25

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Steve Jurvetson/Wikimedia Commons
Steve Jurvetson/Wikimedia Commons

Há alguns anos, o magnata Elon Musk investe em um projeto digno de ficção científica: conectar o cérebro dos seres humanos com as máquinas. Tal missão está nas mãos da startup Neuralink, que desde 2019 se concentra em estudos para implantar o primeiro chip no cérebro humano. Entenda do que se trata esse chip e quanto o implante cerebral vai custar.

A Neuralink surgiu com o objetivo de ser uma empresa de pesquisa médica voltada à criação de chips para ajudar pacientes em tratamento, mas as ambições da startup passaram a ser a integração da inteligência humana com a artificial.

Nas palavras do próprio Musk: “os usuários iniciais serão aqueles que perderam a função dos membros. Imagine se Stephen Hawking pudesse se comunicar mais rápido que um datilógrafo ou um leiloeiro. Esse é o objetivo”.

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A ideia é colocada em prática atualmente por meio do chip Telepathy, que promete ajudar alguém com limitações motoras a controlar dispositivos eletrônicos com a mente.

Como o chip da Neuralink funciona

Para cumprir essa missão, o chip de Elon Musk é implantado na região cerebral responsável pelo controle da intenção do movimento e então utiliza ondas cerebrais, que são transformadas em determinados comandos. 

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O Telepathy conta com:

  • Capa biocompatível
  • Software
  • Bateria
  • Processador
  • Eletrodos
  • Fios ultrafinos

software presente no chip ajuda a por em prática essa conexão com dispositivos eletrônicos. Os chips fazem uma leitura das ondas cerebrais e, depois, realizam transmissão via Bluetooth para o aplicativo.

Feita essa transmissão, o app da Neuralink transforma as informações em comandos para o smartphone ou o computador do usuário, de modo que seja possível controlar um teclado, por exemplo.

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Ao todo, o chip contém mais de 1.000 eletrodos e tem como alvo neurônios individuais, enquanto muitos outros dispositivos em desenvolvimento têm como alvo sinais de grupos de neurônios. Por isso, a empresa espera que a sua criação tenha um maior grau de precisão.

"Nossa interface cérebro-computador é totalmente implantável, esteticamente invisível e projetada para permitir que você controle um computador ou dispositivo móvel em qualquer lugar", diz o site oficial da empresa. 

Vale ressaltar que o carregamento do dispositivo não precisa de fios e a organização chegou até a criar um robô cirúrgico sob medida para realizar o procedimento de implantação do aparelho na cabeça dos pacientes.

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A Neuralink é ética?

Essa é uma boa pergunta. Desde o primeiro anúncio, a Neuralink tem dividido opiniões com seu projeto. A Reuters revela, por exemplo, que mais de 1.500 animais morreram durante os experimentos realizados desde 2018, o que os próprios funcionários interpretam como uma taxa de mortalidade acima do que poderia ser considerado normal.

Questões éticas com animais

Com base nsiso, a Neuralink foi acusada de maltratar macacos usados nos experimentos. A situação chegou em um ponto que o Comitê de Médicos para Medicina Responsável (PCRM) entrou com uma ação administrativa contra a Universidade da Califórnia em Davis (UC Davis). 

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Segundo a Reuters, o número de mortes de animais é considerado pela própria equipe da Neuralink como "maior do que o necessário" por razões relacionadas às exigências de Musk para acelerar a pesquisa.

Mas, na ocasião, a empresa fez uma nota oficial negando os maus-tratos: "Na Neuralink, estamos absolutamente comprometidos em trabalhar com animais da maneira mais humana e ética possível", escreveu, à epoca.

Ética com humanos

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Mas as questões éticas não se limitam aos animais. Há preocupações, também, em torno da aplicação do projeto da Neuralink aos humanos. Por enquanto, há muita incerteza no impacto a longo prazo que a tecnologia pode gerar no corpo humano. 

Outro dilema ético que toma conta do chip é a privacidade e liberdade pessoal dos participantes dos estudos, o que os especialistas se referem como "liberdade cognitiva". Um artigo de 2017 publicado na revista Life Sciences, Society and Policy trouxe algumas reflexões sobre a ética da neurociência:

As neurotecnologias emergentes têm o potencial de permitir o acesso a pelo menos alguns componentes da informação mental. Embora estes avanços possam ser extremamente benéficos para os indivíduos e para a sociedade, também podem ser mal utilizados e criar ameaças sem precedentes à liberdade da mente e à capacidade dos indivíduos de governarem livremente o seu comportamento.

O que esperar do chip da Neuralink

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Ninguém sabe quais são os limites do chip da Neuralink. A princípio, uma das possibilidades é que também possa servir como uma solução para indivíduos com doenças mentais e físicas, mas a empresa não quer parar por aí, e já demonstrou interesse em formas de “aprimoramentos” cibernéticos para o público que não possui deficiência. Em resumo, ainda vai investir muito em biohacking.

Estudos com o chip

A primeira fase do estudo se concentrou em mensurar os níveis de segurança do procedimento. Musk anunciou em sua conta do X que o primeiro humano a receber um implante da Neuralink segue em recuperação, e os resultados iniciais mostram uma "detecção promissora de picos de neurônios".

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Por enquanto, a identidade do paciente que recebeu o primeiro implante da Neuralink não foi revelada. Os futuros estudos devem acontecer com voluntários que tenham paralisia por conta de  lesão da medula espinhal cervical ou da esclerose lateral amiotrófica (ELA), mas as pesquisas devem seguir por cerca de seis anos.

Quanto custa o chip da Neuralink

Conforme apuramento do Bloomberg, o chip da Neuralink deve custar em torno de US$ 10,5 mil (ou seja, o equivalente a cerca de R$ 51 mil). Com isso, a empresa de Elon Musk tem uma estimativa de receita anual de US$ 100 milhões (R$ 495 milhões) ao longo dos cinco anos que sucedem o lançamento.

Mas é claro que estamos falando de algo a longo prazo: por enquanto, a organização se concentra em testar a segurança do chip, que ainda está longe de chegar realmente no mercado.

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Fonte: Reuters (1, 2), The Guardian, Neuralink, CNBC, Bloomberg, Life Sciences, Society and Policy