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Diabéticos ficam sem remédios nos EUA por causa de trend no TikTok

Por| Editado por Luciana Zaramela | 26 de Dezembro de 2022 às 10h01

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Twenty20photos/Envato Elements
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Pacientes de diabetes nos Estados Unidos estão sofrendo com a falta de medicações por conta de virais no TikTok e regulamentação aberta que permite a compra de remédios sem prescrição para a doença. O principal motivo é que muitos deles, como o Ozempic, também servem como tratamento para perder peso. Em um local onde não há saúde pública e os pacientes dependem de planos privados e compra de medicações do próprio bolso, a situação é precária.

Mais de 35 milhões de pessoas sofre com a diabetes tipo 2 no país, e problemas na rede de abastecimento, atrasos e demandas já impactam bastante na disponibilidade de remédios, o que aconteceu durante a pandemia do novo coronavírus. Uma febre no mercado de drogas para emagrecer é a última coisa que os pacientes precisam — há relatos de celebridades, que não precisariam perder peso para sobreviver, utilizando Ozempic.

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O mercado de remédios nos EUA

Os Estados Unidos mostram, com o incidente, seus problemas mais incisivos no mercado de medicamentos sem prescrição, ou melhor, prescrição de remédios para condições diferentes das primariamente tratadas por eles, fora da bula. O Ozempic, por exemplo, é um receptor agonista (ou seja, que ativa uma função no corpo) usado nos EUA desde 2017 para diabetes tipo 2.

Como o hormônio que ele imita está ligado ao apetite e alimentação, ajudando a estimular a produção de insulina e diminuindo os níveis de glicose no sangue, geralmente causa diminuição no peso corporal. Médicos americanos relatam receber pelo menos um paciente diabético por semana com dificuldades para achar a medicação em farmácias.

Outras drogas, como a Trulicity, também foram afetaas: alguns pacientes têm de diluir as doses para apenas duas injeções por semana, longe do ideal, mas necessário em tais condições. Sem os remédios, diabéticos sofrem com maior risco de doenças, infartos, infecções e até mesmo morte. Trocar de remédio também gera possíveis problemas com cobertura dos planos de saúde e rejeição do corpo, que pode não aceitar a mudança tão bem.

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Representantes da fabricante do Ozempic, a Novo Nordisk, relatam que os problemas devem seguir até janeiro, enquanto buscam aumentar a manufatura numa tentativa de suprir as altas demandas. Outras medicações e doses maiores do Ozempic estão disponíveis, mas podem sofrer demoras até chegar nas farmácias. A Eli Lilly & Co., que fabrica Trulicity e Mounjaro, outros remédios para diabetes tipo 2, também veem alta demanda.

Quem é prioridade?

A obesidade também é considerada uma doença, podendo deixar os pacientes vulneráveis a diversos problemas de saúde, mas o problema advém, em grande parte, de tendências propagadas por redes sociais e propagandas em contextos diferentes, como spas que oferecem os medicamentos junto a aplicações de Botox e remoção de pelos a laser. Outros comerciais dizem ser uma promessa para perder peso sem exercícios ou dieta — até 5,5 kg, alguns afirmam.

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É claro que cada caso é individual e merece sua própria atenção, mas os médicos questionam a prioridade de quem tem outras opções para perder peso e pode recorrer a exercícios ou outros tratamentos contra quem simplesmente não produz insulina e pode ir a óbito sem medicação apropriada e com poucas opções fora uma dieta extremamente restritiva e perigosa à saúde.

É o mesmo tipo de problema que levou muitos americanos a utilizar hidroxicloroquina durante a pandemia de covid-19, o que afetou pacientes de lúpus e artrite, que realmente precisam tomá-la para sobreviver. Até agora, algumas farmácias americanas afirmaram que, em fevereiro, só venderão Ozempic para quem possuir um diagnóstico oficial de diabetes tipo 2, mas a decisão é longe de ser federal.

Fonte: Bloomberg