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Nem funcionários usam o Metaverso da Meta, afirma documento vazado

Por| Editado por Douglas Ciriaco | 07 de Outubro de 2022 às 15h42

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Uma das partes mais importantes do Metaverso sonhado pela Meta é o aplicativo de realidade virtual Horizon Worlds. O software permite a imersão com os óculos de RV, mas apresenta muitos bugs recorrentes e problemas de qualidade.

A afirmação são de memorandos internos da empresa obtidos pelo site The Verge. Os documentos apontam que nem mesmo a equipe da Meta está usando o sistema, devido à falta de hábito, quantidade de falhas e desempenho ruim do Horizon nas máquinas.

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O documento questiona: "Por que isso acontece? Por que não amamos tanto o produto que construímos, que o usamos o tempo todo? A verdade simples é que, se não o amamos, como podemos esperar que nossos usuários o amem?”.

Em um memorando de acompanhamento, datado de 30 de setembro, o vice-presidente da Meta para Metaverso, Vishal Shah, disse que os funcionários ainda não estavam usando o Horizon o suficiente, dizendo que pretende incentivar os gerentes a fazer suas equipes se reunirem no Horizon pelo menos uma vez por semana.

“Todos nesta organização devem ter como missão se apaixonar por Horizon Worlds. Você não pode fazer isso sem usá-lo. Entre lá. Organize momentos para fazer isso com seus colegas ou amigos, tanto nas compilações internas quanto nas públicas, para que você possa interagir com nossa comunidade”, explicou o executivo no documento.

Lançamento do Horizon pode atrasar

A plataforma suporta milhares de usuários simultâneos, como se fosse um game online, e compatibilidade com o headset Meta Quest desde o lançamento em dezembro do ano passado. No começo de 2022, chegou a bater um pico de 300 mil usuários, número que caiu com o passar do tempo, mas ainda pode aumentar quando chegar aos celulares e desktops por meio dos navegadores.

Em um dos memorandos, Shah cobrou da equipe resolução dos problemas e deu indícios de que o lançamento pode atrasar. “Simplificando, para que uma experiência se torne agradável e retentiva, ela deve primeiro ser utilizável e bem elaborada”, explicou ele.

O executivo garantiu que a equipe de desenvolvimento ficará 100% focada até resolver os problemas do projeto. Ele disse que o feedback de "nossos criadores, usuários, testadores e muitos de nós na equipe" não é positivo, já que "problemas de estabilidade e bugs estão tornando muito difícil" para a comunidade experimentar a "magia de Horizon".

A afirmação impressiona porque os gráficos do Horizon estão longe de ser "de primeira linha". A selfie postada pelo CEO da Meta, Mark Zuckerberg, virou piada devido ao visual infantilizado e simplista apresentado. Ele até refez a foto (veja abaixo) para mostrar a evolução dos gráficos, mas ainda não convenceu.

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Segundo Vishal Shah, é necessário criar uma melhor experiência de integração, menos "confusa e frustrante para os usuários". Ele insiste que os mundos precisam ser visualmente chamativos para o projeto ter sucesso. Para isso, os funcionários que trabalham no Horizon reduzirão suas metas de crescimento de usuários em VR, focando mais na qualidade do produto em si, principalmente na versão para web.

Por que o Horizon não decola?

Em um comunicado enviado ao The Verge, a porta-voz da Meta, Ashley Zandy, disse que a empresa está “confiante de que o metaverso é o futuro da computação e que deve ser construído em torno das pessoas”. Ela disse que a empresa está “sempre fazendo melhorias de qualidade e agindo de acordo com o feedback da comunidade" de amantes do Horizon. "Esta é uma jornada de vários anos e continuaremos melhorando o que construímos”, concluiu a nota.

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Como algo com uma aparência tão simples ainda apresenta bugs e problemas de otimização? Possivelmente, a dificuldade está centrada na capacidade de processamento e transferência de dados entre servidores e computadores.

Uma coisa é criar um game com gráficos fotorrealistas como a franquia Call of Duty, no qual até 200 players lutam entre si em uma área, com quase tudo processado pelo computador local. Outra coisa é fazer isso para um servidor com 300 mil pessoas, que acessam o ambiente de máquinas pouco potentes e celulares modestos, com o poderio totalmente concentrado na nuvem.

O conceito de Metaverso não é novo nem tampouco as ideias similares à Meta. O game Second Life, por exemplo, já propusera um mundo virtual persistente no qual as pessoas poderiam realizar diversas atividades online, como jogar bilhar em um bar, dar um passeio na beira da praia ou até fazer sexo virtual.

Zuckerberg prometeu compartilhar mais novidades sobre o Horizon e outros integrantes da "família Metaverso" na conferência anual Meta Connect, prevista para o dia 11 de outubro. Será que virá alguma surpresa ou o antigo Facebook manterá a proposta original?

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Fonte: The Verge