Xiaomi Mi 9: ainda vale a pena comprar?

Xiaomi Mi 9: ainda vale a pena comprar?

Por Diego Sousa | Editado por Léo Müller | 16 de Setembro de 2021 às 15h35
Divulgação/Xiaomi

Não é de hoje que a Xiaomi vem se destacando no mercado de smartphones premium. Antes das populares linhas Mi 10 e Mi 11 colocarem a chinesa entre as gigantes do setor, foi o Xiaomi Mi 9 um dos principais responsáveis por incluir a fabricante no radar dos consumidores quando o assunto é celular topo de linha, vendendo mais de um milhão de unidades em cerca de um mês após o lançamento.

Lançado em fevereiro de 2019, o Mi 9 chegou ao mercado com as melhores configurações da época: chipset Snapdragon 855, até 8 GB de memória RAM, câmera tripla com principal de 48 MP, tela Super AMOLED com suporte a HDR10 e sensor de digitais integrado, e carregamento rápido de 20 W.

Mas, afinal, será que, mais de dois anos após o seu lançamento, ainda vale a pena apostar nele ou intermediários da fabricante chinesa já dão conta do recado? É isso que eu vou tentar responder nesse artigo!

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Prós

  • Construção robusta;
  • Tela Super AMOLED de qualidade;
  • Ótimo desempenho com o Snapdragon 855;
  • Três câmeras traseiras competentes.

Contras

  • Visual já datado;
  • Bateria de pouca capacidade.

Mi 9: construção e design

O Mi 9 não é um smartphone que se destaca muito pelo design, embora não possamos compará-lo com os projetos mais arrojados dos topo de linha mais atuais. Tanto a parte traseira quanto a frontal seguem a tendência visual na época, ou seja, com notch em gota para a câmera de selfie e um módulo fotográfico tem formato vertical que agrupa três sensores, como alguns modelos intermediários e básicos de 2020.

Se o visual não é um diferencial, pelo menos temos uma construção digna de topo de linha, como vidro Gorilla Glass 5 na traseira e um alumínio mais resistente e leve nas laterais. Mesmo após dois anos de lançamento, seu corpo é superior a alguns modelos mais atuais da própria Xiaomi, como os Poco X3 Pro, Poco F3 e Redmi Note 10 Pro.

(Imagem: Divulgação/Xiaomi)

Já na parte da frente, o smartphone traz um leitor de sensor de digitais óptico embutido na tela com desempenho parecido às soluções de presentes em modelos mais atuais.

Como estamos falando de um celular topo de linha de 2019, infelizmente o Mi 9 não tem suporte ao 5G. Ainda assim, ele oferece um kit de conexões bem interessante mesmo para 2021, como emissor infravermelho para controlar outros dispositivos remotamente, NFC para pagamentos por aproximação, Bluetooth 5.0, Wi-Fi ac dual band.

Embora o visual do Mi 9 não seja tão interessante, seu projeto não perde em quase nada para os smartphones mais atuais. Ele traz vidro na traseira, alumínio Série 7000 nas laterais, Gorilla Glass 6 na parte da frente e um kit de conexões digno de topo de linha, como emissor infravermelho, NFC e Bluetooth 5.0.

Mi 9: qualidade da tela

Como um bom smartphone premium de 2019, o Mi 9 tem uma tela Super AMOLED de 6,39 polegadas com resolução Full HD+ e suporte ao padrão HDR10 — basicamente, configurações de um celular intermediário atual.

Apesar de não contar com taxa de atualização mais alta, não há do que reclamar do painel do Mi 9 mesmo em 2021 — as cores são vibrantes, a visualização sob luz do Sol é ótima e ainda suporta o modo Always on Display, aquele que exibe informações básicas do sistema, como data, hora e notificações, com a tela “desligada”.

(Imagem: Divulgação/Xiaomi)

Atualmente, já é possível encontrar smartphones intermediários com essas características de tela, portanto não acredito que seja um ponto a se considerar caso você pense em comprar o Mi 9. Alguns modelos da concorrente Samsung, como os Galaxy A52 e A72, são os que oferecem os melhores painéis Super AMOLED do setor, e ainda se sobressaem pela velocidade de atualização superior.

Da própria Xiaomi, posso citar tanto o intermediário Redmi Note 10 Pro quanto o Poco F3 — este último para quem procura uma experiência mais premium. Ambos trazem suporte ao HDR10, alcançam quase duas vezes mais brilho que o Mi 9 e também contam com o recurso Always on Display.

Não dá para reclamar da tela do Mi 9 mesmo dois anos após seu lançamento, mas já é possível encontrar qualidade similar ou superior no mercado atualmente em modelos intermediários.

Mi 9: configurações e desempenho

O Mi 9 é equipado com o ainda potente Snapdragon 855 da Qualcomm, chipset que traz quatro núcleos de alto desempenho rodando a até 2,84 GHz e outros quatro — focados em eficiência energética — funcionando a 1,8 GHz. O modelo chegou ao mercado com muitas opções de memória, indo de 6 GB/64 GB até 8 GB/256 GB.

(Imagem: Divulgação/Xiaomi)

Apesar de o Snapdragon 855 ser um chip lançado há quase três anos, sua performance ainda é melhor em relação a alguns intermediários mais atuais e bem próximo a alguns modelos premium.

Entretanto, se você estiver procurando um celular com ótimo desempenho e barato, não é preciso olhar para as gerações mais antigas. Aparelhos como Poco X3 Pro e Poco F3, por exemplo, possuem chipsets mais potentes que o Snapdragon 855 podem ser encontrados por preços mais em conta, entre R$ 1,8 mil e R$ 2,5 mil.

Bateria e sistema

Um ponto negativo do Mi 9 para quem o tem ou pretende comprá-lo em 2021 é a bateria. Isso porque ele conta com apenas 3.300 mAh, enquanto a maioria dos aparelhos vendidos atualmente já possuem um tanque acima de 4.000 mAh. Devido ao chipset topo de linha que roda no smartphone, muito provavelmente você não deve conseguir passar um dia de uso moderado com apenas uma carga.

Felizmente, a Xiaomi envia na caixa um carregador compatível com a tecnologia de carregamento rápido Quick Charge 4+. A velocidade é de 27 W, mais veloz que os 25 W da linha Galaxy S21 e os 20 W do iPhone. Além disso, o smartphone traz carregamento sem fio de respeitáveis 20 W, acima da média da concorrência, que geralmente possui 15 W.

(Imagem: Divulgação/Xiaomi)

Com relação ao sistema operacional, o Mi 9 foi lançado com o Android 9 Pie e já recebeu o atual Android 11, o que é ótimo considerando o seu tempo de vida. Entretanto, o smartphone não deve mais receber atualizações do Android, parando na atual geração do SO. Pelo menos, devemos ter updates de segurança por mais um ou dois anos, segundo o histórico de suporte da Xiaomi.

Conjunto fotográfico

O Mi 9 é equipado com três câmeras traseiras, sendo uma principal de 48 MP (f/1.8), uma ultrawide de 16 MP (f/2.2) e uma telefoto de 12 MP (f/2.2). Já para selfies, temos um sensor frontal de 20 MP com suporte a HDR.

O smartphone não foi referência em fotografia como as gerações seguintes foram, mas os conteúdos produzidos pelo seu conjunto fotográfico são muito interessantes. Apesar de não trazer um sistema estabilização óptica de imagem, os vídeos são estáveis, as cores são vibrantes e o alcance dinâmico é equilibrado. Vale mencionar que as câmeras gravam em até 4K a 60 fps ou em 1080p a até 120 fps, tudo com HDR.

Com relação às fotos, as três lentes têm uma qualidade bem similar em ambientes bem iluminados, o que é excelente. Praticamente, o sistema fotográfico do Mi 9 é bastante próximo a smartphones intermediários premium mais atuais, estes que já fazem um excelente trabalho.

(Imagem: Divulgação/Xiaomi)

Em selfies, os 20 MP do Mi 9 grava em até 1080p a 30 fps, um pouco abaixo de modelos intermediários mais atuais que já conseguem filmar em 4K.

Mi 9: ainda vale a pena?

O Mi 9 ainda é um celular muito interessante em quase todos os quesitos: a construção é robusta, a tela Super AMOLED tem ótima qualidade, o desempenho com chipset Snapdragon 855 ainda dá conta do recado para todas as tarefas do dia a dia, e o conjunto fotográfico é bem competente, assemelhando-se a de um intermediário de 2021.

Outro ponto positivo é o Android 11, que já chegou ao aparelho. Embora o Mi 9 não deva receber o Android 12, a Xiaomi ainda deve oferecer suporte a ele por mais um ou dois anos.

Se você já possui um Mi 9 e se pergunta se vale a pena mantê-lo como seu aparelho por mais um tempo, eu diria que sim. Agora, caso você esteja pensando em comprar um smartphone topo de linha antigo da Xiaomi por supostamente ser mais barato, eu recomendo fazer isso.

O Mi 9 é ótimo, mas seu valor alto no Brasil torna sua compra praticamente inviável. Por não ser mais vendido oficialmente por aqui, alguns varejistas cobram muito mais por ele, chegando a quase R$ 3,5 mil. Além disso, há diversos aparelhos à venda por aqui com qualidade superior e preços bem mais em conta.

Como alternativas ao Mi 9, destaco os Poco X3 e Poco F3, dois modelos da Xiaomi que custam abaixo de R$ 2,5 mil e entregam mais desempenho, bateria, conjunto fotográfico e visual mais atual.

E aí, tem um Mi 9? O que você acha do smartphone após todo esse tempo? Conte-nos sua experiência abaixo, no campo dos comentários!

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