Samsung Galaxy A10: ainda vale a pena comprar?

Samsung Galaxy A10: ainda vale a pena comprar?

Por Felipe Junqueira | Editado por Léo Müller | 14 de Setembro de 2021 às 14h00
Canaltech

A linha Galaxy J foi, de certa forma, absorvida pela linha Galaxy A em 2019, quando a Samsung reformulou seu catálogo de celulares. Com um leque maior de dispositivos, a empresa passou a adotar numeração mais ampla, e deixou as variantes mais simples no começo, como acontece com o Galaxy A10, popularmente conhecido como ‘Samsung A10’.

À época, o Canaltech fez a análise do aparelho como “o mais Galaxy J de 2019”. De fato, tudo nele lembra a linha “aposentada”, desde o design até as especificações. Dois anos depois, o modelo segue entre os mais buscados pelo consumidor, mas já pode não valer mais a pena comprá-lo.

Entenda a seguir o motivo para isso, além de conhecer um pouco quais alternativas podem ser mais interessantes, levando em conta o preço do modelo de 2019.

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Prós

  • Atualizado para o Android 11;
  • Ainda recebe updates de segurança;

Contras

  • Processador fraco para 2021;
  • Pouca memória;
  • Design ultrapassado.

Confira o melhor preço para o Galaxy A10

Galaxy A10: design e construção

O Galaxy A10, ou ‘Samsung A10’, já nasceu com design um pouco antigo, lá em 2019. Apesar de trazer a saída de som na traseira, como a empresa sul-coreana fez com diversos modelos lançados nos anos anteriores, a tampa do celular não é removível. Ou seja, nada de acesso à bateria para trocar quando ela começa a perder a vida útil — por outro lado, o componente mais moderno já não sofre tanto com este problema.

O acabamento é todo em plástico, tanto na traseira como nas laterais, com vidro apenas na parte frontal, protegendo a tela. O dispositivo tem tamanho que pode ser considerado até compacto hoje em dia, além de peso bem reduzido, também comparado a modelos mais recentes. Ele pode ser encontrado nas opções preto, azul ou vermelho.

  • Dimensões (A x L x P): 155,6 x 75,8 x 8,1 mm
  • Peso: 168 g

O display, ao menos, já traz visual moderno, com bordas mínimas e recorte em formato de gota, no que a Samsung chama de tela Infinity V. O “queixo” é bastante avantajado, mas não dá para cobrar aproveitamento maior de um celular com visor IPS LCD, e no geral está bem aceitável, ainda mais considerando o preço de lançamento do produto.

E para quem já se acostumou a ver leitor de impressão digital em praticamente todo celular lançado atualmente, o Galaxy A10 fica devendo neste ponto. Nada de sensor biométrico traseiro nem lateral, e muito menos sob a tela (displays LCD ainda não aceitam esta tecnologia nem mesmo em 2021). Você pode usar o reconhecimento facial, aliado a uma senha, um padrão ou um PIN para desbloquear o dispositivo, mas não tem a facilidade da leitura do dedo.

Traseira do 'Samsung A10' lembra celulares com tampa traseira removível, apesar de não ter esta característica (Imagem: Ivo/Canaltech)

Outro aspecto que deixa o Galaxy A10 bastante datado é a porta micro USB, que a própria Samsung já descartou nos sucessores, passando a adotar o USB-C — mais veloz para dados e energia. Ao menos o celular de 2019 tem conector para fones de ouvido.

“Em resumo, o A10 tem visual que alia alguns conceitos de, pelo menos, três anos antes de seu lançamento, com alguns aspectos bem recentes da época em que chegou ao mercado. O acabamento em plástico com saída de som na traseira pode decepcionar um pouco quem esperava traseira removível para acessar a bateria”.

Galaxy A10: qualidade de tela

Os celulares começaram a crescer bastante entre 2018 e 2019, e o Galaxy A10 segue essa tendência. Com um display de 6,2 polegadas, esse modelo de entrada pode parecer grandão à primeira vista, mas dá para se acostumar com algum tempo de uso.

Em resumo, o aparelho tem resolução baixa e painel de qualidade inferior a modelos mais recentes da própria Samsung. Mas o smartphone mais atual da categoria é o Galaxy A12, que tem praticamente o mesmo display, apenas com tamanho um pouco maior. Então, por mais que haja alguns problemas no dito "Samsung A10", não dá para considerar um ponto fraco atualmente.

A resolução utilizada no aparelho é a HD+, com 720 x 1520 pixels, que resulta em uma densidade aproximada de 271 pixels por polegada. O ideal é ficar acima de 300 ppp, para evitar que sobrem “espaços” visíveis entre os pixels, que pode gerar imagem com um efeito borrado ou até “serrilhado”. Além disso, a exibição fica com pouca definição.

Parte frontal tem o aspecto mais moderno do "Samsung A10" (Imagem: Ivo/Canaltech)

Mas, se em 2021 ainda há celulares intermediários com essa resolução mais baixa, não acho que este ponto seja tão grave. Além disso, a definição fica aceitável em telas pequenas, e a quantidade menor de pixels consome menos recursos, tanto de processamento quanto de energia da bateria.

O tipo de painel prioriza cores mais naturais e tem preto pouco profundo, em um tom de cinza escuro, pois os pixels não se apagam de fato para exibir esta tonalidade. Como já mencionei, a tela é do tipo IPS LCD, mas a Samsung prefere chamar de TFT LCD, que é quase a mesma coisa. Na verdade, são duas tecnologias que convivem entre si e compõem aquilo que chamamos de tela, cada uma com seu papel específico.

TFT é sigla para “thin film transistor” (“transistores de película fina”), e a tecnologia está presente, também, em alguns painéis OLED. Trata-se de uma película muito fina com milhões de transistores que controlam cada pixel do painel, levando a informação sobre a cor a ser exibida. Já o IPS é uma película de cristal líquido com moléculas organizadas na horizontal responsáveis por ajudar os pixels a emitirem a cor desejada.

Galaxy A10: configuração e desempenho

E aí entramos na grande questão do Galaxy A10 (ou ‘Samsung A10’): o hardware. Por se tratar de um celular de entrada, o aparelho já não trazia o melhor processador ou muita memória para a época de seu lançamento, apesar de ainda ser razoável para 2019. Dois anos depois, a coisa já muda bastante de figura.

Ele usa uma plataforma Exynos 7884, que inclui processador sem potência suficiente para rodar bem os aplicativos atuais, apesar de já ter oito núcleos. Basta olhar para suas configurações técnicas e notar que ele traz tecnologias hoje bastante defasadas, o que significa desempenho sofrível mesmo para tarefas básicas.

"Samsung A10" foi desenvolvido para tarefas básicas... em 2019 (Imagem: Ivo/Canaltech)

Além disso, são apenas 2 GB de memória RAM, sendo que atualmente já consideramos 4 GB o mínimo para oferecer fluidez razoável. Os 32 GB de armazenamento interno são outro ponto negativo, mas este é mais ou menos contornável com o uso de um cartão micro SD para expandir o espaço para fotos, músicas e afins.

“Se lá em 2019 o Galaxy A10 já era um celular apenas para uso simples, dois anos depois já não oferece nem isso de maneira satisfatória. Há modelos a preço semelhante que já entregam muito mais potência sem sacrificar nenhum outro aspecto, incluindo os sucessores deste modelo da análise. Ou seja, vale a pena dar uma procurada no Galaxy A11 ou no Galaxy A12, se você quer um aparelho bom e barato”.

O Exynos 7884 é fabricado em litografia de 14 nanômetros, sendo que os celulares mais simples de hoje em dia já usam tecnologia de 12 nanômetros, enquanto muitos intermediários já têm 8 nm ou até menos. O processador de oito núcleos é dividido em dois Cortex-A73 de 1,6 GHz e seis Cortex-A53 de 1,35 GHz. São velocidades baixas hoje em dia, e arquitetura já pouco utilizada em dispositivos mais modernos.

Bateria e sistema

Nem mesmo em bateria dá para dizer que o Galaxy A10 oferece boa capacidade. São apenas 3.400 mAh, sendo que o mais comum quando ele foi lançado já eram 4.000 mAh. Atualmente, será difícil conseguir ficar um dia inteiro sem precisar correr para a tomada, ainda mais considerando que até aplicativos mais simples já exigem mais processamento, o que consome mais energia.

Mas há um problema maior: o carregamento. O celular da Samsung traz um adaptador de parede de apenas 5 W, e não possui suporte a potência maior. Ou seja, vai demorar quase 2 horas para fazer o preenchimento de 0% até 100% da carga.

Saída de som fica na traseira do Galaxy A10 (Imagem: Ivo/Canaltech)

Com relação ao sistema operacional, ao menos uma boa notícia: o aparelho começou a receber o Android 11 em alguns países, e não seria surpresa que algumas unidades brasileiras já tenham o update disponível. É provavelmente a última versão do sistema que o modelo receberá, mas já é mais do que muitos concorrentes também lançados em 2019, que nem o Android 10 receberam.

O Galaxy A10, que é popularmente conhecido como ‘Samsung A10’, ainda deve receber pacotes de segurança semestrais, no mínimo, até o ano de 2022.

Galaxy A10: conjunto fotográfico

O conjunto fotográfico não é o foco de um celular cuja proposta é ser barato, e o Galaxy A10 não foge disso. Inclusive, ele conta com apenas uma câmera na frente e outra atrás, com 5 MP e 13 MP, respectivamente. Não tira fotos de boa qualidade, mas dá para fazer registros simples.

A verdade é que, se você ou algum conhecido está pensando no Galaxy A10 — que possivelmente chama de ‘Samsung A10’ —, não tem fotos como prioridade. Mesmo assim, os sucessores deste modelo já trazem qualidade consideravelmente melhor em fotografia e também na gravação de vídeo, além de já adotarem mais câmeras. Pode ser uma boa, mesmo que para fazer registros rápidos de algum local ou até de uma lista de compras ou algo assim.

Galaxy A10: vale a pena?

Celular conhecido como 'Samsung A10' tem apenas uma câmera traseira (Imagem: Ivo/Canaltech)

Antes de pensar se um celular vale a pena ou não, é sempre bom olhar para o preço atual. Nos últimos seis meses, dava para encontrar o Galaxy A10 a menos de R$ 700 na internet brasileira, mas, desde o início de setembro, o valor disparou, e está acima de R$ 1.000. Mas vamos pensar na melhor possibilidade, que é a de ele estar bem barato.

Você realmente acha que compensa gastar R$ 700 em um celular que tem todos os aspectos já consideravelmente defasados? Não vale, ainda mais porque modelos mais recentes, incluindo o Galaxy A01, que tem processador um pouco melhor e tamanho menor, pode ser encontrado a valor semelhante.

Mas ainda acho que vale mais a pena gastar pouca coisa a mais e pegar o Galaxy A12, ou até mesmo o Galaxy A21s. Pode parecer um investimento mais pesado agora, mas vai compensar lá na frente, já que o dispositivo vai durar mais tempo sem dar problemas de travamentos ou pouca memória.

Veja bem, não se trata aqui de tentar convencer ninguém a gastar muito mais em um celular com recursos que podem ser desnecessários para o seu uso. É uma questão de durabilidade e da experiência do dia a dia. Afinal de contas, o celular hoje é um item indispensável para boa parte das pessoas, e ter um bom desempenho mesmo para tarefas simples é essencial. Minha intenção é justamente ajudar a dar mais valor ao seu investimento.

Um adendo: a avaliação aqui é se vale a pena comprar o Galaxy A10 agora, seja ele novo ou usado. Em ambos os casos, acredito que seja mais interessante buscar um modelo mais recente que tenha valor próximo. Se você tem o aparelho em suas mãos agora e está satisfeito com ele, não tem motivo para pensar em fazer uma troca, ainda.

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