Review Realme GT Master Edition | Subindo o nível da concorrência no Brasil

Por Diego Sousa | Editado por Léo Müller | 19 de Outubro de 2021 às 10h17
Ivo Meneghel Jr/ Canaltech

A linha GT da Realme vem chamando muita atenção em 2021 por suas configurações bastante interessantes e preços acessíveis. Um dos modelos mais novos dessa família é o GT Master Edition, anunciado globalmente em agosto desse ano, que fez a sua estreia no Brasil agora em outubro.

Realme GT Master Edition é o smartphone mais potente da chinesa atualmente no Brasil. Equipado com o chipset Snapdragon 778G 5G — o mesmo presente no Motorola Edge 20 e no Galaxy A52s 5G, o aparelho chega com tela Super AMOLED de 120 Hz, carregamento ultrarrápido de 65 W e câmera principal de 64 MP.

Ok, teoricamente o aparelho tem o que é preciso para competir com os principais modelos de Samsung e Motorola aqui no Brasil. Mas, na prática, é tudo isso mesmo? Testei o novo aparelho da Realme por alguns dias e compartilho todas as minhas impressões nos próximos parágrafos.

Prós

  • Design nada original, mas muito elegante
  • Tela Super AMOLED de qualidade
  • Desempenho acima da média de um intermediário
  • Autonomia de bateria surpreende

Contras

  • Câmeras boas, porém abaixo da média da categoria

Construção e design

A primeira sensação que eu tive ao tirar o Realme GT Master Edition da caixa foi estar diante de uma mistura entre Motorola Edge 20 e OnePlus Nord 2 5G. O módulo fotográfico retangular construído em vidro é bastante semelhante à peça presente no intermediário da OnePlus, enquanto os três sensores grandes remetem ao aparelho da Motorola.

A combinação resulta em um smartphone que não se destaca por originalidade, embora seja, de fato, muito elegante. O modelo que recebemos para testes veio na cor chamada pela Realme de “Daybreak Blue”, um prateado que muda de tonalidade conforme a angulação sob a luz. O vidro traseiro fosco, muito usado ultimamente por outras fabricantes, também dá ao aparelho uma estética mais premium, o que é excelente.

(Imagem: Ivo/Canaltech)

Um dos pilares que a Realme tem orgulho de estampar na caixa do smartphone é o design fino e leve. De fato, mesmo com uma tela relativamente grande, o aparelho é muito confortável nas mãos, e a tampa traseira de vidro arredondada faz com que a pegada seja bem ergonômica.

  • Dimensões: 159,2 mm x 73,5 mm x 8/8,7 mm (espessura depende da opção de cor);
  • Peso: ~183g.

Na frente, a Realme também se inspirou em modelos da sua “irmã” OnePlus ao colocar a câmera de selfie num furo na região superior esquerda da tela. Particularmente, não é a minha opção favorita — prefiro o recorte posicionado mais ao centro superior, como nos smartphones da Samsung — mas, pelo menos, por aqui ele é sutil e não atrapalha na visão.

(Imagem: Ivo/Canaltech)

Apesar de o Realme GT Master Edition ser um aparelho voltado para o público premium, as bordas ao redor da tela são bem mais visíveis que em outros modelos concorrentes, como o Motorola Edge 20 e o Galaxy A52s 5G — inclusive, o visual frontal é bem parecido com o do Realme 7 Pro, um intermediário mais básico da fabricante.

"O Realme GT Master Edition não é um aparelho que se destaca por originalidade, mas não podemos dizer que ele não é bonito. Estamos diante de uma peça de vidro elegante que muda de cor conforme a sua angulação sob a luz."

— Diego Sousa

Conexões e slots

Com relação às conexões, o Realme GT Master Edition traz o que há de mais atual no mercado: temos suporte às redes 5G, compatibilidade com Bluetooth 5.2, Wi-Fi 6 e NFC para pagamentos por aproximação.

A gaveta de chip, por sua vez, fica localizada na lateral esquerda, logo acima dos botões de volume, e suporta dois SIM card. Infelizmente, o slot não acomoda cartão de memória, portanto você terá que se contentar com o armazenamento padrão do celular.

Tela

A tela do Realme GT Master Edition é um dos seus principais destaques. Ele utiliza o mesmo painel Super AMOLED de 6,43 polegadas com resolução Full HD+ do GT 5G, topo de linha da família. A taxa de atualização também não muda, ou seja, 120 Hz com tecnologia adaptativa — isto é, que diminui ou aumenta a velocidade com que o display é atualizado conforme o conteúdo.

Como você já deve esperar de um bom painel AMOLED, temos cores extremamente vivas, contraste infinito e brilho intenso. Os conteúdos compatíveis com taxas de atualização mais altas, como jogos de tiro em primeira pessoa e a própria interface Realme UI 2.0, também rodam com bastante fluidez. É muito interessante ver outras fabricantes se destacando no quesito tela, que há muito tempo vem sendo dominado pela sul-coreana Samsung.

Outra característica muito bem-vinda é a tela sempre ativa — mais conhecida como Always-on Display. Eu sei que essa função já é muito popular entre os smartphones mais potentes e até alguns intermediários, mas por aqui a Realme separou uma parte nas configurações com diversas possibilidades de personalização, como escolher imagem de fundo, fontes e formatos do relógio, além de adicionar texto.

O leitor de impressão digital também se encontra na tela e a leitura é feita por um sensor óptico, método mais simples entre as disponíveis no mercado. Apesar disso, durante os testes o desbloqueio foi bastante preciso e rápido, exceto quando eu estava com os dedos molhados ou muito engordurados.

"A tela do Realme GT Master Edition é uma das melhores que já vi em um smartphone intermediário. As cores são muito vivas, o contraste é infinito e o brilho, intenso. É ótimo ver outras fabricantes se destacando nesse quesito."

— Diego Sousa

Configurações e desempenho

Internamente, o Realme GT Master Edition usa o chipset Snapdragon 778G, da Qualcomm — e aí aqui que o aparelho fica ainda mais interessante. Esse modelo de processador é o mesmo que equipa os Motorola Edge 20 e Galaxy A52s 5G, só para citar os mais familiares, e conta com núcleos Cortex-A78, também presentes no poderoso Snapdragon 888.

O modelo que adquirimos para testes ainda possui 8 GB de RAM e 256 GB de armazenamento interno, provavelmente o que será vendido por aqui. Ele também pode ser encontrado na gringa em versões com 6 GB de RAM e 128 GB de memória interna. Todas as opções não trazem suporte para cartão microSD.

Obviamente, durante os testes não notei nenhum sinal de travamento e engasgos, seja ao abrir aplicativos mais simples, como InstagramFacebook e Twitter, ou ao rodar jogos pesados, como Dead By Daylight e Asphalt 9: Legends. Assim como comentei na análise do Motorola Edge 20, é quase impossível distinguir a diferença no desempenho entre um smartphone intermediário e um topo de linha.

Basicamente, aonde o Realme GT Master Edition se mostra inferior a modelos mais potentes é nos testes de benchmark. No 3D Mark, por exemplo, plataforma que testa a capacidade do processador em processar gráficos em 3D, o intermediário da chinesa marcou 2.494 pontos, o que é excelente para um aparelho dessa categoria, porém muito abaixo de modelos equipados com o Snapdragon 888.

Sistema operacional

O Realme GT Master Edition sai de fábrica equipado com a interface Realme UI 2.0 sob o sistema Android 11. Durante os testes, notei uma semelhança entre a skin personalizada da chinesa com a OxygenOS 11.3, da OnePlus — o que acho muito positivo, pois ambas trazem ícones arredondados, telas sóbrias e uma série de possibilidades de personalização.

Por falar em personalização, essa foi uma das características que mais gostei na Realme UI 2.0. A chinesa separou uma opção completa nas configurações para isso, permitindo mudar tema, imagem de fundo, estilo dos ícones, layout dos apps, formato da animação do desbloqueio por digital, cores predominantes do sistema, o tamanho de exibição e fonte, gaveta de notificações e até iluminação da borda da tela.

Opção de personalizações da Realme UI 2.0 (Imagem: Diego Sousa/Canaltech)

Além disso, mesmo modificando basicamente todos os elementos do sistema, não notei sinais de navegação travada ou engasgada — inclusive, com a tela configurada em 120 Hz a experiência foi ainda fluida.

Entretanto, nem tudo são flores. Assim como identifiquei na OxygenOS 11.3, a Realme UI 2.0 também trouxe alguns erros de tradução no idioma português do Brasil, como a presença da palavra “ecrã”, enquanto o certo seria “tela”. Felizmente, durante os testes a fabricante soltou uma atualização de sistema que corrigiu esse problema.

Outro problema da modificação da Realme foi a confusão para encontrar algumas configurações do aparelho. Por exemplo, há uma opção chamada “Brilho da tela” que traz os controles de luminosidade, mas também a rotação automática dos conteúdos, os modos de cores e até tema escuro, o que não faz sentido. A taxa de atualização da tela também fica nessa opção, porém dentro da opção “Mais”.

Câmeras

O Realme GT Master Edition tem três câmeras traseiras, sendo uma principal de 64 MP, uma ultrawide de 8 MP e uma macro, de apenas 2 MP. Já para selfies, o smartphone traz um sensor frontal de 32 MP.

(Imagem: Ivo/Canaltech)

No geral, eu gostei das fotos tiradas com o sensor de 64 MP do Realme GT Master Edition. Elas não possuem as cores vivas dos smartphones intermediários da Samsung, o que me agradariam mais, porém se destacam pela presença de tons mais próximos do real. O pós-processamento também não é agressivo e oferece bons níveis de contraste e alcance dinâmico.

(Imagem: Diego Sousa/Canaltech)

As câmeras ultrawide e macro são ok, porém esperava muito mais delas. A lente de ângulo aberto mantém o pós-processamento natural do sensor principal em ambientes com boa iluminação, mas, com apenas 8 MP, já é possível notar uma perda de definição e excesso de ruído. Os modelos equivalentes de Samsung e Motorola já possuem entre 12 MP e 16 MP, resoluções mais agradáveis.

(Imagem: Diego Sousa/Canaltech)

Como você já deve esperar de um sensor de apenas 2 MP, as fotos macro do Realme GT Master Edition são decepcionantes, oferecendo pouquíssima definição e cores lavadas. O Edge 20, da Motorola, se sai muito melhor por fotografar objetos mais próximos usando o sensor ultrawide de 16 MP, enquanto o Galaxy A52s 5G utiliza um sensor de 5 MP de ótima qualidade.

(Imagem: Diego Sousa/Canaltech)

No modo noturno, tanto a câmera principal quanto a ultrawide fazem bons registros, com ruídos, brilho e nitidez equilibrados. Entretanto, notei que o pós-processamento das fotos de ângulo mais aberto foi muito mais acertado, pois trouxe cores mais próximas da realidade.

Em selfies, a câmera de 32 MP traz boa definição e cores vivas, embora o HDR falhe mesmo em ambientes com boa iluminação, estourando tanto o fundo quanto meu rosto.

Em vídeos, o smartphone da Realme grava em até 4K a 30 quadros por segundo com a câmera principal, enquanto a frontal grava em até 1080p a 30 fps.

Qualidade sonora

Um dos cortes que a Realme fez para oferecer o GT Master Edition a um preço menos caro foi no sistema sonoro. Isso porque o intermediário traz apenas um alto-falante na parte de baixo que faz o básico, embora não seja o que esperamos de um aparelho que lançado com preço de topo de linha.

No geral, temos uma boa definição nas vozes quando não há outros elementos reproduzindo ao mesmo tempo. Em músicas mais agitadas, o hardware não consegue separar todos os instrumentos e vocais, resultando em uma embolação de sons desagradável. Além disso, no volume máximo as canções soam estridentes.

(Imagem: Ivo/Canaltech)

É um pouco decepcionante termos uma qualidade sonora tão baixa em um smartphone que se intitula como o “flagship que cabe no bolso”, ainda mais considerando que há muitos aparelhos bem mais baratos que trazem um sistema sonoro melhor.

Bateria

A bateria do Realme GT Master Edition é de 4.300 mAh e eu pensei que não seria o suficiente para passar mais de um dia longe da tomada, mas me surpreendi. No nosso teste padrão de Netflix, reproduzindo um filme de três horas com o aparelho conectado ao Wi-Fi e brilho setado em 50%, foi consumido 19%, enquanto o seu principal rival, o Edge 20, consumiu 28% nas mesmas condições.

Em outro teste, agora reproduzindo um dia de uso casual — com 30 minutos de transmissões na Twitch, 30 minutos de vídeos no YouTube, 20 minutos de redes sociais, 20 minutos de jogos e finalizando com 20 minutos de fotos —, o smartphone intermediário foi de 100% a 68%, apenas 1% a mais que o Edge 20.

Um dos principais diferenciais do Realme GT Master Edition é o carregador de 65 W incluso na caixa, que promete recarregar o aparelho completamente em cerca de 30 minutos. Nos meus testes, o acessório cumpre o prometido e encheu o tanque em incríveis 32 minutos.

(Imagem: Ivo/Canaltech)

Se a sua prioridade for autonomia de bateria, pode ficar tranquilo que o Realme GT Master Edition não deve decepcionar nesse quesito. Dependendo do seu perfil, é possível chegar até ao segundo dia sem problemas — e, se caso o aparelho morrer, há um carregador ultrarrápido na caixa para salvá-lo.

Vale mencionar que, para eliminar a interferência da flutuação de sinal de celular na autonomia de bateria, nós removemos quaisquer chips de operadora do aparelho para realizar esses testes. Contudo, isso influencia positivamente nos resultados de autonomia.

"Não achei que a bateria de 4.300 mAh do Realme GT Master Edition fosse me surpreender positivamente. Mas, nos meus testes, o aparelho se saiu melhor que o Motorola Edge 20."

— Diego Sousa

Concorrentes diretos

No Brasil, a Realme é conhecida pelos preços competitivos nos segmentos básico e intermediário, mas com o GT Master Edition a chinesa deixou essa popularidade de lado. Conforme a empresa divulgou para a equipe do Canaltech, o smartphone tem preço sugerido de R$ 3.699 na versão com 8 GB de RAM e 256 GB de armazenamento.

De fato, é um valor alto, porém não tanto se considerarmos seus concorrentes mais próximos. O Motorola Edge 20, por exemplo, pode ser encontrado por R$ 3.299 e também entrega chipset Snapdragon 778G 5G e tela AMOLED. Entretanto, eu recomendaria o smartphone da Motorola por trazer 144 Hz de taxa de atualização, contra 120 Hz do rival, e um conjunto fotográfico superior, com uma câmera principal de 108 MP e uma macro de ótima qualidade.

Motorola Edge 20 é o melhor intermediário da empresa (Imagem: Ivo/Canaltech)

Outro modelo bastante semelhante ao Realme GT Master Edition, e que custa bem menos, é o Galaxy A52s 5G, lançado no Brasil há alguns meses. Podendo ser encontrado por R$ 2.799 no próprio site da Samsung, o aparelho também é equipado com o poderoso Snapdragon 778G 5G, mas se sobressai em relação ao rival pelo conjunto de câmeras mais interessante, além da promessa de atualização até o futuro Android 14.

O Galaxy A52s 5G é basicamente um A52 com mais desempenho (Imagem: Ivo/Canaltech)

Por fim, considero o Motorola Moto G100 para quem procura um smartphone potente, mesmo que deixe de lado algumas características premium. O aparelho tem chipset Snapdragon 870, um dos mais poderosos do mercado, tela IPS LCD, design de plástico e suporte à modo PC.

Conclusão

O Realme GT Master Edition é o smartphone mais potente da chinesa no mercado brasileiro. Ele certamente coloca a marca no radar dos consumidores que procuram um conjunto agradável para quase todas as utilizações.

O chipset Snapdragon 778G 5G é um dos destaques, fazendo todas as tarefas da Play Store rodarem com qualidade; a tela Super AMOLED de 120 Hz é outro acerto, uma das melhores que já vi em um aparelho da categoria. Já a bateria foi uma das surpresas mais positivas, pois segurou as pontas mesmo com uma capacidade teoricamente inferior aos concorrentes.

Como nem tudo são flores, a Realme ficou devendo um sistema sonoro estéreo, ainda mais considerando o seu preço. O conjunto fotográfico também não se destaca por aqui, com duas câmeras medíocres e uma que não faz milagre sozinha.

No final, acredito que o saldo do Realme GT Master Edition seja positivo, mas não nesse primeiro momento. A Realme cobra R$ 3.699 pelo smartphone no lançamento, o que considero muito alto pelo conjunto que entrega. Caso o aparelho possa ser encontrado por cerca de R$ 2.500 no futuro, acredito que ele se torne um ótimo rival dos novos Edge 20, da Motorola.