Shopee entra na "onda de demissões em massa" após fim de frete grátis no Brasil

Shopee entra na "onda de demissões em massa" após fim de frete grátis no Brasil

Por Márcio Padrão | Editado por Claudio Yuge | 23 de Junho de 2022 às 17h20
Divulgação/Shopee

A marketplace Shopee, de Cingapura, demitiu cerca de 50 funcionários nesta semana, segundo o Estadão. O contingente é considerado baixo se comparado aos cerca de 1,5 mil funcionários da empresa no Brasil. Nesta mesma semana, a Ebanx também informou mudanças na operação, que culminaram na demissão de 20% do quadro. São novos exemplos da dificuldade que empresas de tecnologia vêm enfrentando para expandir negócios no país.

As demissões da Shopee foram informadas no site Layoffs Brasil, que informa desligamentos de colaboradores de startups e outras grandes empresas. O movimento acontece depois que a companhia encerrou sua política de frete grátis irrestrito para os consumidores.

No começo de junho, a Shopee passou a entregar o benefício apenas para compras em lojas oficiais, que oferecem cupons para compras acima de R$ 29, e com taxa de entrega abaixo de R$ 20. Quando os produtos em questão não têm a etiqueta, os cupons para desconto na entrega só são válidos em compras acima de R$ 59 (antes, era R$ 50). Também mantém a oferta da gratuidade do frete em campanhas sazonais; a próxima será no aniversário do site, no dia 7 de julho, que terá cerca de R$ 6 milhões em cupons de descontos.

De acordo com a reportagem, a Shopee também dispensou cerca de 100 prestadores de serviço temporários que atuavam em um centro de distribuição de Barueri. Os trabalhadores eram terceirizados da empresa de RH GiGroup e não tiveram os seus contratos renovados.

Procurado pelo Estadão, a Shopee não quis comentar o caso. O Canaltech também procurou a empresa, que respondeu com os seguintes esclarecimentos:

Em pouco mais de dois anos no Brasil, a empresa já tem mais de 2 milhões de vendedores brasileiros registrados, reforçando seu compromisso com o desenvolvimento do empreendedorismo local, e mais de 1.500 colaboradores no país. Para suportar sua expansão, a Shopee inaugurou, em abril deste ano, seu segundo escritório, que ocupa quatro andares de um prédio no Largo da Batata.

A sede da companhia fica na Av. Faria Lima, também em São Paulo, reforçando seu investimento na economia local e crescimento da plataforma. Atualmente, a Shopee está com mais de 100 vagas abertas, o que fortalece diferentes áreas da economia. A empresa, sediada na cidade de São Paulo desde 2019, destaca que cumpre toda a legislação local, inclusive o pagamento de impostos. Sobre as movimentações de colaboradores são ações rotineiras e periódicas que fazem parte do negócio. A Shopee mantém sua estratégia e comprometimento com o Brasil.

Shopee enfrenta problemas no Brasil e saiu da Índia neste ano (Imagem: Divulgação/Shopee)

A crise da Shopee no Brasil e no mundo

Segundo o Estadão, o frete grátis para todas as compras da Shopee no Brasil ajudou a ampliar a base de clientes, mas se mostrava insustentável na prática. Como consequência do fim do recurso, muitos clientes criticaram a empresa nas redes sociais.

A Shopee também sofre críticas por ser supostamente conivente com a venda de produtos importados sem cumprir todas as taxas e requisitos legais no país. Além da asiática, a argentina Mercado Livre, a americana Wish e as chinesas AliExpress e Shein foram acusadas na época. As companhias negaram a acusação.

Fora do Brasil, a empresa também enfrentou problemas. Com apenas alguns meses de operação na Índia, a singapurense encerrou as operações no país em março. Segundo a empresa, foi devido à incerteza do mercado global. No entanto, a imprensa informou que ela estava com fracas perspectivas de crescimento no mercado indiano e foi impactada pela proibição ao jogo Free Fire, pertencente à sua controladora, Sea Group.

Ebanx reduziu cerca de 20% do quadro de mais de 1.700 funcionários (Imagem: Divulgação/Ebanx)

Demissões da Ebanx

A fintech paranaense de pagamentos Ebanx informou na terça-feira (21) que está revendo sua operação, com reformulação de estruturas, encerramento de projetos e uma redução de cerca de 20% do quadro de mais de 1.700 funcionários.

"A decisão foi tomada com base no cenário atual do mercado de tecnologia como um todo, impactado de forma profunda e veloz pelo ambiente macroeconômico. O Ebanx mantém o compromisso com sua sustentabilidade e crescimento, seguindo na missão de gerar acesso entre consumidores e empresas globais", disse a companhia ao G1. 

Ao Canaltech, a empresa confirmou as demissões, dizendo que decisão foi tomada "com base no cenário atual do mercado de tecnologia como um todo, impactado de forma profunda e veloz pelo ambiente macroeconômico. Também disse que os funcionários dispensandos receberão, além da rescisão, valores adicionais e extensão do plano de saúde, além do computador de trabalho.

Fundada em 2012, o Ebanx atua em 15 países da América Latina, como México, Colômbia, Chile e Argentina. Em 2019, tornou-se empresa unicórnio (com valor de mercado acima de US$ 1 bilhão) e mantinha nos últimos anos um plano de expansão pela região. Seu último aporte foi de US$ 430 milhões (R$ 2,2 bilhões) em uma rodada série B, em junho do ano passado. Em dezembro, havia comprado a fintech Remessa Online por R$ 1,2 bilhão.

Crise das startups avança

Também segundo o site LayOffs Brasil, os cortes anunciados por startups brasileiras e estrangeiras já superam 1.900 demissões desde o mês de março. Possíveis motivos são a crise macroeconômica global e aumento dos juros causados pela retomada pós-covid e pela guerra na Ucrânia, que afastaram investidores.

Em junho, a Kavak, mexicana do setor de carros usados avaliada em US$ 8,1 bilhões (R$ 41 bilhões) em 2021, dispensou funcionários brasileiros desde março — a Exame falou em 150, e o Estadão, em 300.

Outros exemplos recentes foram:

  • QuintoAndar demitindo cerca de 160 funcionários em abril;
  • Loft demitiu 159 pessoas em abril após concluir a integração com a CrediHome;
  • Espanhola Cabify anunciou fim das operações no Brasil no ano passado;
  • Americana Uber Eats deixou de atuar no Brasil em janeiro deste ano;
  • Facily demitiu mais de 1.000 pessoas após superar valor de US$ 1 bilhão;
  • Bitso, mexicana do mercado de criptomoedas, demitiu 80 pessoas globalmente, inclusive no Brasil;
  • Domestika, americana de cursos online, demitiu 200 por todo o mundo, sendo 40 cortes no Brasil;
  • Favo, peruana de supermercado online, encerrou operações no Brasil no início de junho, dispensando no país 171 pessoas;
  • Olist demitiu aproximadamente 150 funcionários no final de maio;
  • Grupo 2TM, dono do Mercado Bitcoin, demitiu 90 dos cerca de 750 funcionários.

Fonte: Estadão (via MSN), G1, Neofeed, Layoffs Brasil

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