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Shopee entra na "onda de demissões em massa" após fim de frete grátis no Brasil

Por  • Editado por  Claudio Yuge  | 

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Divulgação/Shopee
Divulgação/Shopee

A marketplace Shopee, de Cingapura, demitiu cerca de 50 funcionários nesta semana, segundo o Estadão. O contingente é considerado baixo se comparado aos cerca de 1,5 mil funcionários da empresa no Brasil. Nesta mesma semana, a Ebanx também informou mudanças na operação, que culminaram na demissão de 20% do quadro. São novos exemplos da dificuldade que empresas de tecnologia vêm enfrentando para expandir negócios no país.

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As demissões da Shopee foram informadas no site Layoffs Brasil, que informa desligamentos de colaboradores de startups e outras grandes empresas. O movimento acontece depois que a companhia encerrou sua política de frete grátis irrestrito para os consumidores.

No começo de junho, a Shopee passou a entregar o benefício apenas para compras em lojas oficiais, que oferecem cupons para compras acima de R$ 29, e com taxa de entrega abaixo de R$ 20. Quando os produtos em questão não têm a etiqueta, os cupons para desconto na entrega só são válidos em compras acima de R$ 59 (antes, era R$ 50). Também mantém a oferta da gratuidade do frete em campanhas sazonais; a próxima será no aniversário do site, no dia 7 de julho, que terá cerca de R$ 6 milhões em cupons de descontos.

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De acordo com a reportagem, a Shopee também dispensou cerca de 100 prestadores de serviço temporários que atuavam em um centro de distribuição de Barueri. Os trabalhadores eram terceirizados da empresa de RH GiGroup e não tiveram os seus contratos renovados.

Procurado pelo Estadão, a Shopee não quis comentar o caso. O Canaltech também procurou a empresa, que respondeu com os seguintes esclarecimentos:

Em pouco mais de dois anos no Brasil, a empresa já tem mais de 2 milhões de vendedores brasileiros registrados, reforçando seu compromisso com o desenvolvimento do empreendedorismo local, e mais de 1.500 colaboradores no país. Para suportar sua expansão, a Shopee inaugurou, em abril deste ano, seu segundo escritório, que ocupa quatro andares de um prédio no Largo da Batata. A sede da companhia fica na Av. Faria Lima, também em São Paulo, reforçando seu investimento na economia local e crescimento da plataforma. Atualmente, a Shopee está com mais de 100 vagas abertas, o que fortalece diferentes áreas da economia. A empresa, sediada na cidade de São Paulo desde 2019, destaca que cumpre toda a legislação local, inclusive o pagamento de impostos. Sobre as movimentações de colaboradores são ações rotineiras e periódicas que fazem parte do negócio. A Shopee mantém sua estratégia e comprometimento com o Brasil.

A crise da Shopee no Brasil e no mundo

Segundo o Estadão, o frete grátis para todas as compras da Shopee no Brasil ajudou a ampliar a base de clientes, mas se mostrava insustentável na prática. Como consequência do fim do recurso, muitos clientes criticaram a empresa nas redes sociais.

A Shopee também sofre críticas por ser supostamente conivente com a venda de produtos importados sem cumprir todas as taxas e requisitos legais no país. Além da asiática, a argentina Mercado Livre, a americana Wish e as chinesas AliExpress e Shein foram acusadas na época. As companhias negaram a acusação.

Fora do Brasil, a empresa também enfrentou problemas. Com apenas alguns meses de operação na Índia, a singapurense encerrou as operações no país em março. Segundo a empresa, foi devido à incerteza do mercado global. No entanto, a imprensa informou que ela estava com fracas perspectivas de crescimento no mercado indiano e foi impactada pela proibição ao jogo Free Fire, pertencente à sua controladora, Sea Group.

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Demissões da Ebanx

A fintech paranaense de pagamentos Ebanx informou na terça-feira (21) que está revendo sua operação, com reformulação de estruturas, encerramento de projetos e uma redução de cerca de 20% do quadro de mais de 1.700 funcionários.

"A decisão foi tomada com base no cenário atual do mercado de tecnologia como um todo, impactado de forma profunda e veloz pelo ambiente macroeconômico. O Ebanx mantém o compromisso com sua sustentabilidade e crescimento, seguindo na missão de gerar acesso entre consumidores e empresas globais", disse a companhia ao G1. 

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Ao Canaltech, a empresa confirmou as demissões, dizendo que decisão foi tomada "com base no cenário atual do mercado de tecnologia como um todo, impactado de forma profunda e veloz pelo ambiente macroeconômico. Também disse que os funcionários dispensandos receberão, além da rescisão, valores adicionais e extensão do plano de saúde, além do computador de trabalho.

Fundada em 2012, o Ebanx atua em 15 países da América Latina, como México, Colômbia, Chile e Argentina. Em 2019, tornou-se empresa unicórnio (com valor de mercado acima de US$ 1 bilhão) e mantinha nos últimos anos um plano de expansão pela região. Seu último aporte foi de US$ 430 milhões (R$ 2,2 bilhões) em uma rodada série B, em junho do ano passado. Em dezembro, havia comprado a fintech Remessa Online por R$ 1,2 bilhão.

Crise das startups avança

Também segundo o site LayOffs Brasil, os cortes anunciados por startups brasileiras e estrangeiras já superam 1.900 demissões desde o mês de março. Possíveis motivos são a crise macroeconômica global e aumento dos juros causados pela retomada pós-covid e pela guerra na Ucrânia, que afastaram investidores.

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Em junho, a Kavak, mexicana do setor de carros usados avaliada em US$ 8,1 bilhões (R$ 41 bilhões) em 2021, dispensou funcionários brasileiros desde março — a Exame falou em 150, e o Estadão, em 300.

Outros exemplos recentes foram:

  • QuintoAndardemitindo cerca de 160 funcionáriosem abril;
  • Loft demitiu 159 pessoas em abril após concluir a integração com a CrediHome;
  • Espanhola Cabify anuncioufim das operações no Brasilno ano passado;
  • AmericanaUberEatsdeixou de atuar no Brasilem janeiro deste ano;
  • Facilydemitiu mais de 1.000 pessoasapós superar valor de US$ 1 bilhão;
  • Bitso, mexicana do mercado de criptomoedas, demitiu 80 pessoas globalmente, inclusive no Brasil;
  • Domestika, americana de cursos online, demitiu 200 por todo o mundo, sendo 40 cortes no Brasil;
  • Favo, peruana de supermercado online, encerrou operações no Brasil no início de junho, dispensando no país 171 pessoas;
  • Olist demitiu aproximadamente 150 funcionários no final de maio;
  • Grupo 2TM, dono do Mercado Bitcoin, demitiu 90 dos cerca de 750 funcionários.