É evidente a influência humana no aquecimento global, diz novo relatório da ONU

É evidente a influência humana no aquecimento global, diz novo relatório da ONU

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 09 de Agosto de 2021 às 10h55
Unplash/Markus Spiske

Em seu mais novo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), a Organização Mundial das Nações Unidas (ONU) é taxativa: o aquecimento global está ainda mais veloz do que se pensava e, como já previsto, a ação humana é a principal causa disso. O IPCC revisou mais de 14.000 pesquisas que apontam evidências para mudanças climáticas cada vez mais intensas e frequentes. Este é o documento mais completo e incisivo a respeito das causas, efeitos atuais e futuros — e propõe os possíveis caminhos para limitar a crise climática.

O IPCC foi criado em 1988 pela ONU Meio Ambiente e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) com o objetivo de fornecer avaliações científicas e regulares sobre as mudanças climáticas aos formadores de políticas, bem propor alternativas para adaptação e mitigação. O novo documento é a primeira parte do Sexto Relatório de Avaliação (AR6) e, em suas 41 páginas, o comitê de 800 cientistas dos 195 países membros — entre eles, o Brasil — relatam que a atividade humana é um impulsionador das mudanças climáticas, afetando os oceanos, a atmosfera, o gelo e a biosfera de todo o planeta de maneiras “generalizadas e rápidas”.

Principais apontamentos do relatório

A primeira parte do relatório foi conduzida pelo Grupo de Trabalho I do IPCC, com a participação de mais de 200 cientistas descrevem e quantificação como a atividade humana, principalmente a produção de CO2 atmosférico a partir da queima de combustíveis fósseis, provocou um aquecimento global a uma taxa jamais registrada nos últimos 2.000 anos. Se o aquecimento continuar no ritmo atual, a Terra ultrapassará o aumento de 1,4 °C previsto no último relatório — alcançando 2 °C até 2050. De acordo com os autores, em todos os cenários de emissões futuras considerados, as temperaturas da superfície continuarão a subir até, pelos menos, metade deste século.

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(Imagem: Reprodução/Unplash/Patrick Hendry)

Uma das principais novidades do AR6 é que, pela primeira vez, cientistas conseguiram quantificar a ação humana sobre o clima global. Segundo o relatório, o mundo todo esquentou 1,09 °C desde a era pré-industrial. Desse total, apenas 0,02 °C podem ser atribuídos a causas naturais. O restante é de responsabilidade humana — em boa parte, pela queima de combustíveis fósseis e pelo desmatamento, que produzem gases de efeito estufa. "O fato de o IPCC ter concordado — com o acordo de todos os 195 países membros — que é inequívoco que a atividade humana está causando as mudanças climáticas, é a declaração mais forte que o IPCC já fez", relata Ko Barrett, vice-presidente do IPCC.

Os níveis de concentração de CO2 na atmosfera estão mais altos do que há 2 milhões de anos. O gelo marinho do Ártico se encontra em seu ponto mais baixo do que há 1.000 anos e o recuo das geleiras é o maior dos últimos 2.000 anos. Só no século passado, os mares subiram a uma taxa de 4 milímetros por ano — mais do que em todos os 3.000 anos anteriores —, e os eventos de inundação costeira dobraram desde 1960, aponta Bob Kopp, um dos co-autores do estudo. "Com cada incremento adicional do aquecimento global, as mudanças nos extremos continuam a se tornar maiores", acrescenta.

(Imagem: Reprodução/Unplash/Matt Palmer)

Apenas nas últimas semanas, uma série de exemplos sobre as mudanças climáticas foram noticiados: o Canadá registrou ondas de calor recorde; incêndios florestais devastadores na Sibéria; inundações catastróficas pela Europa Central; oito meses de chuva em um único dia na China; sem contar a onda intensa de frio que cobriu o Centro-Sul do Brasil. “Este relatório é um toque de despertar. Hoje nós temos um quadro muito mais claro do clima passado, presente e futuro, o que é essencial para entendermos onde estamos indo, o que pode ser feito e como podemos nos preparar”, aponta Valérie Masson-Delmotte, co-autora do relatório.

A redução de emissão de gases de efeito estufa oferece um cenário mais promissor, com efeitos que poderiam ser notados em duas décadas, de acordo com os pesquisadores. No entanto, Barret reforça que “realmente requer uma mudança transformacional sem precedentes, com redução rápida e imediata das emissões de gases de efeito estufa para zero até 2050".

Mais dois relatórios do IPCC serão entregues até o próximo ano. Neles, outros dois grupos de trabalho abordarão a vulnerabilidade climática, os impactos e adaptação em comunidades ao redor do planeta e estratégias em potencial para mitigação da crise climática.

Todos os detalhes sobre a primeira parte do sexto relatório, podem ser consultados em IPCC.

Fonte: Space.com

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