Alerta! Ciclo lunar e mudanças climáticas podem intensificar inundações; entenda

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 13 de Julho de 2021 às 11h49
Hawaii Sea Grant King Tides Project

As inundações de maré alta são fenômenos comuns em diversas cidades no litoral dos Estados Unidos, mas, agora, um estudo alerta que elas deverão ficar mais problemáticas para as cidades costeiras em um futuro não tão distante. No início da década de 2030, o aumento do nível dos mares, somado ao ciclo da Lua, irá fazer com que estes locais tenham uma década de aumentos dramáticos na quantidade de inundações — e haverá momentos em que elas acontecerão em “grupos”, que podem durar mais de um mês.

Também conhecidas como “inundações incômodas”, as inundações de marés altas não são um problema nada recente. De acordo com dados do National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), instituição ligada ao governo dos Estados Unidos, houve mais de 600 delas em 2019. Elas ocorrem em áreas litorâneas, onde as marés podem ficar 0,6 m acima da média para as marés altas, e acabam inundando diversas áreas das cidades. Por isso, essas inundações não são exatamente um desastre, mas causam problemas para os moradores e estabelecimentos locais.

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As áreas em vermelho indicam onde o mar está de 10 a 15 cm acima do normal; o aumento do nível do mar é um dos fatores que intensificará as inundações apontadas no estudo (Imagem: Reprodução/NASA Earth Observatory/ Joshua Stevens)

Quanto mais duram, mais danos elas causam, e o estudo mostrou que as áreas que costumam enfrentar duas ou três inundações por mês podem ter que encarar mais de uma dúzia delas. Por isso, Phil Thompson, autor que liderou o estudo, alerta que maior parte do impacto do fenômeno da próxima década virá, principalmente, do efeito cumulativo das inundações. “Se houver 10 ou 15 por mês, estabelecimentos não vão poder funcionar por ficarem com o estacionamento submerso, e as pessoas perdem seus trabalhos porque não conseguem se deslocar”, explica. 

Para chegar a estes resultados, os pesquisadores estudaram 89 focos de inundações em cada estado litorâneo do país, e criaram um modelo estatístico para mapear os cenários de aumento do nível do mar, que costumam ser usados pelo NOAA. Assim, eles trabalharam com limites para as inundações, o número de vezes que estes limites foram excedidos anualmente, os ciclos astronômicos e representações de outros processos que afetam as marés. 

No fim, eles descobriram que mesmo cidades bastante separadas no litoral terão aumento nas taxas de inundações quase ao mesmo tempo. Muito disso se deve a uma oscilação regular na órbita da Lua, que leva 18,6 anos para ser finalizada. Durante metade desse ciclo, as marés altas ficam mais baixas, e as marés baixas ficam mais altas. Depois, na outra metade, as marés são amplificadas, de modo que as altas ficam ainda maiores, e as baixas ainda menores. 

Essa oscilação na órbita da Lua foi observada pela primeira vez em 1728, e terá seus efeitos combinados ao aumento do nível do mar (Imagem: Reprodução/Juhasz Imre/Pexels)

Por enquanto, a Lua está passando pela etapa de ampliação das marés e, em grande parte das cidades costeiras dos Estados Unidos, o nível do mar não subiu o suficiente a ponto de ultrapassar os limites de inundação. Mas isso deve mudar na próxima década: na próxima vez que o ciclo lunar ampliar as marés, o aumento global do nível dos mares já terá acontecido, e será intensificado pelo ciclo lunar. Com isso, grande parte das cidades costeiras terão aumento nas inundações, e aquelas mais ao norte serão poupadas por mais alguns anos. 

Esses cenários podem parecer assustadores, mas os autores ressaltam ser importante entendê-los quanto antes para que, assim, seja possível realizar um planejamento para evitar impactos nas comunidades locais. “Entender que todos os eventos vão ficar agrupados em determinado mês, ou saber que haverá inundações mais intensas no segundo semestre são informações úteis”, conclui Ben Hamlington, co-autor do estudo. 

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Nature Climate Change. 

Fonte: NASASpace.com

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