O aquecimento global já pode ter alcançado seu ponto irreversível no Ártico

O aquecimento global já pode ter alcançado seu ponto irreversível no Ártico

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 16 de Junho de 2021 às 14h30
Mosaic Expedition

Avaliar a real dimensão das consequências do aquecimento global é um verdadeiro desafio. Para isso, é necessário analisar cada um dos componentes do que chamamos de sistema terrestre — basicamente, os processos naturais que ocorrem na superfície do planeta —, e então entender como cada um deles vem reagindo às mudanças climáticas. Este é o caso das pesquisas que acompanham o acelerado derretimento das calotas polares da Terra. Agora, em um novo estudo, cientistas indicam que o ponto crítico irreversível do aquecimento já pode ter sido atingido no Ártico.

Em outras palavras, é o que os cientistas chamam de ponto de inflexão, quando a curva de um gráfico atinge um ponto crítico em que não há mais retorno. Nesse caso, tanto o aumento da temperatura global, quanto o derretimento do Ártico, podem se tornar um caminho sem volta. Markus Rex, líder da Mosaic Expedition, a maior missão já realizada ao Polo Norte, explica que o derretimento do gelo marinho do verão no Ártico é “um dos pontos de inflexão que iniciamos quando levamos o aquecimento longe demais".

Na primavera, o gelo começa a derreter e grandes lagoas começam a se formar e passam a absorver mais calor do Sol. Essas "piscinas" são cada vez mais comuns (Imagem: Reprodução/Mosaic Expedition)

Para a pesquisa, Rex contou com a participação de 300 cientistas de 20 países. A expedição, que durou 389 dias pelo Ártico, trouxe de volta evidências devastadores da perda do Oceano Ártico e avisos sobre verões sem gelo em questão de algumas décadas. A missão custou um total de 140 milhões de euros e gerou 150 terabytes de dados, além de trazer mais de 1.000 amostras de gelo.

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De maneira geral, as primeiras descobertas da pesquisa revelaram que o gelo do mar no Ártico recuou mais rápido na primavera de 2020 do que desde o início de seus registros. "A propagação do gelo do mar no verão foi apenas metade do tamanho de décadas atrás", acrescenta Rex. A camada de gelo tinha apenas a metade da espessura e temperaturas até 10 graus mais elevados do que expedições empreendias na década de 1980. Uma vez que a superfície de gelo diminui, o oceano passa a absorver mais calor do Sol e, consequentemente, torna a formação de gelo mais lenta do que o normal.

O recuo da extensão do gelo compromete o habitat de muitas espécies, como o urso-polar (Imagem: Reprodução/Mosaic Expedition) 

Rex e sua equipe acreditam que apenas novas avaliações ao longo dos próximos anos poderão determinar se ainda existe chance de salvar o gelo do Ártico ou se já ultrapassamos o ponto de inflexão no sistema climático polar.

Fonte: ScienceAlert

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