Você sabia que a Microsoft tem a sua própria distribuição de Linux?

Você sabia que a Microsoft tem a sua própria distribuição de Linux?

Por Igor Almenara | Editado por Douglas Ciriaco | 13 de Julho de 2021 às 17h18
Alveni Lisboa/Canaltech

A Microsoft pode ser vista como uma concorrente direta de distribuições Linux — e a própria companhia reforçava essa visão anos atrás, com declarações apimentadas do ex-CEO Steve Ballmer, que chamava o rival de “câncer”. Apesar disso, o tempo e a liderança de Satya Nadella mudaram essa visão e a gigante desenvolveu laços mais amigáveis com o kernel vizinho.

A postura mudou tanto que o próprio Windows é embarcado com tecnologias para suportar a execução de programas com interface gráfica de usuário (GUI) Linux. Contudo, a relação é ainda mais íntima: a Microsoft também tem sua própria distribuição Linux, o CBL-Mariner.

Você pode não estar surpreso, visto que esse sistema não é um segredo da companhia há algum tempo. Para matar a curiosidade do público, o gerente de programação sênior do Microsoft Azure, Juan Manuel Rey, jogou uma luz sobre o projeto e compartilhou um pouco da distro, incluindo capturas de tela do processo de instalação.

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O processo de instalação do CBL-Mariner é bem acessível (Imagem: Reprodução/Juan Manuel Rey)

O Mariner (ou CBL-Mariner, com o acrônimo para "Common Base Linux") é uma distribuição Linux de código aberto disponível no repositório oficial da Microsoft no GitHub. Ele não é um sistema operacional que você pode baixar a ISO livremente e instalar no computador — embora tenha uma pegada bem próxima do Fedora e do Photon OS. Trata-se de uma ferramenta destinada a times de engenharia da Microsoft que trabalham com recursos de nuvem.

Curiosamente, a distribuição Linux da gigante é uma criação da mesma equipe que elaborou o Subsistema do Windows para Linux (WSL). O processo de instalação, embora complicado de ser iniciado, não é lá tão incomum quando na versão com interface gráfica. A tela de configurações permite que o usuário gerencie partições, preencha com dados de licença, crie um usuário administrador e parta para a atividade rapidamente.

Dentro da Microsoft, o Mariner é utilizado em ferramentas na construção de tecnologias como SONiC, Azure Sphere OS e o próprio WSL. A Microsoft justifica a distribuição pública do projeto como uma forma de demonstrar seu comprometimento com a abordagem de código aberto e colaborar com a comunidade Linux.

De acordo com o executivo, o sistema de pacotes do CBL-Mariner é baseado em RPM, que garante facilidade para instalar e desinstalar programas. Além disso, o SO é construído com enorme foco em segurança, com kernel reforçado, atualizações autenticadas com assinatura e Address Space Layout Randomization (ASLR), uma técnica de segurança que previne a execução arbitrária de código.

A atualização que levou o Mariner para a versão 1.0 foi liberada na semana passada, com mudanças para o lançamento do kernel Linux 5.10 LTS, correções de segurança e adição de vários pacotes.

Até dá para instalar, mas não é o ideal

Apesar de não recomendada, a instalação não é impossível. Você pode até compilar os arquivos disponíveis no repositório, montar um arquivo de instalação e tentar a sorte — desde que você atenda os pré-requisitos para baixar.

O sistema permite a criação de usuários com proteção por senha, mas não vá achando que poderá utilizá-lo para o dia a dia(Imagem: Reprodução/Juan Manuel Rey)

Os requisitos mínimos não parecem ser lá tão exigentes, como mostra Rey. Ele comenta que conseguiu instalar o sistema operacional em uma máquina virtual com um único núcleo de CPU dedicado, 2 GB de RAM e 16 GB de espaço para armazenamento.

Para o público, o Mariner existe apenas a título de curiosidade e não é nem um pouco recomendado o seu uso para produtividade. Se quiser experimentar, é interessante dar uma olhada no repositório da Microsoft e, quem sabe, instalar o SO em uma máquina virtual.

Fonte: Juan Manuel Rey, Microsoft (GitHub)

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