Publicidade
Economize: canal oficial do CT Ofertas no WhatsApp Entrar

CT Entrevista | Intel discute vPro de 13ª geração e foco em segurança

Por| Editado por Wallace Moté | 23 de Março de 2023 às 13h00

Link copiado!

Intel
Intel
Tudo sobre Intel

A Intel apresentou nesta quinta-feira (23) a nova versão da plataforma empresarial vPro baseada na 13ª geração de processadores Raptor Lake. Além dos benefícios já conhecidos dos novos chips, como a performance turbinada pelos núcleos aprimorados, a melhor eficiência energética e comunicação mais inteligente com o Windows, o lançamento engloba os recursos dedicados a facilitar o gerenciamento no mercado corporativo, com novidades de peso em termos de segurança, incluindo uma redução de 70% na superfície de ataque.

Para falar mais da novidade, o Canaltech teve a oportunidade de entrevistar com exclusividade no Brasil a Vice-Presidente e Gerente Geral das Plataformas de Clientes Empresariais da Intel, Stefanie Hallford, ao lado do Líder de Tecnologia da Intel Brasil, Marcio Paulino. Durante a conversa, os executivos detalharam o processo de aprimoramento da segurança da Intel vPro para a 13ª geração, discutiram o cenário empresarial brasileiro e deram algumas pistas do que podemos esperar para o futuro da plataforma.

Destaques do Intel vPro de 13ª geração

Continua após a publicidade

Baseada na 13ª geração de processadores codinome Raptor Lake, apresentados ao público em geral no final de 2022, a nova versão da plataforma Intel vPro, focada em empresas, tem como principal destaque os avanços significativos em segurança.

No anúncio, a companhia destacou como possui uma solução completa de hardware e software, como trabalha com a Microsoft para integrar proteções especiais para virtualização no Windows 11, e reforça a integração de IA para um alto nível de sucesso na detecção de ameaças — pontos citados por Stefanie ao ser perguntada pelas principais novidades da vPro de 13ª geração.

[...] Nós lançamos a 13ª geração em nossa linha para consumidores no final do ano passado, e agora estamos seguindo a linha comercial completa [que atende o mercado corporativo], e o que trazemos na linha comercial que é diferente da [linha para] consumidores está nas áreas que são muito importantes para negócios, como segurança, como capacidade de gerenciamento, e a integração de software com parceiros estratégicos que várias empresas utilizam. [...] Investimos por anos em nosso foco nas proteções baseadas em hardware, mas isso é algo difícil de quantificar por não haver um padrão, como a bateria, que você pode observar a autonomia. Então nos esforçamos para trabalhar com institutos independentes de pesquisa para que eles façam os testes, e os resultados são fantásticos. Todo o trabalho que fazemos, seja na BIOS, ou [em proteções] acima do sistema operacional [...] colocamos no chamado Intel Hardware Shield, que nos proporcionou 70% de redução da superfície de ataque em comparação a um PC de 4 anos de idade, [...] muito importante quando a sofisticação dos ataques está crescendo. [....] Algo único da Intel é nossa tecnologia de detecção de ameaças, que consegue detectar mais de 90% das ameaças modernas. E quando ela detecta, podemos trabalhar com CrowdStrike Defender, Chek Point, várias líderes de segurança, e trabalhamos para integrar essa capacidade de detecção com o software delas para remediar [o problema]. E [a ferramenta de detecção de ameaças] é uma ferramenta de Machine Learning, então ela fica mais inteligente a cada ataque. E claro, [temos] nossa parceria com a Microsoft [que é] muito forte, nós integramos ao Windows 11 muita da nossa segurança baseada em virtualização [...], então diria que a grande novidade é o quanto há de novo em segurança e a quantificação dos benefícios que há nela. [...] — Stefanie Hallford, Vice-Presidente e Gerente Geral das Plataformas de Clientes Empresariais da Intel
Continua após a publicidade

A Intel parece estar focada em atender empresas que possuam máquinas com 3 ou mais anos de vida, especialmente ao enfatizar como a 13ª geração com vPro oferece saltos massivos de desempenho em comparação a computadores munidos da 10ª geração de processadores da marca. Mais interessante, Stefanie aponta como, apesar dos números de benchmarks mostrarem bons avanços, de ao menos 30% contra concorrentes, a gigante buscou avaliar a performance em cenários realistas, como multitarefas durante reuniões.

[...] A outra área em que a nova 13ª geração está brilhando é performance. Nós temos números incríveis de desempenho. [...] Mas o que acredito ser realmente único é que não estávamos satisfeitos apenas com os benchmarks, que por sinal estão muito bons, [...] até 30% superiores contra a concorrência [Ryzen 6000 e Apple M2, segundo a Intel]. Contra PCs de 3 anos de idade, [os ganhos] são de quase 70% no SYSmark. [...] O que todos aprendemos, e talvez o ambiente de covid-19 tenha confirmado isso para todos nós, é que benchmarks só contam parte da história. O que realmente precisamos fazer é olhar para como esses PCs adicionam valor ao seu cotidiano. [Nós] pegamos o que chamamos de 'ambientes de computação do mundo real', nos perguntamos 'ok, o que um analista de dados costuma fazer?'. Essa pessoa está trabalhando no [Microsoft] Teams, [...] demonstrando um relatório do Power BI, e está renderizando esse relatório, mudando os dados para explicá-los na apresentação, e exportando-os em um PDF. Essa é uma tarefa comum de um analista de dados múltiplas vezes durante o dia. E nós comparamos isso com a concorrência, e contra um Ryzen 7, estamos perto de ser 60% mais rápidos, e quase 3 vezes mais rápido contra um notebook de 3 anos com Intel Core i7. Então nos esforçamos para expandir os testes para fazê-los serem muito realistas [...] — Stefanie Hallford, Vice-Presidente e Gerente Geral das Plataformas de Clientes Empresariais da Intel

Desenvolvimento dos recursos de segurança

Perguntados sobre como é o processo de desenvolvimento das funcionalidades de segurança da plataforma vPro, Stefanie explica que a Intel trabalhou para tornar o acesso às tecnologias de segurança dos processadores mais fácil, agilizando a integração com soluções de proteção e gerenciamento de parceiros, em um processo quase similar ao de software aberto.

Continua após a publicidade
Nós ajustamos nossa estratégia corporativa para ser mais fácil de ser integrada, então nós adotamos uma abordagem muito mais próxima de uma API de software aberto, que é focada em garantir que coloquemos ganchos em nossos produtos que serão capazes de ser conectados com mais facilidade em [soluções de] fornecedores de gerenciamento, colaboração ou segurança. Esses são os três [setores] em que realmente estamos focando. Então, nós fizemos isso, nós reprojetamos e ajustamos [a plataforma vPro] para garantir que oferecemos facilidade de conexão e integração [...]. — Stefanie Hallford, Vice-Presidente e Gerente Geral das Plataformas de Clientes Empresariais da Intel

Outra etapa importante é a de encontrar os parceiros ideais, que beneficiam e são beneficiados pelas soluções da Intel, havendo então o estabelecimento de times que vão trabalhar em conjunto para que haja integração entre as soluções desses parceiros e o hardware adquirido pelos clientes.

[...] O restante do trabalho é identificar quem são os parceiros ideais, [...] identificar uma vitória tanto técnica quanto de negócios para nós e nossos parceiros, e focar nos elementos que sabemos ser importantes para usuários corporativos e operadores de TI. Segurança, fácil gerenciamento. E fazer isso em um ambiente produtivo, colaborativo, que não afeta sua performance e experiência. E então nós fazemos o trabalho duro, arregaçamos as mangas e dedicamos times para fazer a integração técnica com esses parceiros, bem como a integração com as empresas [os clientes]. [...] — Stefanie Hallford, Vice-Presidente e Gerente Geral das Plataformas de Clientes Empresariais da Intel
Continua após a publicidade

A Vice-Presidente destaca ainda como a companhia acredita que uma abordagem baseada apenas em software não é suficiente, sendo necessário implementar mecanismos de hardware, e de como a gigante trabalha na prevenção, estratégia que ofereceria melhores resultados do que ter lidar com um problema após o ocorrido.

[...] É bem claro que o software sozinho não é suficiente, então nós adaptamos a plataforma [vPro] [...]. Hardware e software é a melhor defesa que você pode ter. [...] Outra coisa que nós fazemos é que tentamos ensinar a prevenção, a melhor defesa é uma defesa. É não ter que reagir depois que um problema acontece. Então nós focamos bastante em construir o máximo possível dessa defesa [...]. — Stefanie Hallford, Vice-Presidente e Gerente Geral das Plataformas de Clientes Empresariais da Intel

O suporte do vPro ao Linux

Durante a apresentação da nova geração da plataforma vPro, a Intel fez questão de destacar como há uma espécie de "casamento perfeito" entre a solução e o Windows 11, graças a uma parceria bastante próxima com a Microsoft. Há, porém, empresas que optam por utilizar sistemas como o ChromeOS — que já possui uma versão própria da plataforma da Intel, o vPro Enterprise for Chrome —, ou mesmo distribuições Linux corporativas, como a Red Hat.

Continua após a publicidade

Perguntados se há algum trabalho com esses sistemas, Stefanie explica que não há suporte oficial e verificação de distros Linux, mas confirma que realmente há mercados, como a China, que têm preferência pelo software de código aberto. Nesses casos, a própria comunidade trabalha para integrar as tecnologias de segurança do vPro, esforço que recebe apoio por parte da gigante.

[...] É uma área que certamente na China, por exemplo, recebemos muito interesse, e requer certa customização. Mas no geral, nós não fazemos a integração interna e os testes e validação que nos comprometemos com outros sistemas operacionais. Mas a base está lá, e em locais em que há uma forte comunidade Linux, eles estão trabalhando com isso [a integração com o vPro] regularmente. Na verdade, temos ferramentas que são baseadas em uma abordagem de código aberto, e que a comunidade open source está regularmente colaborando. E nós estamos encorajando vários desses parceiros a desenvolver e localizar essas soluções. — Stefanie Hallford, Vice-Presidente e Gerente Geral das Plataformas de Clientes Empresariais da Intel

Os desafios da era remota

Continua após a publicidade

A pandemia de covid-19 causou um enorme impacto na indústria, acelerando a digitalização de empresas e resultando em um crescimento exponencial do trabalho remoto e híbrido, em que os colaboradores comparecem menos dias à empresa, ou mesmo trabalham completamente de casa. Esse cenário forçou as companhias a se adaptaram, sendo um desafio principalmente em termos de segurança dos dados.

Perguntados sobre como a Intel trabalhou na vPro para adaptá-la a essas novas condições, Stefanie detalha que a empresa quase "previu" o futuro de trabalho híbrido, no sentido de que os recursos da plataforma já comportavam muitas das necessidades desse modelo.

[...] Foi quase como se tivéssemos previsto isso [a pandemia e o crescimento do trabalho híbrido], o que é claro não previmos, ninguém previu a covid-19. Mas as capacidades pelas quais vPro se tornou famosa, e temos agora quase 17 anos de experiência global, dando suporte a empresas, e várias das capacidades de gerenciamento remoto, que são o esqueleto da vPro original, foram atualizadas e modernizadas hoje, e elas foram absolutamente cruciais para trabalhar no novo ambiente híbrido [...] — Stefanie Hallford, Vice-Presidente e Gerente Geral das Plataformas de Clientes Empresariais da Intel
Continua após a publicidade

A executiva cita ainda um exemplo do funcionamento dos principais recursos de gerenciamento da Intel vPro, incluindo a configuração de máquinas em qualquer lugar do mundo sem a necessidade do colaborador interagir com o computador, ou até mesmo do dispositivo estar ligado.

[...] Se você é um operador de TI, por exemplo, no Brasil, e você está dando suporte a funcionários em Sydney [na Austrália, com fuso de 14 horas a mais que o Brasil] e também em Nova Iorque, precisando implementar correções no sistema, você consegue fazer isso. Primeiro, sem precisar mandar sua equipe de TI ao local, algo que seria impossível no pico da pandemia por razões de saúde, mas também por ser extremamente caro, e então nós conseguimos oferecer ao operador de TI uma oportunidade de manter a rede funcionando, de mantê-la segura, atualizada, de resolver os problemas em um momento que faça sentido para a companhia e para o funcionário, que deveria ser, por exemplo, quando ele está dormindo em Sydney. E você pode fazer isso funcionar sem mesmo precisar colocar o colaborador na frente do computador. Não há botões que precisam ser apertados, [...] você pode ligar um notebook fechado, fazer o serviço e então desligá-lo. E tudo isso é feito de uma forma que lida com a produtividade e a experiência do colaborador, mas que também lida com as necessidades do operador de TI, que é responsável pela segurança e funcionamento da rede [...]. — Stefanie Hallford, Vice-Presidente e Gerente Geral das Plataformas de Clientes Empresariais da Intel

Stefanie também aponta como essas funcionalidades continuam ganhando importância mesmo após o período mais duro da pandemia, especialmente por ajudar os negócios, com destaque para os micro e pequenos empreendedores, a gerenciarem suas máquinas de uma forma mais econômica.

[...] Então algumas dessas tecnologias básicas em que a vPro foi estabelecida, nós modernizamos, tornamos mais amigáveis à nuvem, fizemos com que sejam menos complexas e mais fáceis de implementar, então elas se tornaram muito populares no novo mundo híbrido. E agora que nós, entre aspas, 'superamos o pior da pandemia', estamos descobrindo que muitas companhias ainda seguem muito híbridas, e provavelmente sempre serão [...], então essa capacidade [de funcionar de forma híbrida] se tornou muito importante para manter esses negócios funcionando, e fazer isso de uma maneira mais econômica [...]. — Stefanie Hallford, Vice-Presidente e Gerente Geral das Plataformas de Clientes Empresariais da Intel
Continua após a publicidade

O alcance do vPro no Brasil

Apesar de pouco comentado, o Brasil possui forte demanda para soluções corporativas como a plataforma vPro e, perguntados sobre como está a adoção da tecnologia no mercado nacional, os executivos confirmam esse cenário. Stefanie comenta como o setor público, como as concessionárias de trens e metrô em todo o país, são clientes da Intel, assim como diversas companhias do setor financeiro.

Marcio detalha alguns dos exemplos, enfatizando como a Intel vPro possui grande alcance no setor financeiro, e a facilidade que proporcionou a um dos clientes no momento em que foi preciso atualizar o parque de máquinas.

[...] Nós temos no Brasil uma grande penetração da vPro, especialmente no setor financeiro. [...] Há uma instituição financeira aqui no Brasil que está usando vPro, com mais de 70 mil máquinas com vPro, e eles atualizaram [essas máquinas] do Windows 7 para Windows 10 usando a vPro. Eles conseguiram economizar bastante ao fazer essa migração através da vPro. O setor financeiro é um enorme mercado para a vPro aqui no Brasil. — Marcio Paulino, Líder de Tecnologia da Intel Brasil
Continua após a publicidade

Segundo informações enviadas pela Intel, o caso em questão é da Evo Systems, empresa especializada em software que trabalha com negócios como grandes instituições financeiras. Usuária da vPro desde 2013, a companhia teria conseguido reduzir os custos com chamados técnicos (quando um especialista precisa resolver alguma falha) em 95%, e poderia lidar com parques de até 100 mil máquinas.

A capacidade de gerenciamento remoto também seria um destaque, com os clientes "ficando satisfeitos ao saberem que é possível reinstalar um computador inoperante do zero remotamente, sem precisar dar qualquer tipo de enter ou clicar no botão next".

Stefanie complementa o comentário de Marcio citando como o mercado brasileiro reflete o que é visto no restante do mundo, sendo o mercado financeiro um dos principais usuários de vPro. Companhias do segmento teriam sido algumas das mais afetadas pela adoção do trabalho híbrido, com a Intel trabalhando de perto junto a elas para contornar os obstáculos, tendo no grupo de conselheiros integrantes de grandes instituições da área.

O futuro da plataforma Intel vPro

Continua após a publicidade

Encerramos a entrevista perguntando aos executivos sobre quais seriam os próximos passos e o que podíamos esperar do futuro da plataforma vPro, com Stefanie destacando que a Intel deve começar a focar cada vez mais em soluções nativas para a nuvem, tentando equilibrar o atendimento a empresas que ainda trabalham com métodos tradicionais e as startups, que já nascem em uma era onde a infraestrutura é projetada para o mundo online, mas reforçando que se trata de uma estratégia que demanda tempo.

Você vai nos ver trabalhando mais e mais em soluções nativas da nuvem. Nós sempre teremos que dar suporte às companhias legado [que ainda trabalham com hardware localmente], mas agora, no mundo dos negócios, você tem companhias estabelecidas, como no setor automotivo, ou petróleo e gasolina, ou companhias aéreas, que estão trabalhando em ambientes legado complexos e misturados, e você tem startups, que nasceram na nuvem e esperam fazer download com facilidade e trabalhar puramente com soluções na nuvem. Então acredito que nossa missão é conectar ambos [os métodos] [...] — Stefanie Hallford, Vice-Presidente e Gerente Geral das Plataformas de Clientes Empresariais da Intel

A Vice-Presidente também aponta recursos de colaboração, que devem facilitar a rotina de companhias que requerem a participação de múltiplos colaboradores em um projeto, como outro dos focos da Intel. Além disso, Stefanie cita algumas das tecnologias de ponta focada em aceleradores que a fabricante já confirmou estar desenvolvendo e que devem fazer parte da vPro, incluindo as GPUs, as VPUs para processamento de IA e a ambiciosa XPU, que combina CPU, GPU e outros chips em um único pacote.

Eu acredito que [outra] área em que você vai nos ver trabalhando mais é em colaboração. Nós já estamos trabalhando com mais times de parceiros de colaboração, [como] Zoom, WebEx. E acho que você vai nos ver investir mais em exemplos de IA, exemplos que demonstrem [as capacidades] de IA. E estamos trabalhando muito no que chamamos de estratégia de XPU, GPU, VPU, como nós trabalhamos com nossa nova arquitetura híbrida. E conforme fazemos isso, precisamos mostrar, basicamente dar exemplos de como isso beneficia uma companhia na vida real. Então é nisso em que estamos tentando focar. — Stefanie Hallford, Vice-Presidente e Gerente Geral das Plataformas de Clientes Empresariais da Intel