Eleições 2018 | As propostas de Marina Silva para tech, inovação e ciência

Por Natalie Rosa | 19 de Setembro de 2018 às 17h00
Reprodução

A disputa pela posse da presidência da República está a cada dia mais acirrada, com capítulos que deixam as Eleições de 2018 dignas de roteiro de filme ou série política. Nós destrinchamos as propostas de cada candidato ao cargo máximo do executivo para os setores de maior interesse entre nossos leitores. Afinal, o que cada um deles propõe para o cenário de Tecnologia, Ciência, Inovação e Telecomunicações do país? Acompanhe diariamente nosso Especial Eleições 2018 e fique informado para ir às urnas!

A candidata à presidência da República pelo partido Rede Sustentabilidade, Marina Silva, conta em seu plano de governo que "não existe desenvolvimento pleno ou crescimento econômico durável sem investimentos em ciência, tecnologia e inovação".

Com base nessa afirmação, o documento conta com diversos tópicos sobre o assunto, principalmente no capítulo 12, em que afirma que a ciência do Brasil vem passando por uma grande crise de financiamento devido a uma forte expansão do sistema nas últimas duas décadas. São revelados dados de que o Brasil caiu 17 posições no Global Innovation Index somente nos últimos oito anos, hoje posicionado na 64ª colocação, e que a ciência e inovação são áreas estratégicas para o país.

Voltando ao primeiro capítulo do plano, Marina Silva conta que a sua posse criaria um governo aberto e digital, com foco na transparência e uso de novas tecnologias de informação e comunicação para a busca de serviços públicos mais eficientes e de qualidade.

"Tecnologias como big data, blockchain e inteligência artificial serão incorporadas pela gestão pública, contribuindo para o combate à corrupção, a desburocratização e o aumento do controle social", diz o documento, relatando que será adotada uma estratégia nacional e clara, e que integre ações de diferentes órgãos de governo, regras comuns de compartilhamento de informações, além de questões éticas e jurídicas para o bom uso das informações.

Marina Silva (REDE) e seu vice Eduardo Jorge (PV) (Foto: Reprodução)

CT&I no ensino superior

O governo de Marina Silva também promete ampliar o acesso ao ensino superior sem deixar de apostar no sistema de cotas e apostando na aproximação da política de Ciência, Tecnologia e Inovação, ou CT&I. Acredita-se que é necessário que os estudantes sejam desafiados a realizar pesquisas que contribuam para a resolução de problemas sociais, ambientais e econômicos, reforçando novamente que sem esses tópicos não há como um país se desenvolver.

"No Brasil, será preciso retomar firmemente, de forma contínua e articulada, as políticas públicas, aumentando os recursos para CT&I, com atenção para combater as desigualdades regionais e a pouca inserção no sistema produtivo", revela um trecho do capítulo 3. 

Ciência, tecnologia e inovação

Ainda segundo o plano de governo, no capítulo 12, caso Marina Silva se torne presidente, o Ministério da Ciência e Tecnologia será recriado. "Trabalharemos para implementar, nos próximos quatro anos, a meta da Estratégia Nacional de CT&I de elevar os investimentos em pesquisa e inovação a 2% do PIB, relata o documento. 

Para Marina Silva, o Brasil depende do aumento da produtividade e capacidade de inovação para crescer, mesmo que seja em longo prazo. Segundo dados das diretrizes da candidata, empresas brasileiras pouco inovam e, com isso, os gastos de pesquisa e desenvolvimento representam eficiência baixa, pois os custos para inovar e adaptar as tecnologias são bastante altos.

Como solução para este problema, o governo promete a eliminação das barreiras tarifárias e não tarifárias para a importação de equipamentos, materiais, insumos e serviços que são usados em pesquisas, desenvolvimento e inovação. Marina Silva ainda assegura aperfeiçoamentos dos mecanismos necessários para atrair cientistas estrangeiros qualificados que tenham interesse em trabalhar no Brasil, além da colaboração entre empresas e universidades.

Fintechs

De acordo com o plano de governo de Marina Silva e seu vice Eduardo Jorge, o sistema financeiro do Brasil se tornou concentrado de forma excessiva e uma das principais razões para o alto custo do crédito e para a exclusão da população mais pobre é a baixa competição entre bancos. A solução, segundo o documento, é apostar na revolução tecnológica como uma oportunidade para promover a desconcentração e a inclusão bancária.

"Estimularemos a inovação no sistema financeiro com suporte às fintechs e promoveremos gradual digitalização dos meios de pagamento, como forma também de combater a evasão fiscal, a corrupção e a lavagem de dinheiro. Daremos apoio aos bancos comunitários e à criação das moedas sociais, a fim de dinamizar e impulsionar o desenvolvimento econômico e social das comunidades locais", conta as diretrizes de governo.

Energia

Em um breve tópico sobre o combate às mudanças climáticas, o documento conta que serão criadas políticas de mobilidade urbana com foco na baixa emissão de poluentes, geração de energia limpa, renovável, distribuída e com eficiência energética, além da substituição de veículos movidos a combustíveis fósseis pelos elétricos e os que sejam movidos a biocombustíveis, e também valorizando áreas verdes brasileiras.

O plano de governo conta também que o País tem alta capacidade de geração de energia e de fontes renováveis como biomassa, solar, eólica e hidrelétrica, além de deter de grandes áreas de florestas entre os países tropicais, biodiversidade e a segunda maior reserva hídrica do mundo.

GovTech Brasil

Recentemente, Marina Silva participou do debate GovTech Brasil, organizado pela BrazilLAB e pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS), que aconteceu em São Paulo. A candidata respondeu perguntas sobre quatro tópicos: tecnologia, identidade digital, transparência e informação.

No quesito tecnologia, a presidenciável afirma que é necessária a implementação na área da segurança, saúde, combate a crimes ambientais, detecção de desmatamento, proteção da biodiversidade e no envolvimento da sociedade de forma geral.

Na questão de identidade digital, Marina Silva fala sobre a necessidade de um programa de integração das diferentes iniciativas usadas nos serviços de governo para potencializar ações, como a criação de sistema de alerta em enchentes ou incêndios, por exemplo. "Um celular pode mandar informação e isso torna mais ágil o socorro, evitando ou auxiliando no atendimento de catástrofes ambientais, deslizamentos", diz a candidata.

Em relação à transparência, a presidenciável conta que pretende disponibilizar dados sobre, por exemplo, desmatamento da Amazônia para universidades e ONGs, mesmo que isso signifique constrangimento ao governo. "É a tecnologia a serviço da proteção do meio ambiente, da ética na política, do cidadão. A Amazônia não espera, as mudanças climáticas não esperam. Vai depender da urgência de cada caso, dos melhores custos, serviços, produtos, materiais em benefício da sociedade" conta Marina Silva.

Sobre a informação, a candidata afirma a necessidade de um controle. "É preciso segurança, a proteção dos indivíduos, pois são informações que poderiam ser usadas para interesses escusos", diz Marina Silva, contando ainda que seu governo tem a intenção de criar um sistema de proteção do cidadão sem deixá-lo vulnerável.

Entramos em contato com o setor de comunicação de Marina Silva com algumas questões, mas até o fechamento desta matéria ainda não recebemos resposta. Caso aconteça, vamos atualizar esta nota imediatamente.

Esta matéria faz parte do especial Eleições 2018 do Canaltech. Fique ligado: a cada dia publicaremos as propostas de um candidato à presidência para Tecnologia, Inovação, Ciência e Telecomunicações!

Leia também as propostas de:

Fonte: Marina Silva, G1

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