Eleições 2018 | As propostas de João Amoedo para tecnologia, inovação e ciência

Por Wagner Wakka | 20 de Setembro de 2018 às 17h20
Divulgação/Facebook

A disputa pela posse da presidência da República está a cada dia mais acirrada, com capítulos que deixam as Eleições de 2018 dignas de roteiro de filme ou série política. Nós destrinchamos as propostas de cada candidato ao cargo máximo do executivo para os setores de maior interesse entre nossos leitores. Afinal, o que cada um deles propõe para o cenário de Tecnologia, Ciência, Inovação e Telecomunicações do país? Acompanhe diariamente nosso Especial Eleições 2018 e fique informado para ir às urnas!

João Amoedo é o candidato do Partido Novo, grupo mais liberal que se declara avesso à intervenção estatal em várias esferas, principalmente, a econômica. Tendo a diminuição de impostos e a “liberdade com responsabilidade” como carros-chefes, outras áreas ficaram menos claras na campanha de Amoedo. O Canaltech percorreu o plano de governo do candidato e buscou saber o que ele tem de propostas para tecnologia, inovação, comunicação e ciências.

Tecnologia

Esta palavra aparece apenas seis vezes durante todo plano de governo, disponível no site do candidato. O termo é atrelado a métodos de evitar corrupção, como meio e não como fim de suas propostas. Por exemplo, em um trecho do documento, cita: “Aprimorar a prevenção e as investigações com o uso de mais tecnologia”.

Contudo, é possível ter mais ideia do que pensa o político em entrevistas recentes. Amoedo participou do GovTech, evento realizado entre os dias 7 e 8 de agosto, cuja proposta era discutir uma agenda digital para o país. Ele foi um dos convidados do evento, que contou também com outros presidenciáveis. “A tecnologia, no fundo é uma ferramenta”, bate na tecla.

O que Amoedo entende por tecnologia no governo é utilizar mecanismos para que o cidadão possa interagir com o Estado, mediado por plataformas digitais. Para isso, o carro chefe do discurso do candidato do Novo é a identidade digital, uma proposta para que o usuário consiga acesso a suas informações unificadas digitalmente. “A gente tem que usar a tecnologia para digitalizar processos e não digitalizar processos errados que já existem”, contou no evento. “Tem essa de digitalizar identidade, digitalizar o título, quando, na verdade, a gente deveria ter um documento só. Então, a primeira coisa: a gente vai ter um documento único”, pontuou.

Ainda, na proposta de citar a tecnologia como ferramenta, ele cita o prontuário eletrônico como solução para problemas de espera no Sistema Único de Saúde.

Por fim, Amoedo cita blockchain para falar sobre burocracia. “A gente quer acabar com os cartórios, usando basicamente a tecnologia do blockchain para validar os documentos e tirar toda esta burocracia hoje. Primeiro, ele dá integridade a todo o processo. Segundo, ele dá transparência. Terceiro, ele dá segurança. Quarto, ele dá privacidade. Por último, ele dá inclusão, tudo que a gente precisa na gestão pública brasileira”, acredita o candidato.

Uma das ideias que temos ao destrinchar seu posicionamento é justamente a de colocar tecnologia com peso de gestão em todo o processo. Contudo, o plano de governo não aponta investimentos para tecnologia, nem mesmo mudança no orçamento para a área, embora ele tenha dito que o “setor será prioridade” em sua gestão. Por ora, falta detalhamento.

Ciência, pesquisa e inovação

Em relação à pesquisa e ciência, a proposta de Amoedo é também o investimento privado. O plano traz “novas fontes de recursos não-estatais e parcerias com o setor privado voltadas à pesquisa” exclusivamente para Universidades. Com os problemas recentes de cortes de verbas da Capes e outros órgãos de incentivo à pesquisa, Amoedo aproveita para apontar a iniciativa privada como solução.

No mesmo setor, ele insere a busca por “novas formas de financiamento para a cultura, esporte e ciência, com fundos patrimoniais de doações”.

Vale ressaltar a preocupação do candidato com a imagem do estudante brasileiro lá fora. Uma das metas apontadas pelo seu plano de governo é a de “subir o Brasil 50 posições no ranking do PISA” – Programa Internacional de Avaliação de Alunos –, uma rede internacional que avalia a qualidade da educação em vários países. Com testes realizados de três em três anos, o programa tem o Brasil na 63ª posição de 70 participantes.

Também no evento do GovTech, embora não especificamente tratasse destes dois temas, com a proposta do Estadoo mínimo, Amoedo aponta que preferiria incentivar que empresas fossem o motor do desenvolvimento, embora não informe como faria isso. Em uma relação mais aberta com o Estado, ele fala em uma parceria público-privada, em que prefere que empresas trabalhem com inovação enquanto o Estado se mantenha na posição de fornecimento de infraestrutura.

Por fim, para comunicação, o plano de governo do candidato não cita nenhuma proposta para a área.

É importante salientar que o Canaltech entrou em contato com a assessoria do candidato, que preferiu declinar a entrevista por conta da agenda de campanha de Amoedo. Segundo ainda a assessoria, todas as respostas sobre nossas dúvidas à respeito dos temas tecnologia, inovação, comunicação e ciências, estariam no plano de governo do candidato.

Esta matéria faz parte do especial Eleições 2018 do Canaltech. Fique ligado: a cada dia publicaremos as propostas de um candidato à presidência para Tecnologia, Inovação, Ciência e Telecomunicações!

Leia também as propostas de:

Fonte: Partido Novo

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.