Activision Blizzard criará fundo de US$ 18 milhões para vítimas de assédio

Activision Blizzard criará fundo de US$ 18 milhões para vítimas de assédio

Por Felipe Goldenboy | Editado por Bruna Penilhas | 28 de Setembro de 2021 às 12h13

A Activision Blizzard chegou a um acordo com a Equal Employment Opportunity Commission (EEOC, ou Comissão de Oportunidades Iguais de Emprego em tradução livre), órgão que rege igualdade de gênero no trabalho nos Estados Unidos, que também estava investigando a cultura de trabalho tóxica da empresa. O estúdio prometeu criar um fundo de US$ 18 milhões para "compensar e fazer as pazes" com vítimas de assédio e discriminação.

Essa quantia, no entanto, não deve afetar muito o caixa da Activision Blizzard. A título de comparação, a empresa registrou receitas líquidas de US$ 8,1 bilhões e reservas líquidas de US$ 8,4 milhões no último ano fiscal. Apenas no último trimestre, os números chegaram a US$ 2,3 bilhões e US$ 1,9 bilhão, respectivamente.

Funcionários da Activision Blizzard realizaram uma greve em frente à empresa no dia 28 de julho (Foto: Reprodução/Redes sociais/Jonny Peltz)

O fundo de US$ 18 milhões será aberto a funcionários antigos e atuais da Activision Blizzard que tenham trabalhado na empresa a partir do dia 1º de setembro de 2016 e tenham sofrido “assédio sexual, discriminação na gravidez e/ou retaliação relacionada, ou demissão construtiva” (ou seja, quando um funcionário pede demissão por coerção).

Se sobrar algum valor do fundo, essa quantia será doada a instituições de caridade focadas na conscientização sobre assédio, questões de igualdade de gênero e promoção de mulheres na indústria de games. Todos os repasses deverão ser aprovados pelo EEOC.

A empresa também promete que contratará uma pessoa específica para ajudar a empresa a oferecer oportunidades iguais, além de um consultor externo que garanta o cumprimento de todas as medidas, o qual também deverá ser aprovado pelo EEOC.

CEO da Activision Blizzard se pronunciou

Bobby Kotick lamentou casos de assédio na empresa (Foto: Divulgação/Activision Blizzard)

Em comunicado enviado à imprensa, o CEO da Activision Blizzard, Bobby Kotick, lembrou não haver lugar para “discriminação, assédio ou tratamento desigual” na companhia, e que ele é grato aos funcionários que “corajosamente compartilharam suas experiências”. O executivo também disse que lamenta “que alguém tenha passado por uma conduta inadequada” e que continua “inabalável em meu compromisso de tornar a Activision Blizzard um dos locais de trabalho mais inclusivos, respeitados e respeitosos do mundo.”

"Continuaremos vigilantes em nosso compromisso com a eliminação do assédio e da discriminação no local de trabalho. Agradecemos à EEOC por seu envolvimento construtivo enquanto trabalhamos para cumprir nossos compromissos de erradicar a conduta inadequada no local de trabalho", completou.

Vale ressaltar que esta é uma ação separada do DFEH (Departamento de Emprego e Habitação Justos da Califórnia, em tradução livre), que revelou as denúncias em julho. Em paralelo, também estão acontecendo processos e investigações do SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos), do grupo de funcionários autointitulado ABetterABK (Uma Melhor Activision Blizzard King, em tradução livre) e dos próprios investidores da empresa. Ou seja, mais detalhes relacionados à empresa podem surgir a qualquer momento.

Fonte: EurogamerGamesIndustry.biz

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