Foguete russo Soyuz lança 38 satélites comerciais de diversos países

Por Wyllian Torres | 22 de Março de 2021 às 17h30
Reprodução/GK Launch Services

Na manhã desta segunda-feira (22) o foguete russo Soyuz-2.1A lançou 38 satélites de 18 países, entre eles o Brasil — com o nanossatélite NanoSatC-Br2. O lançamento, que foi adiado em dois dias, ocorreu hoje no cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, por volta das 7h (no horário de Brasília). Foi a primeira missão totalmente comercial realizada pela operadora russa de lançamentos GK Launch Services à bordo da nave, sem nenhum satélite russo.

Por conta de um problema detectado no estágio superior do foguete, o lançamento aconteceu com dois dias de atraso. Apesar disso, o lançamento de hoje foi um sucesso transmitido ao vivo no canal do YouTube do Instituto de Pesquisa Aeroespacial da Coreia (KARI). O instituto também é responsável pela principal carga do foguete, o satélite CAS500-1 — após atingir sua órbita programada, entre 484 e 508 quilômetros de altura, o satélite enviou seus primeiros sinais cerca de duas horas após lançado. Segundo a KARI, o satélite fornecerá imagens da Terra em alta resolução após completar 6 meses de testes iniciais.

Simulação computacional do foguete Soyuz-2.1A a uma altitude cada vez mais alta (Imagem: Reprodução/GK Launch Services)

Entre o lote de cargas secundárias, havia quatro satélites GRUS (microssatélites de observação da Terra em alta resolução) de sensoriamento remoto da Axelspace Corp., localizada em Tóquio. No segundo grupo estava a missão ELSA-d, da Astroscale, com sede também em Tóquio, que tem o objetivo de remover o lixo espacial da órbita terrestre e promover políticas governamentais em todo o mundo para solucionar o problema da grande quantidade de detritos espaciais. A startup espanhola Sateliot também participou do lançamento do primeiro dos satélites de uma constelação em órbita baixa para operadoras de rede 5G.

O Brasil não ficou de fora, pois entre os passageiros do foguete estava o NanoSatC-Br2 que tem a missão de observar o comportamento da anomalia magnética do Atlântico Sul. Sua órbita fica localizada na camada da Ionosfera, cerca de 500 quilômetros de altura, cruzando o planeta de polo a polo. O projeto é fruto do trabalho do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, e da Agência Espacial Brasileira (AEB). Seu lançamento faz parte do maior envio de satélites em cooperação internacional.

O Soyuz-2.1A também levou ao espaço pequenos satélites de algumas iniciativas privadas e vários cubosats de universidade e instituições de pesquisa de países por todo o mundo.

Fonte: SpaceNews

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