Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (07/08 a 13/08/2021)

Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (07/08 a 13/08/2021)

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 14 de Agosto de 2021 às 11h00
NASA/M. Selby/ T. Slovinsky/P. Horalek/Inst. of Physics

Nesta semana, os entusiastas do espaço ficaram de olho no céu. É que, nos últimos dias, a chuva de meteoros Perseidas chegou ao seu pico, proporcionando visões incríveis a quem conseguiu observar o rastro luminoso deixado pelos meteoros na atmosfera terrestre, principalmente no hemisfério Norte. Caso você não tenha conseguido acompanhar o fenômeno, aproveite para conferi-lo em algumas das imagens astronômicas desta semana, selecionadas pela NASA.

Em uma delas, você confere os meteoros em uma perspectiva especial — ou "espacial", com o perdão do trocadilho —, proporcionada por um astronauta a bordo da Estação Espacial Internacional, enquanto outra mostra como a poluição luminosa pode afetar observações de eventos como esse. Como de costume, você encontrará também outros registros que mostram a beleza de objetos distantes, como uma nebulosa colorida e suas diferentes partes, e até um fenômeno curioso: já pensou como seria a aparência do fogo em um ambiente com condições diferentes daquelas da Terra, como na microgravidade? 

Para descobrir, confira as fotos abaixo e curiosidades sobre elas:

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Sábado (7) — Solo de Marte em 3D  

(Imagem: Reprodução/NASA, JPL-Caltech, Ingenuity)

O rover Perseverance pousou em Marte no mês de fevereiro. Embora a exploração do Planeta Vermelho seja solitária para grande parte dos rovers já enviados para lá, o Perseverance não estava sozinho: em sua “barriga”, estava o helicóptero Ingenuity, uma demonstração de tecnologia que, desde abril, já realizou vários voos de sucesso. O décimo deles, feito no dia 24 de julho, rendeu a imagem acima, que mostra um pouco do que a câmera colorida instalada no helicóptero “viu” durante os quase três minutos no ar.

Se as cores esverdeadas da imagem parecerem estranhas, é porque esta foto foi editada para ser observada com óculos 3D para que, assim, você tenha uma visão tridimensional do solo do Planeta Vermelho. A câmera do helicóptero fez os registros à altitude de 12 m, com alguns metros de diferença para proporcionar uma perspectiva estéreo do planeta vizinho — e, claro, colaborar com o rover: a imagem foi feita a pedido dos cientistas na equipe do veículo, que queriam conhecer um pouco do terreno para, quem sabe, direcionar o Perseverance para lá em breve. 

Domingo (8) — Meteoros vistos do espaço  

(Imagem: Reprodução/NASA ISS Expedition 28 Crew, Ron Garan)

Agosto é o mês marcado pela chuva de meteoros Perseidas, que ocorre quando a Terra viaja em meio a uma nuvem de detritos minúsculos, liberados pelo cometa 109P/Swift-Tuttle. Alguns deles atravessam a atmosfera terrestre em passagens brilhantes e coloridas, que podem ser observadas anualmente em todo o mundo  — inclusive no Brasil! Mas, claro, dificilmente teremos uma visão tão privilegiada dos meteoros passando pela atmosfera quanto a do astronauta Ron Garan, que fez o registro acima enquanto estava a bordo da Estação Espacial Internacional, em 13 de agosto de 2011.

O laboratório orbital viaja em torno da Terra à altitude aproximada de 380 km, e Garan precisou simplesmente olhar para baixo para fazer a foto, já que, do ângulo de visão dele, os meteoros passaram abaixo do laboratório orbital. Naquele dia, os fragmentos do cometa se moviam à velocidade aproximada de 60 km/s, a cerca de 100 km acima da superfície terrestre. A boa notícia é que o pico da chuva de meteoros Perseidas aconteceu recentemente: para a alegria dos observadores, na noite de quinta-feira (12), o fenômeno pôde alcançar a taxa de 100 meteoros por hora. 

Segunda-feira (9) — Poluição luminosa e meteoros    

(Imagem: Reprodução/Tomas Slovinsky (Slovakia) & Petr Horalek (Czech Republic; Institute of Physics in Opava)

Já que a chuva de meteoros Perseidas já está acontecendo, você pode se perguntar: qual é a melhor forma de observar a passagem dos meteoros pelo céu? A imagem composta acima pode ajudar na resposta. Os dois registros foram feitos com equipamentos parecidos, mas em diferentes lugares: a foto da esquerda foi feita no Dark Sky Park Poloniny, o lugar mais escuro da Eslováquia; já a da direita foi feita no lago Cec, na República Tcheca. Quando são colocadas assim, lado a lado, as duas fotos deixam evidente como a luminosidade emitida por fontes artificiais pode influenciar o que podemos ver (ou não) no céu noturno.

Ambas as fotos foram feitas durante a chuva de meteoros Perseidas do ano passado, tanto que conseguimos observar o brilho dos objetos queimando na atmosfera e a faixa luminosa da Via Láctea nas duas. Mesmo assim, a foto da esquerda mostra mais meteoros que a outra, e com mais nitidez, o que sinaliza também uma consequência importante da poluição luminosa: objetos de brilho mais difuso, como alguns dos meteoros, acabam facilmente ofuscados pela luminosidade das cidades. 

Terça-feira (10) — Como é o fogo na microgravidade

(Imagem: Reprodução/NASA)

Quando há fogo na Terra, o ar aquecido sobe e se expande, o que faz com que as chamas fiquem em uma forma que lembra a de uma lágrima. Já na microgravidade, o fogo fica com a aparência curiosa que você viu na foto acima, feita no interior do Combustion Integrated Rack, componente da Estação Espacial Internacional. Localizada no módulo Destiny, dos Estados Unidos, essa instalação tem uma câmara de combustão de volume de 100 L, que proporciona toda a segurança para estudos de combustão realizados no laboratório orbital.

As chamas ficaram com forma esférica devido ao próprio processo de combustão, que acontece rapidamente a partir das moléculas de oxigênio disponíveis. No caso dessas “chamas espaciais”, elas flutuam livremente em todas as direções e encontram novas moléculas, e o resultado são as várias formas esféricas da imagem. Os experimentos de combustão na estação espacial são importantes para os pesquisadores entenderem melhor os fundamentos e reações químicas por trás do processo para, assim, compreenderem mais sobre o fogo e desenvolverem métodos para suprimir incêndios. 

Quarta-feira (11) — Nuvens mammatus  

(Imagem: Reprodução/Michael F Johnston)

Geralmente, a parte inferior das nuvens é achatada porque é ali que o ar quente e úmido sobe e se resfria; com a condensação, gotas de água são formadas em uma temperatura específica, que costuma estar associada a determinada altitude. Conforme essas gotas aumentam, uma nuvem opaca se forma. Contudo, pode acontecer de as nuvens desenvolverem "bolsões" com grandes quantidades de água ou gelo, que caem no ar conforme evaporam. O resultado desse processo são as nuvens arredondadas na imagem acima, que lembram até a forma do algodão. 

Essas nuvens são chamadas de "mammatus", e são formadas por "bolsos" presentes na parte inferior da nuvem, principalmente daquelas que causam tempestades intensas — tanto que, quando estão presentes nas nuvens do tipo cumulonimbus, elas costumam indicar que uma tempestade forte está a caminho. As nuvens desta imagem foram registradas um pouco depois de uma tempestade que ocorreu no Canadá em 2012, e não duraram mais que alguns minutos. 

Quinta-feira (12) — As cores da Nebulosa Trífida

(Imagem: Reprodução/Mike Selby)

A imagem acima mostra a Nebulosa Trífida, localizada a cerca de 5.000 anos-luz de nós na constelação de Sagitário. Ela se estende por quase 40 anos-luz, forma estrelas a todo vapor e tem tamanho suficiente para cobrir uma área equivalente àquela da Lua cheia no céu. Também conhecida como “M20”, essa nebulosa é fraca demais para ser observada a olho nu mesmo em locais escuros e longe das luzes artificiais. Felizmente, um telescópio em mãos é suficiente para observações das belas cores dessa nebulosa, uma das “queridinhas” dos astrônomos amadores. 

A Nebulosa Trífida tem esse apelido — que, aliás, é bastante adequado — porque é formada por três lóbulos: além de abrigar um aglomerado estelar aberto, a nebulosa conta também com uma de emissão, reflexão e uma mais escura, cujas nuvens de poeira são responsáveis pelas “sombras” escuras que na imagem. Já as áreas avermelhadas mostram a luz vinda de átomos de hidrogênio, enquanto a região azulada é o resultado de poeira refletindo a luz estelar. 

Sexta-feira (13) — Um espiral "fantasmagórica"

(Imagem: Reprodução/NASA, ESA, Hubble, HLA/Mehmet Hakan Ozsarac)

A aproximadamente 32 milhões de anos-luz da Terra, em direção à constelação de Peixes, há uma galáxia que pode até não ter uma forma espiral absolutamente perfeita, mas com certeza é uma das mais fotogênicas que conhecemos hoje. Trata-se da galáxia M74, observada pelo telescópio espacial Hubble, cujos dados resultaram na composição acima, que mostra toda a beleza de usa estrutura. Os braços espirais delicados da M74 são formados por vários aglomerados de estrelas azuis, acompanhadas por faixas de poeira escura.

Também conhecida como “Galáxia Fantasma”, a M74 tem pouco brilho de superfície, o que a torna um dos objetos de observação mais difícil por astrônomos amadores dentre aqueles catalogados criado por Charles Messier. Felizmente, essa imagem nos permite observar até o brilho avermelhado da galáxia, vindo dos átomos de hidrogênio presentes nas grandes regiões de formação de estrelas nela.

Fonte: APOD

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