Afinal, quais as chances de confirmarmos a existência de vida extraterrestre?

Por Danielle Cassita | 13 de Julho de 2020 às 15h25

O ano era 1938, nos Estados Unidos. Ouvintes escutavam atentos em seus rádios uma adaptação do romance Guerra dos Mundos, do autor H. G. Wells, que narra uma invasão marciana nada pacífica. O que era para ser um momento de entretenimento causou pânico nas pessoas: houve quem pensasse que a Terra realmente estava sendo invadida por marcianos! Claro, era tudo ficção, mas essa ocorrência serviu para deixar os extraterrestres vivos no imaginário das pessoas.

Pois é, a humanidade questiona há um bom tempo se realmente existe ou não vida fora do nosso planeta; afinal, até agora não houve nada que confirme de forma concreta a existência de extraterrestres. Entretanto, isso não impede autores e roteiristas de especularem como seria encontrar e até conviver com seres de outros planetas.

Steven Spielberg, por exemplo, dirigiu o inesquecível E.T.: O Extraterrestre, onde crianças entram em contato com um alienígena e tentam enviá-lo de volta para casa. Já o filme MIB: Homens de Preto mostra os aliens vivendo entre nós, disfarçados de seres humanos.

Mas, afinal, como seria um encontro desses na vida real? E como está o andamento das tentativas de contato com seres de outros planetas?

Algumas possibilidades

Adam Frank, astrofísico da Universidade de Rochester, mencionou em uma entrevista à BBC que discussões sobre vida fora da Terra já foram motivo de risadas, mas hoje o assunto já não tem mais estigmas. Por exemplo, veja o caso do visitante interestelar Oumuamua. Em 2017, o objeto chamou a atenção de diversos pesquisadores quando foi descoberto "passeando" pelo Sistema Solar. No ano seguinte, Avi Loeb, presidente do departamento de astronomia de Harvard, trabalhou em um estudo que apontava que o objeto poderia ser uma sonda operacional enviada por uma civilização alienígena.

No fim, a suspeita não se confirmou. Mesmo assim, o pesquisador colocou numa entrevista ao Der Spiegel, jornal alemão, que o primeiro contato da humanidade com vida extraterrestre será um choque, mas entrará para a história como um dos momentos mais marcantes já vividos. Para Loeb, não há como prever como seria a reação das pessoas em um encontro desse tipo, e é provável que muito disso venha do fato de imaginarmos que outros seres são parecidos conosco. Já pensou na possibilidade de serem radicalmente diferentes?

(Imagem: Before It's News)

De acordo com o astrofísico Charley Lineweaver, pesquisador do Instituto de Ciências Planetárias da Universidade Nacional da Austrália, é preciso abandonarmos o que Hollywood fez com nossas opiniões sobre alienígenas. Por exemplo, dificilmente vamos ver discos voadores chegando na Terra, já que esse tipo de viagem iria exigir um deslocamento nos limites da velocidade da luz.

Poderíamos encontrar vida no universo com ondas de rádio, emitidas para buscar inteligências extraterrestres. Aliás, vale lembrar que elas não são exclusividade humana, já que qualquer civilização avançada pode, nesse exato momento, estar também emitindo ondas de rádio na expectativa de algum dispositivo identificá-las. No início deste ano, a China iniciou as operações do radiotelescópio Rádio Esférico de Abertura (ou simplesmente "FAST", na sigla em inglês), o maior do mundo, para encontrar vida inteligente. Os dados completos dos resultados devem ser liberados em três ou cinco anos.

Finalmente, a opção mais segura mesmo seria buscar sinais de vida na atmosfera de planetas distantes. Para isso, seria necessário estudar a composição química da atmosfera de um planeta. Um estudo publicado recentemente na revista Nature aponta que as melhores chances de usar as atmosferas para encontrar vida alienígena é direcionar os estudos a planetas como o nosso, que tenham hidrogênio na composição atmosférica.

Os próximos passos

Mas, calma, não precisa se desanimar. A NASA, por exemplo, vem dedicando esforços a encontrar comprovação da vida extraterrestre: Marte é um dos candidatos favoritos na busca por vida em lugares além da Terra, pois as evidências sugerem que, sim, houve vida em um passado distante ali. A missão Mars 2020, inclusive, será lançada no final do mês de julho deste ano, levando consigo o rover Perseverance, que justamente buscará pelas chamadas bioassinaturas no terreno marciano (se existirem, claro).

(Imagem: NASA)

Essas crenças ficaram ainda mais fortes depois que os cientistas descobriram que Marte já teve rios e oceanos. Outra candidata é Europa, a lua congelada de Júpiter, que conta com um oceano líquido no interior da sua crosta. Esse oceano poderia permitir que a vida nascesse em aberturas vulcânicas, alimentadas por produtos da energia geotérmica. A NASA também investigará tudo isso de perto, com a missão Europa Clipper, a ser lançada possivelmente em 2023.

Além disso, a agência espacial vem trabalhando também nas chamadas tecnoassinaturas, nome dado a sinais que civilizações podem deixar em seus planetas de origem. Assim, um pequeno grupo de cientistas liderado também por Adam Frank, vai focar em vestígios de poluição atmosférica e campos de painéis solares. Essa pesquisa deverá durar até três anos, e é o início de um grande projeto que deverá se estender por décadas.

Fonte: The Cosmic Companion, BBC, The Conversation, UOL, Nature

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