Será que a vida pode ser encontrada em mundos distantes ricos em hidrogênio?

Por Daniele Cavalcante | 05 de Maio de 2020 às 21h20
NASA/Ames/JPL–Caltech

Em um futuro próximo, telescópios serão avançados o suficiente para observar os exoplanetas (mundos que orbitam estrelas que não o Sol) com muito mais detalhes que atualmente. Isso ajudará os cientistas na busca por vida alienígena. Mas e se estivermos procurando no lugar errado? Será que precisamos necessariamente bucar por planetas parecidos com a Terra para isso?

Astrobiólogos entendem que a vida, em teoria, pode se desenvolver em mundos diferentes do nosso. Mas também sabem que, com a certeza de que a composição do nosso planeta é capaz de abrigar a vida, talvez seja melhor procurar primeiro em lugares semelhantes ao nosso lar. Na verdade, pode até ser que exista um mundo habitado relativamente próximo de nós, e os cientistas o tenham ignorado em suas observações só porque sua composição supostamente não suporta a vida como a conhecemos.

Bem, há alguns astrônomos que se preocupam com essa questão, e Sara Seager faz parte desse grupo. Ela é uma astrônoma conhecida por sua pesquisa sobre planetas extrassolares e suas atmosferas e, em seu novo artigo, busca uma visão sobre a vida que não seja “centrada na Terra”. Ou seja, ela argumenta sobre a possibilidade de que os seres vivos em outros mundos podem ser muito estranhos para nós.

Netuno é um exemplo de planeta com atmosfera rica em hidrogênio, apesar de não ser rochoso (Foto: NASA)

No artigo publicado na revista Nature Astronomy, ela e seus colegas observaram que micróbios podem sobreviver e prosperar em atmosferas dominadas por hidrogênio - algo bem diferente da atmosfera da Terra, rica em nitrogênio e oxigênio. O hidrogênio é um gás muito mais leve, e uma atmosfera assim se estenderia muito além em um planeta rochoso. E esses mundos podem ser descobertos e estudados mais facilmente por meio de telescópios poderosos, talvez da próxima geração.

E se micróbios são capazes de habitar planetas com atmosferas ricas em hidrogênio, é possível que tenha surgido vida em algum mundo desse tipo. "Há uma diversidade de mundos habitáveis ​​por aí, e confirmamos que a vida na Terra pode sobreviver em atmosferas ricas em hidrogênio", diz Seager. “Devemos definitivamente adicionar esse tipo de planeta ao menu de opções ao pensar na vida em outros mundos, e realmente tentar encontrá-la”, afirma.

Para chegar a essa conclusão, a equipe levou ao laboratório dois tipos de micróbios, testando-os em um ambiente com 100% de hidrogênio. Ambos sobreviveram e mostraram resultados com uma curva de crescimento clássica: no início, os micróbios cresceram rapidamente em número e, eventualmente, a população diminuiu - mas ainda permaneceu estável, à medida que novos micróbios continuaram a crescer, substituindo os que morreram.

Contudo, o experimento não foi projetado para mostrar se aqueles micróbios podem depender do hidrogênio como fonte de energia. O objetivo era demonstrar que uma atmosfera composta de hidrogênio não impede a sobrevivência de certas formas de vida. "Eu não penso que os astrônomos cogitaram que poderia haver vida em um ambiente de hidrogênio", diz Seager. Ela espera que seu estudo incentive o diálogo entre astrônomos e biólogos na busca por planetas habitáveis ​​- e, quem sabe, algum tipo de vida extraterrestre.

Fonte: MIT

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