Planetas orbitando anãs brancas podem ser candidatos à busca por vida alienígena

Por Daniele Cavalcante | 08 de Maio de 2020 às 13h10

Com a nova geração de grandes telescópios vindo aí, como o Telescópio Espacial James Webb (JWST), pesquisadores esperam encontrar bioassinaturas nas atmosferas de planetas distantes. E para evitar que bons candidatos a mundos habitados passem despercebidos, pesquisadores publicaram um novo estudo mostrando que planetas na órbita de estrelas anãs brancas podem ter boas chances de revelar sinais de vida.

Thea Kozakis, candidata a doutorado no Instituto Carl Sagan da Universidade de Cornell, liderou o novo estudo publicado no Astrophysical Journal Letters. Com sua equipe, ela criou uma espécie de kit de ferramentas para ajudar os telescópios a procurar indícios de vida alienígenas em planetas rochosos ao redor de anãs brancas.

Essas anãs brancas são, na verdade, consideradas restos estelares, pois já cessaram suas fusões nucleares. Mesmo assim, elas ainda brilham, e podem permanecer estáveis ​​por bilhões de anos, emitindo energia térmica armazenada e aquecendo planetas próximos. Isso significa que, se houver vida em algum dos planetas que as orbitam, elas podem prosperar e permanecer estáveis por bastante tempo.

Concepção artística de uma anã branca acumulando detritos rochosos deixados pelo sistema planetário sobrevivente à transição da estrela (Imagem: NASA/ESA/G. Bacon)

Outra vantagem de buscar bioassinaturas na órbita das anãs brancas é que elas são pequenas. Estrelas parecidas com o Sol (que é uma anã vermelha) podem ser tão brilhantes que fica difícil detectar os planetas que as orbitam. Por outro lado, também há dificuldades para encontrar mundos nessas estrelas - por serem pequenas, é mais difícil ver o trânsito de um planeta em suas órbitas.

Mas a detecção ainda é possível, especialmente com os próximos telescópios, e podemos encontrar alguma coisa interessante neles. “Planetas rochosos em torno de anãs brancas são candidatos intrigantes a serem estudados porque não são muito maiores que os planetas do tamanho da Terra", disse Lisa Kaltenegger, professora do Instituto Carl Sagan e coautora do estudo. Kozakis garante que seu guia ajudará os pesquisadores a saber o que procurar quando detectarem um planeta ao redor de uma anã branca. Bastará descobrir o que há na atmosfera desses mundos, recorrer ao artigo para comparar o conteúdo do guia com as impressões espectrais e, assim, procurar pelos sinais de vida.

No trabalho, as pesquisadores estudaram a evolução de planetas ao redor das anãs brancas durante o resfriamento delas, moderaram a fotoquímica e o clima de tais planetas usando modelos espectrais já existentes e criaram outros modelos para diferentes atmosferas possíveis. O estudo é focado nas bioassinaturas espectrais criadas pelo metano, óxido nitroso e ozônio. Detectá-los não é simples, mas o estudo “expande bancos de dados científicos para encontrar sinais espectrais de vida em exoplanetas”

Ilustração de um hipotético planeta ao redor de uma anã branca (Imagem:NASA/ESA/G. Bacon)

Há outras perguntas que permanecem sem resposta. Por exemplo, não se sabe ainda se a vida em um planeta rochoso sobreviveria durante a transição de uma estrela para se tornar uma anã branca. É que, antes desse estágio, elas passam pela fase de gigante vermelha, o que pode consumir alguns planetas em sua órbita. A vida nos planetas restantes sobreviveria a essa mudança cataclísmica?

Ninguém sabe, pois os planetas podem se afastar das suas estrelas e ficar em órbitas mais distantes. Se isso acontecer com um mundo durante a transição de uma gigante vermelha para anã branca, é possível que formas de vida sobrevivam. Ou ainda que a vida possa recomeçar em um planeta depois que sua estrela hospedeira se tornou uma anã branca. Afinal, as anãs brancas são muito estáveis ​​e duram muito tempo.

Como diz Kaltenegger, “se encontrarmos sinais de vida em planetas orbitando sob a luz de estrelas mortas há muito tempo, a próxima pergunta intrigante seria se a vida sobreviveria à morte da estrela ou começaria tudo de novo - uma segunda gênese, se você preferir”.

Fonte: Universe Today

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.