Oscar 2021 | Quem deve ganhar como Melhor Atriz e Melhor Ator?

Oscar 2021 | Quem deve ganhar como Melhor Atriz e Melhor Ator?

Por Sihan Felix | Editado por Jones Oliveira | 20 de Abril de 2021 às 22h00
Divulgação/Netflix, Disney, Amazon Studios

Desde o início da temporada de festivais (talvez até antes), surgem as discussões sobre o próximo Oscar. Apostas, bolões, debates intermináveis sobre quais são os melhores entre os indicados, quais são os injustiçados e esnobados e, claro, as teorias sobre as indicações daqueles filmes que se acreditam como sendo superestimados.

A verdade é que as qualidades existem, mas premiações são políticas — especialmente quando estamos falando da mais cara delas. Transmitir o Oscar só não é tão caro quanto transmitir o Super Bowl. São cifras hiperbólicas. Milhares e milhares de dólares por cada hora de transmissão. E se há muito dinheiro envolvido, é mais do que óbvio que há política. Nem falo de políticos, mas da política em si.

A qualidade pode até estar em um suposto primeiro plano, mas, no final das contas, vencem (ou são indicados) aqueles filmes que tiverem mais fôlego: é panfletagem, propaganda, criação de hype, momento histórico-político-social... E existe toda uma estrutura de votação até a lista final de indicados ser divulgada. É uma lógica um tanto complexa que discorremos em uma matéria especial à parte.

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Mas vamos ao Oscar 2021, especificamente às categorias que consagrarão a melhor atriz e o melhor ator protagonistas. Quais são os seus preferidos? E as suas apostas? Consegue separar esses dois conceitos?

Apesar da temporada bem complicada (no mínimo), tivemos um bom ano no que diz respeito às indicações. A primeira lista abaixo é com as indicadas na categoria de Melhor Atriz, a segunda é com os nomeados em Melhor Ator. Ambas estão em ordem de probabilidade de vitória de acordo com o Canaltech, dos menos prováveis àqueles que deverão segurar as estatuetas. Com o bônus de a categoria feminina estar particularmente embolada nesse ano.

Melhor Atriz

5. Vanessa Kirby

Com o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Veneza 2020, Kirby foi uma das primeiras a despontar na temporada. Também coleciona indicações ao Emmy e vitória do BAFTA pela série The Crown. A atuação dela em Pieces of a Woman pode já estar no hall das melhores de sua carreira e facilmente permanecer entre as melhores do ano, mas a atriz foi perdendo força com a chegada das demais concorrentes e, depois de Veneza, só conquistou o prêmio da Associação de Críticos de Cinema do Novo México. Além disso, vencer em Veneza, muitas vezes, não se traduz nem mesmo em indicação ao Oscar. Todo esse conjunto de fatores acaba por fazer sua vitória algo bem distante.

4. Andra Day

Uma cantora vencedora de prêmios se jogando de corpo e alma na interpretação de uma personalidade que é um legado sociocultural pode parecer uma receita para o Oscar. A atuação de Andra Day em The United States vs. Billie Holiday é um ímã com força suficiente para atrair e manter o interesse do espectador pelas mais de duas horas do filme. Em seu primeiro longa-metragem, ela é tão potente e encarna com tanta propriedade uma das maiores cantoras de jazz da história que todos os problemas idealizados pela direção podem até ser revertidos. E é aí que está a pedra no sapato no caminho para a vitória: o próprio filme.

Não é tão raro uma atuação ser enorme e, descaradamente, ser maior do que o filme. Já tivemos a vitória de Meryl Streep por A Dama de Ferro, por exemplo. Mas... era Streep em sua enésima indicação. Day é absoluta em cena, mas dificilmente vai conseguir desbancar dois medalhões hipervalorizados (com razão) e a já experiente quase favorita que seguem abaixo.

3. Viola Davis

Sendo uma das atrizes mais respeitadas da atualidade, Viola Davis tem três indicações ao Oscar e uma vitória (como Melhor Atriz Coadjuvante por Um Limite Entre Nós). Acontece que a intérprete da Mãe do Blues não precisa de muito para tomar conta de suas cenas: basta que a câmera passeie por suas expressões e, de vez em quando, pareça encantada com a performance da atriz. É a partir de Ma Rainey (de Davis) que A Voz Suprema do Blues ganha vida e consegue dissolver a exploração passada pela cultura negra a favor de mandantes brancos.

Mas a verdade é que, a partir daqui, a categoria está muito embolada (e já estava antes). Não há como fazer uma aposta minimamente segura. Mas acontece que, assim como Kirby, a campanha de Davis parece ter pedido força com a aproximação do Oscar e por isso as duas primeiras colocadas têm um pouco mais de chances.

2. Frances McDormand

Nomadland, que promete conquistar os principais prêmios da noite e tem o Oscar mais certo do ano — o de Melhor Direção, para Cholé Zhao —, é um monumento. Nada, porém, seria possível sem a grandeza de McDormand. A complexidade subjetiva de sua personagem parece ser diluída em toda competência possível. A inquietude de Fern (McDormand) é sutil por meio da proposta de Zhao e da sensibilidade da atriz. Ao mesmo tempo em que existe algum grau de autossabotagem em sua personalidade, há uma mulher forte e capaz de levantar a cabeça e ser uma força da natureza. Também, em meio a tudo, a mesma pessoa pode ser simpática e carinhosa quando ao conversar com um jovem solitário que encontra no caminho e firme quando ao pedir para ficar só.

A Academia gosta de personagens complexos e, nesse sentido, o trabalho da atriz está à frente de nossa maior aposta. Mas, se fosse uma batalha entre as duas, digamos que estaria em 49,9% para McDormand e 50,1% para...

1. Carey Mulligan

No início da temporada, muitos comentários diziam que Bela Vingança não teria força na temporada e que uma indicação ao Oscar, caso acontecesse, seria justamente para Carey Mulligan. Acontece que o filme está indicado em cinco categorias, todas tidas como principais: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro Original, Melhor Montagem, além de Melhor Atriz, claro. Esse é um case de sucesso: surge pequeno e vai crescendo, crescendo, crescendo... até que chega ao Oscar sendo imensamente comentado.

A atuação de Mulligan pela direção de Emerald Fennell, diferente da proposta por Zhao para McDormand, está longe de ser subjetivamente complexa. Mas isso não é negativo, visto que a atriz encontra toda a complexidade necessária em questões extrafilme e isso funciona como uma lâmina. Cada gesto, cada olhar, cada expressão de sua personagem é não menos que fulminante. Para mais, é muito possível que o filme seja o que mais tem força de reverberar na mente dos votantes. Isso é crucial para vencer em uma votação tão disputada.

Melhor Ator

5. Gary Oldman

Assim como a indicação de sua colega de cena Amanda Seyfried na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante, Gary Oldman chega para a disputa com chances próximas de zero. Não que o trabalho do ator seja ruim, longe disso. A questão é que não há a força que chame a atenção da Academia. Oldman é cirúrgico como o protagonista de Mank e funciona como uma ferramenta de David Fincher (o diretor) para a engrenagem do filme. Sem grandes apelos, sua indicação já é uma vitória, uma merecida conquista para um ator gigante.

4. Steven Yeun

Minari foi um filme que cresceu muito durante a temporada e, na reta final, parece que saiu dos holofotes. A atuação de Steven Yeun é, de fato, algo raro de se ver: de uma complexidade contida, humana, quase sem arroubos... de um realismo muito bem explorado pela direção de Lee Isaac Chung. Mas é uma atriz coadjuvante do filme, Yuh-jung Youn, que rouba as cenas e pode sair com a vitória no Oscar. Para Yeun, assim como para Oldman, a indicação é uma conquista muito merecida. Se por acaso vier a estatueta, não será uma grande zebra, mas a disputa deve estar mesmo nos próximos três concorrentes.

3. Riz Ahmed

O Som do Silêncio é um filme independente que surgiu com força em festivais e, ao longo da temporada, foi perdendo fôlego. A campanha para Riz Ahmed parece não ter a força de uma vitória, por mais que sua atuação seja uma das mais interessantes dos últimos anos. Há sempre um desespero e uma urgência no olhar de sua personagem que parece manter viva a esperança. A vitória pode acontecer por uma soma de fatores — como a forma do processo de votação da Academia e a disputa acirrada entre os dois primeiros.

2. Anthony Hopkins

Anthony Hopkins é considerado por muitos como um dos melhores atores da história do cinema. Apesar disso, até o ano passado — quando foi indicado por sua atuação em Dois Papas —, ele havia ficado mais de duas décadas sem ser lembrado pela Academia. Um dos fatores que explicam é que ele não é muito adepto de fazer campanha, tendo faltado em diversas premiações na qual foi indicado. Por outro lado, sua atuação em Meu Pai é uma das melhores de toda a sua carreira, o que é um feito considerável. Hopkins é a consagração do filme de Florian Zeller.

É verdade que estamos acostumados a vê-lo interpretando personagens fortes, mesmo com sua idade avançada. Nessa lógica, entrar em contato com Anthony (o personagem) é como ver seu próprio pai forte em um momento e, no contato seguinte, percebê-lo frágil — mesmo que ele bata o pé dizendo "sou mais forte do que os jovens de hoje". Seria uma vitória mais do que merecida, mas a probabilidade de nosso primeiro colocado vencer é um pouco maior.

1. Chadwick Boseman

No início da temporada, Chadwick Boseman parecia certo como Ator Coadjuvante por sua atuação em Destacamento Blood (filme esnobado por completo nas indicações). Após o lançamento de A Voz Suprema do Blues, os comentários começaram a girar em torno da dupla indicação. É verdade que o filme perdeu força na reta final e Hopkins foi conquistando fãs e mais fãs. Uma vitória que parecia mais do que certa começou a ficar complicada. De todo modo, sua vitória já é sinônimo de comoção e, mesmo com o filme diminuindo com o tempo, sua atuação permanece muito viva. O provável Oscar para o eterno Pantera Negra do Universo Cinematográfico Marvel (MCU) será merecido.

E então? Qual são as suas atuações coadjuvantes favoritas? Quais vocês acreditam que irão vencer? Por quê? Vamos debatendo porque, apesar de ser uma premiação bem política, movimenta o cinema, o que a torna essencialmente válida.

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