Como são escolhidos os indicados e os vencedores do Oscar?

Por Sihan Felix | 03 de Março de 2018 às 17h30
photo_camera LA Film School

Por mais que seja dito e redito que Oscar não é sinônimo de qualidade, é inegável que a maioria dos indicados estão acima da média e muitos deles são filmes excepcionais ou até mais do que isso. E o melhor dessa premiação é a possibilidade de ver o cinema sendo discutido, entrando em rodas de conversas.

A safra atual é boa e bem diversificada. Do favoritismo de uma fantasia sensível e inclusiva a filmes independentes que refletem nosso momento histórico-político-social atual, os nove indicados a Melhor Filme são capazes de satisfazer de gregos a troianos. A Academia vai perdendo a sua unidade, aprendendo a diversificar e renovando suas predisposições.

Mas... Como funciona a votação? Como os filmes são indicados? E quem vence?

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As indicações

Composta atualmente por mais ou menos seis mil membros, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas é a responsável por indicar os filmes e definir os vencedores de cada categoria. Cada membro envia uma lista com suas indicações em ordem decrescente, do seu preferido ao que menos aprovou. E essa lista tem que ter o número exato de indicados para cada categoria — ou seja, 10 filmes na de Melhor Filme, três na de maquiagem e cinco em todas as outras.

Quem vota?

Para a categoria de Melhor Filme, todos os membros que quiserem votar (o voto não é obrigatório) fazem as suas listas. Para todas as outras categorias, os votantes encaixam-se em suas funções reais (suas áreas de atuação). Por exemplo: o diretor brasileiro José Padilha (Tropa de Elite), que foi convidado para ser membro da Academia em 2013, tem o poder de votar apenas na categoria de Melhor Direção – além da de Melhor Filme. Meryl Streep (The Post: A Guerra Secreta), por sua vez, tem o poder de votar na categoria de Melhor Filme e nas categorias de atuação feminina (Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante).

A conta mágica – lá vem a matemática!

Para entrar na lista final de indicados, você precisa ter sido indicado no topo da lista por, pelo menos, um membro da Academia. Quanto mais vezes você receber esse status, maiores são suas chances de ser indicado. Divide-se, então, a quantidade de votantes pela quantidade de possíveis indicados + 1.

Exemplificando com a categoria principal (Melhor Filme)

Digamos que 5227 (número aleatório) membros tenham votado este ano. Como podem ser indicados até 10 filmes, divide-se os 5227 por 10 + 1. Ou seja: 5227 dividido por 11, que é igual a 475,18. O resultado é sempre arredondado para cima, totalizando, enfim, 476. Assim, dentro desse exemplo, os filmes que forem colocados no topo da lista por 476 membros ou mais já têm vaga garantida.

Mas, na prática, é impossível que todos os indicados saiam já por alcançarem esse número. Então, a vaga dos que conseguiram fica garantida, as listas nas quais eles aparecem no topo são eliminadas e se faz outra conta mágica, no mesmo modelo.

Há, ainda, a possibilidade de um filme monopolizar a votação. Aí a votação é caridosa.

Imagem: Genetic Literacy Project
(Imagem: Genetic Literacy Project)

Exemplificado dentro da nossa conta mágica

Se um candidato ultrapassar em 20% os 476 votos em primeiro lugar, ou seja 571,2 (572 arredondando para cima), ele faz uma doação. Mas aqui a matemática fica mais complicada. Um filme que tenha alcançado esses 572 pontos tem, de fato, 96 pontos a mais do que o necessário para a indicação. Então esse excedente é repartido entre o próprio filme e um outro indicado que esteja carente de pontuação e não tenha alcançado os 476 pontos (no caso desse exemplo). A complicação é porque não é uma divisão igual: subtrai-se o total de votos (572) pelo resultado da conta mágica (476) e se divide pelo total de votos (572). Em matemática: 572 – 476 = 96. 96 dividido por 572 = 0.167832... arredondando = 0,2.

E o bicho pega...

Esse 0,2 é multiplicado pelos 96 pontos que haviam sobrado, totalizado 19,2 (20 arredondando pra cima novamente). Esses 20 pontos são somados ao resultado da conta mágica (476) e o doador, o primeiro colocado das indicações no caso, fica com a pontuação final de 476 + 20 = 496.

Lembra do 0,2 que surgiu ali em cima? Ele é subtraído de 1 (1 – 0,2 = 0,8). Esse 0,8 é multiplicado novamente pelas sobras (96), o que resulta em 76,8. Esses 76,8 são, agora, arredondados para baixo (não me pergunte o porquê), resultando em 75. Esses 75 pontos, enfim, são doados a um filme necessitado.

A lista de indicados

Então essas rodadas matemáticas rolam até que todas as possibilidades de doação de votos sejam esgotadas. É quando, finalmente (ufa!), temos a lista de indicados. Essa lista, portanto, pode conseguir contemplar o número total de indicações possíveis, mas, por falta de pontuação, pode não conseguir chegar a esse total. É por isso que temos visto geralmente nove indicados a Melhor Filme. É, obviamente, a categoria onde a matemática – por abranger o dobro das demais e mais do que o triplo da categoria de Maquiagem e Cabelo – é mais complicada e a pontuação a ser alcançada dificilmente o é por 10 concorrentes.

E quem vence?

Aí tudo fica MUITO mais fácil. Todos os membros que quiserem votar (tendo votado antes ou não) podem votar em todas as categorias e escolhem apenas um dos indicados. Aquele que tiver mais votos leva a estatueta para casa.

As diferentonas

A categoria de Melhor Maquiagem e Cabelo segue o mesmo procedimento, mas, tradicionalmente, só indica três filmes – como já comentado.

A categoria de Melhor Canção Original vai mais longe: além de ter tido algumas mudanças de regras nos últimos 10 anos, o sistema de pontuação é através de notas de 6 a 10. A fórmula matemática muda um tanto, mas é bem menos complicada e nenhum filme pode ter mais de duas músicas concorrendo.

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